Política
Presença de Albuquerque gera tensão

Um dia após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau, que beneficiou nove deputados estaduais afastados dos cargos por determinação do desembargador Antônio Sapucaia, a Assembléia Legislativa passou ontem por momentos de tensão devido à tentativa do deputado Antônio Albuquerque (sem partido) de aplicar uma medida de força e voltar ao comando da presidência do Poder Legislativo. Os nove parlamentares indiciados no inquérito da operação Taturana tinham completado ontem 70 dias de afastamento dos seus mandatos. Seis deles chegaram a ser substituídos por suplentes, que ontem deixaram suas funções. ### Cinco dos nove deputados vão à ALE Além do deputado Antônio Albuquerque, retornaram ontem à Casa os deputados Nelito Gomes de Barros (PMN), Athur Lira (PMN), Isnaldo Bulhões Júnior (PMN) e Cícero Amélio. Os deputados Edval Gaia (PSDB), Mauricio Tavares (PTB) e Cícero Ferro (PMN), que também foram beneficiados pela decisão do STF, não compareceram. O deputado Dudu Albuquerque foi o primeiro dos afastados a chegar à ALE. Ele disse que voltava com tranqüilidade e que estava retomando o mandato que pertenceria aos alagoanos. Dudu Albuquerque que foi indiciado pela Polícia Federal pelos crimes de formação de quadrilha, desvio de recursos públicos, fraude contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e posse ilegal de armas alegou ser inocente das acusações apresentadas pela PF. Vou provar na Justiça que não cometi nenhum crime, disse. GF ### Polícia Federal irá redobrar atenção | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Com o retorno dos deputados afastados à Assembléia, a Polícia Federal irá redobrar as atenções para evitar que os esquemas de desvio de recursos do duodécimo não sejam retomados pelos parlamentares. O delegado da Operação Taturana, Janderlyer Gomes, disse ontem que a PF irá adotar medidas, caso sejam detectados indícios de que os esquemas fraudulentos sejam retomados. Com o retorno ao exercício do cargo, os deputados voltam a ter os mesmos vencimentos e regalias, e também terão condições de retomar as irregularidades que eram praticadas antes. Mas se isso acontecer, tomaremos as providências necessárias para impedi-los, disse. ### PGE dá entrada em ação para manter afastamento Enquanto o Ministério Público ainda aguarda a notificação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entrar com um recurso contra a decisão do ministro Eros Grau, a Procuradoria Geral do Estado ajuizou ontem um pedido de reconsideração da liminar, com o objetivo de afastar novamente os nove deputados que retornaram ontem às atividades parlamentares. No início da noite de ontem, já constava no andamento processual da Rcl/5915, o agravo regimental na reclamação do Estado contra os parlamentares. PB ### TJ ainda não foi informado oficialmente Apesar dos parlamentares acusados de envolvimento em esquema que desviou R$ 300 milhões da Assembléia Legislativa terem retornado ontem às atividades e tentarem até tomar assento à Mesa Diretora, a corrente de que eles não poderiam ter voltado às atividades parlamentares se fortaleceu ontem, não só com o recurso da PGE, mas também com a adesão do juiz auxiliar da presidência do TJ, Alberto Jorge Correia. Assim como o Ministério Público e o advogado dos suplentes de deputado, José Costa, o juiz considera que a decisão do ministro Eros Grau não anulou o julgamento da 2ª Câmara Cível. Não houve determinação do ministro para que eles retornassem, portanto, no meu entendimento, os deputados têm que obedecer à decisão do Tribunal de Justiça, declarou o juiz, esclarecendo que o TJ não foi informado oficialmente da decisão. Segundo Correia, a decisão do ministro não pode ser cumprida, uma vez que a liminar já foi processada e julgada. |PB /// Antônio Albuquerque: poder de interromper sessão mesmo sem presidir Mesa Diretora