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Caciques v�o a Bras�lia protestar contra inger�ncia pol�tica

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ARNALDO FERREIRA O PSB do governador Ronaldo Lessa, o PMDB do senador Renan Calheiros e até o PT do deputado Paulo Fernando dos Santos - Paulão, estão na lista dos partidos que podem ser convocados pelo governo federal para indicar o novo administrador da Funai de Alagoas-Sergipe. Se de fato isso ocorrer esses partidos enfrentarão a resistência das tribos organizadas e das comunidades indígenas dos dois Estados que não aceitam mais a ingerência política partidária. As lideranças inclusive querem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva os apoie indicando um índio que já trabalha no órgão e conhece os problemas das comunidades, para assumir a administração da Funai. Para tentar evitar a intromissão partidária, uma comissão de caciques, pajés e lideranças indígenas viaja, provavelmente, nesta quarta-feira para Brasília a fim de convencer o presidente da Fundação Nacional do Índio - Funai, Eduardo Aguiar de Almeida, a atender o pleito das comunidades. Os índios entregaram um abaixo-assinado ao presidente da Funai e prometem manifestações pacíficas em Brasília para chamar a atenção do presidência da República e do Congresso Nacional. Documento A GAZETA DE ALAGOAS teve acesso ao documento que será entregue ao presidente da Funai, Eduardo de Almeida, e que está assinado por 20 caciques, pajés e líderes como: Maninha Xucuru-cariri; Antônio da Silva (cacique Geripancó), José Tenório (cacique Cariri-Xocó) Julio Queiroz Sueiro (pajé), Heleno Manoel da Silva (cacique Xucuru-Cariri), Joaquim da Silva (pajé), Antônio José Filho (pajé Karopotó), Geiva José (cacique Wassú Cocal), entre outros. ?As mudanças estão ocorrendo nos cargos da Funai e é preciso ouvir as comunidades indígenas na nomeação de administradores?, afirmou as lideranças que demonstram disposição de negociar. ?Não queremos impor o nome do substituto do sr. Tiago Calheiros (ex- administrador), mas em reunião com a presença de lideranças indígenas dos Estados de Alagoas e Sergipe avaliamos entre as pessoas com capacidade para assumir nossa regional e decidimos reivindicar a nomeação do senhor José Heleno de Souza?. O nome apresentando pelas comunidades é o do administrador substituto. A reivindicação não é por acaso. Acontece no momento que as lideranças trabalham para reduzir o alcoolismo e o consumo de maconha nas comunidades e ao mesmo tempo lutam para agilizar os processos de regularização fundiária empacado há mais de 20 anos em Brasília. Os caciques e as lideranças observam que só um índio pode lidar com esses problemas e ajudá-los. O descrédito da classe política é o sentimento da maioria dos índios alagoanos. Eles avaliam que as demarcações e a regularização de suas áreas não acontecem porque os administradores são indicados por partidos políticos e os políticos, por sua vez, são aliados dos posseiros que se acham dono das terras dos índios. Quem é Heleno? José Heleno de Souza, 52 anos, casado, seis filhos, é filho do cacique Cícero de Souza Santiago, 72 anos, da Tribo Cariri-Xocó que fica às margens do Rio São Francisco, no município de Porto Real do Colégio. Além de ser liderança de sua aldeia, é técnico indigenista. Entrou na Funai em 1976, para fazer o curso de técnico indigenista. Após a conclusão do curso assumiu a chefia dos postos da Funai nas aldeias de Palmeira dos Índios (Xucuru-Kariri); em Porto Real do Colégio (Kariri-Xocó); em Feira Grande (Tingüi- Boto); em Gloresta - Pernambuco (Atkun). Também exerceu cargo de chefe de assistência de postos no município de Eunápolis, no sertão da Bahia e da Funai de Maceió. Há 10 anos exerce a função de administrador substituto da Funai de Alagoas-Sergipe. Escolha José Heleno revelou que em março passado as lideranças se reuniram e resolveram se organizar politicamente para escolher um nome da comunidade e tentar indicá-lo como administrador. ?Gostei de ser escolhido e acho estar preparado para atuar em defesa dos interesses dos meus irmãos índios?, confessou, ao acrescentar que as comunidades não escondem as decepções com as ingerências dos partidos políticos num órgão criado para cuidar e defender o interesse dos índios. Situação das tribos A situação da maioria das tribos alagoanas é de miséria, fome, falta de assistência técnica para atividades produtivas nas áreas de agricultura e piscicultura. As comunidades reclamam da demora na regularização fundiária. Neste Estado existem seis tribos reconhecidas pela Funai: Cariri-Xocó (Porto Real do Colégio), Gerimpacó (Pariconha), Karapotó (em São Sebastião), Tingüi-Boto (Feira Grande), Wassú-Cocal (Joaquim Gomes) e Xucuru-Cariri (Palmeira dos Índios). E há ainda mais três tribos em fase de reconhecimento antropológico: Kalancó (Água Branco), Karuazú (Pariconha) e Uipancá (Mata Grande). Este ano, a Funai de Alagoas já recebeu R$ 39,6 mil, divididos entre as tribos que gastaram o dinheiro em manutenção de equipamentos agrícolas e aquisição de combustível e as comunidades esperam a liberação de R$ 132 mil para aquisição de sementes de milho e feijão. José Heleno confirmou que as comunidades esperam as definições de Brasília para que possam buscar ajuda técnica, iniciar o combate à droga e desenvolver projetos alternativos para levar atividades de formação profissional e ocupacional aos adolescentes e adultos. O administrador substituto disse que questões como saúde e educação funcionam bem nas áreas indígenas. Na maioria das tribos, o Banco do Nordeste e outras instituições têm financiado programas como o Pronaf- programa nacional de agricultura familiar. ?A nossa idéia é levar programas de produção de alimentos agrícolas em todas as comunidades e pedir ajuda às autoridades para evitar que a droga continue chegando às comunidades?, disse Heleno.

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