Política
Viol�ncia no Estado atinge assessores de deputados
MARCOS RODRIGUES A violência que vem crescendo no interior do Estado e também na capital, não tem poupado nem assessores de parlamentares. Quando não são protagonistas, são vítimas. O último caso ocorrido envolveu o assessor do presidente da mesa diretora da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PL), José Manoel Pereira (o neguinho), morto a tiros numa emboscada. O crime aconteceu poucos dias após um outro assassinato que vitimou o ex-secretário de Obras do município de Canapi, José Elpídio Ferreira Costa. Ele também foi morto com vários disparos, no centro da cidade. O clima violento na região do Sertão fez o presidente da ALE divulgar nota exigindo a prisão dos assassinos e mais policiamento. Desde a morte de seus dois cabos eleitorais, Celso tem mantido contado com a cúpula da Secretaria de Defesa Social. Esclarecimento Outro parlamentar que já teve uma assessora assassinada é o deputado Francisco Tenório (PSB). Em 2001, Izailda da Silva, que também trabalhava na Associação dos Delegados do Estado, foi seqüestrada num ponto de ônibus e encontrada morta, quatro dias depois. O caso, até hoje, não foi esclarecido com detalhes. À época surgiram suspeitas sobre a esposa de um delegado, que teria encomendado o crime por ciúmes. Mas, até hoje, o esclarecimento definitivo ainda não aconteceu. O crime continua impune. Nem a presença do deputado Francisco Tenório no Conselho Estadual de Segurança influenciou para a solução do mistério. Como funcionária da Associação de Delegados, Izailda teve a chance de trabalhar com o atual secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino. Isso demonstra que nem a relação com pessoas influentes é garantia de nada. Assassinato Mas nem só como vítimas vivem os assessores. Às vezes, eles matam. Foi o que aconteceu com o ex-assessor do deputado Antônio Albuquerque (PTB), o soldado José Feitosa. No ano passado, ele matou a tiros, por motivo fútil, o usineiro Olival Tenório Neto. O caso chamou a atenção pela frieza do assassino, que estava no local do crime acompanhado de sua esposa e filho. Como a vítima foi alguém de influência, ele foi preso, em menos de cinco dias, e aguarda julgamento. O deputado para quem trabalhava não teve nenhuma influência em seu gesto irresponsável, pelo contrário, ficou com essa herança negativa e involuntária. Vítima O parlamento estadual é singular quando o assunto é violência. Lá existe o caso do deputado e radialista Alves Correia, eleito pelo PSB, e hoje no PTB. O deputado, que é conhecido por seu jeito bem-humorado, traz as marcas em seu próprio corpo de uma tentativa de assassinato. Ao todo, o deputado foi alvejado com sete tiros, a maioria na região do abdome. Hoje, Alves também é uma das vozes na ALE que se levantam contra a violência. Esse crime ainda não foi esclarecido. Segundo o próprio parlamentar, o processo que apura a tentativa de assassinato encontra-se desaparecido. O caso aconteceu, há dez anos, e, à época, foi apontado como autor intelectual, o ex-deputado Talvane Albuquerque.