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Modelo socioeconômico é perverso e deve ser rompido

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Desde sua separação de Pernambuco Alagoas evoluiu muito. A população cresceu. Sua gente urbanizou-se. Uma razoável infra-estrutura foi construída ao longo dos anos. Mas o Estado ainda não conseguiu romper com o modelo socioeconômico anterior à sua Emancipação, conforme afirma Cícero Péricles de Carvalho, doutor em Economia pela Universidade de Córdoba (Espanha) e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). No seu entendimento, o modelo econômico e social da formação alagoana deixou uma alta fatura a pagar: um frágil processo de industrialização, uma urbanização gerada não pela atração das oportunidades nas pequenas e médias cidades, mais pela inviabilização da vida do homem do campo. Com indicadores de desenvolvimento humano comparáveis às regiões mais subdesenvolvidas do planeta e um atraso político aberrante, Alagoas ficou gravada no imaginário nacional como o Estado de todos os problemas. Todas as análises na área econômica demonstram que o seu reduzido parque industrial e a sua agricultura, apesar do desempenho bom ou regular de setores tradicionais como o açúcar e a pecuária, se ressentem pela ausência de pólos dinâmicos e falta de perspectivas de novos investimentos. O setor de serviços, ainda que apresente alguns pontos de crescimento, principalmente na Capital, não consegue absorver toda a carga de problemas acumulados no Estado. A economia não vai bem. No plano econômico Prosseguindo, o economista mostra que, no plano econômico, depois de quase dois séculos de independência, temos um enorme déficit, resultado da pesada herança colonial que, por não ter sido enfrentado adequadamente, continua estampado nos índices negativos de qualidade de vida da população. E como conseqüência, Alagoas situa-se lá embaixo na lista de todos os indicadores brasileiros - e nordestinos - na educação, saúde, habitação, segurança etc. Uma situação que espelha os problemas da sociedade regional mais hierarquizada e de riqueza mais concentrada de todo o País. Para Cícero Péricles, numa região pobre e periférica como Ala-goas, o setor público, por sua capacidade de interferir diretamente nas questões sociais e induzir na solução dos problemas econômicos, continua sendo o principal instrumento para a execução de uma estratégia modernizadora. Mas a máquina estadual está paralisada. A crise fiscal dos anos 90 originou uma crise financeira que, até hoje, imobiliza um setor público caracterizado por suas inúmeras deformações. O somatório destas três dificuldades estruturais e conjunturais empurra Alagoas para uma situação especial: a de problema regional dentro da socioeconomia brasileira e um problema político-administrativo para o governo federal . Para sair do atraso Péricles explica que, por essas características diferenciais em relação aos demais Estados brasileiros, pelas dificuldades financeiras extraordinárias e por sua situação social extremada, Alagoas não consegue, de forma autônoma, romper as amarras do subdesenvolvimento, desatar seu nó financeiro, criar uma economia dinâmica e colocar-se no mesmo padrão de qualidade de vida da média nacional. Dada esta especificidade - a de ser um Estado com um drama social explosivo, uma situação financeira insustentável e com poucas perspectivas econômicas - chega ao 185o aniversário de Emancipação exigindo um tratamento diferenciado em relação aos demais Estados brasileiros. Herdeira dessas dificuldades, Alagoas caminha aceleradamente, em pleno século XXI, para transformar-se numa sociedade ainda mais urbanizada, demandando serviços, emprego e renda. Uma sociedade polarizada, com o maior nível de concentração de riquezas do Brasil. Setenta por cento da sua força de trabalho atua no mercado informal, recebe menos de um salário mínimo e não tem as garantias da seguridade social. No enfrentamento desse drama reside o centro de qualquer estratégia de desenvolvimento. Segundo ainda ele, para se transformar numa sociedade moderna e participar de forma competitiva na economia brasileira, Alagoas terá que resolver seus gargalos sociais e criar, como todas as sociedades dinâmicas, seu mercado interno. A pauta é a mesma do Brasil: a inserção competitiva do País na economia mundial exige desenvolvimento social de toda sua população. Ela demanda este mesmo processo para se inserir na economia nacional. E, para isto, precisa de um novo modelo de desenvolvimento que seja socialmente justo, ecologicamente equilibrado, partilhado pela sociedade civil, tanto pela representação empresarial como dos trabalhadores e impul-sionado pelo Estado, conseguindo, por este caminho, romper, para sempre, com a pesada herança do fardo colonial.

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