Política
Paim provoca novas diverg�ncias no PT
Brasília - O senador Paulo Paim (PT-RS), vice-presidente do Senado, protagoniza novas demonstrações de divergência pública entre as lideranças do partido e as propostas do governo. Paim adiantou ontem que não votará a favor, por exemplo, da contribuição previdenciária dos inativos nos moldes propostos pelo governo - cobrança de 11% dos aposentados que recebem mais do que R$ 1.058, mesmo que o partido decida oficialmente votar a favor da questão. ?Essa é uma matéria que nos deixa em posição, no mínimo, constrangedora?, afirmou Paim. ?Não me peça para votar a contribuição dos inativos nesses moldes?, disse, ao argumentar que esse tema é uma questão de princípios. Se não houver mudanças na tributação dos inativos, o senador disse que, ?pela primeira vez em 17 anos?, não acompanhará a decisão do partido. ?Tudo tem um limite?, disse. No início da tarde de ontem, o senador disse que a proposta da reforma da Previdência só deve ser votada em 2004. A posição de Paim contraria a tese do presidente Lula que disse que, se as reformas não forem votadas no Congresso este ano, dificilmente serão votadas no próximo ano, por causa das eleições municipais de 2004. Reação Em resposta praticamente imediata, o líder do PT no Senado, Tião Viana (AC), afirmou que cobrará de Paim a disciplina partidária, que consiste em votar a favor das decisões fechadas pelo partido. ?A unidade de ação é um pré-requisito, que é a nossa cara e a nossa história?, afirmou. ?O partido é democrático, tem uma linha ética e um estatuto e deve tratar com a maior clareza e grandeza aqueles que ajudaram a construi-lo. Agora, querer aceitar com naturalidade, de maneira complacente que alguém venha tentar desmoralizar a história desse partido, isso nós não vamos aceitar.? Ainda em rebate a Paim, Viana disse, sem citar nomes, mas referindo-se ao senador gaúcho, que ?há pessoas atraídas pelos holofotes que deveriam discutir as divergências internamente?. O líder petista declarou ter ouvido de Paim que as opiniões destoantes dentro do partido seriam debatidas internamente. ?Há dez dias ele [Paim] disse que só trataria desse assunto dentro das reuniões da bancada. Infelizmente ele não vai a nenhuma reunião da bancada há dois meses?, afirmou.