Política
Restos mortais de revolucion�rio s�o sepultados em Macei�
Em casa. É onde estão, desde ontem, os restos mortais do revolucionário alagoano Manoel Lisboa, morto pela ditadura, em 1973, em São Paulo. Ele havia sido enterrado como indigente no cemitério do Campo Grande, na capital paulista. Agora, com a ajuda da família, finalmente foi sepultado dignamente no cemitério Parque das Flores. Ontem, durante todo o dia, foram feitas homenagens aos restos mortais que foram trazidos do Recife, após deixar São Paulo. Em frente da faculdade de Medicina, de onde foi expulso por força do AI-5, a urna contendo seus restos foi velada por revolucionários do passado e jovens militantes do partido que criou antes de ser preso: o Partido Comunista Revolucionário (PCR). A solenidade atraiu centenas de pessoas, ao longo de todo o dia. A militante comunista Maria Yvone Loureiro disse, emocionada, que ?Alagoas recuperava o seu passado histórico de lutas?. O vice-governador Luiz Abílio (PSB), que também é presidente da Fundação Manoel Lisboa, destacou a importância das conquistas democráticas obtidas pelos revolucionários. ?As nossas conquistas democráticas encontram força na luta de pessoas como Manoel?, afirmou Abílio. Já o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, preferiu reconhecer o esforço e a vitória da família de Lisboa que nunca desistiu e conseguiu trazê-lo de volta para casa. ?Isto é de um simbolismo incrível, principalmente porque ainda existem 156 pessoas que continuam desaparecidas no Brasil, fruto da ação da ditadura militar?, explicou o secretário. Nilmário disse, ainda, que seu trabalho consistirá em dar apoio às famílias de desaparecidos. (MR)