Política
Fome Zero luta contra a corrup��o antes de ser instalado
MARCOS RODRIGUES O maior programa de assistência do governo federal, o Fome Zero, luta contra a ação de políticos que agem por intermédio de cabos eleitorais. Eles têm se apresentado na periferia da capital e no Interior como responsáveis pelo programa e cadastram centenas de famintos. O problema vem sendo denunciado, semanalmente, na Câmara de Vereadores e nos vários programas radiofônicos matinais de prestação de serviço. Na última segunda-feira, o próprio ministro Extraordinário da Segurança Alimentar e de Combate à Fome, José Grazziano, veio lançar o Fome Zero no Estado. Indagado sobre como o governo combaterá a ação de políticos que vêm desvirtuando o projeto com interesses pessoais, ele disse que isso só é possível com a ajuda da população. ?Só a sociedade organizada e os cidadãos, de uma maneira geral, podem nos ajudar a afastar as pessoas que têm outros interesses, além do combate à fome?, explicou o ministro, sugerindo que denúncias podem ser feitas pelo número 0800-7072003 ou pelo site www.fomezero.org.br. Para ele, a participação da sociedade, por meio dos conselhos gestores, será capaz de dar seriedade ao desenvolvimento do programa. Mas o próprio Grazziano admitiu que, nesta fase inicial, em que acontecerão os cadastramentos das famílias, podem haver falhas. ?Existe, sim, a possibilidade de alguém tentar burlar o programa, pelo menos em seu início?, explicou o ministro. Ele fez questão de destacar que, agora, em sua fase emergencial, o Fome Zero só cuidará de alimentação, mas em seu desenvolvimento existem outras ações. ?A necessidade da distribuição de um cartão-alimentação é para a fase considerada emergencial, principalmente porque os estudos mostram que a seca que atingirá o Nordeste, este ano, será uma das maiores?, lembrou o ministro. Segundo o projeto completo do programa, estão previstas ações de combate ao analfabetismo, à mortalidade infantil, além de incentivo ao desenvolvimento de projetos de auto-sustentação e construção de cisternas. Coordenação A coordenação do programa no Estado é da médica e secretária-executiva de Saúde e Bem-estar Social, Genilda Leão. Segundo ela, o governo está acompanhando todos os passos do programa. ?Estamos acompanhado o desenvolvimento do programa, além de incentivando a formação dos conselhos gestores nos municípios?, adiantou a secretária. Genilda disse, ainda, que em todos o 17 municípios incluídos nesta fase do programa, 8.000 famílias já se encontram cadastradas. ?Mas caberá à comissão, se assim avaliar, incluir ou retirar famílias que não se enquadrem no programa?. Ela explicou, também, que em cada cidade que passará a receber o Cartão-Alimentação, ainda este mês, foram capacitadas pessoas da própria comunidade para dar seqüência aos trabalhos. O Cartão-Alimentação vale R$ 50,00 e terá validade por seis meses, prazo em que o governo espera já estar iniciando a segunda etapa do programa. ?Temos a certeza de que somos capazes de acabar com a fome neste País, que tem vocação agrícola e terras férteis. Estamos dando o primeiro passo?, finalizou o ministro José Grazziano.