Política
Lessa fez pesquisa sobre perman�ncia de Beira-Mar
MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa (PSB) realizou uma pesquisa de opinião durante a permanência do narcotraficante, Luiz Fernando da Costa, o Beira-Mar, para saber o que os alagoanos pensavam sobre sua estada de 40 dias em Maceió. Segundo números fornecidos pelo próprio governador, 84% da população foi contra a vinda e a permanência do bandido carioca no Estado. A revelação de que fora encomendada uma pesquisa de opinião foi revelada pelo próprio governador durante entrevista coletiva, na segunda (5), meia hora após o embarque de Beira-Mar para Brasília. Conforme assessores especiais do governador, a consulta já estava prevista, com outra finalidade. Mas diante da presença e da repercussão da vinda de Fernandinho foi acrescentada ao questionário uma pergunta sobre ele. ?Nós sabíamos que era uma medida polêmica aceitá-lo no Estado. A população revelou isso na pesquisa que encomendamos. A cada dia me preocupava com o que pudesse acontecer?, revelou o governador. A preocupação do governo era, principalmente, com a repercussão negativa. Os números mostrados na consulta indicaram que o governo corria sério risco de perda de apoio popular. Politicamente essa seria a maior derrota que Lessa poderia sofrer no início de seu segundo mandato. Além disso o contexto da vinda do traficante aconteceu num momento em que os números da violência urbana, os assaltos e ação de traficantes no morro do Ari ficaram mais ousadas. Eles chegaram a determinar a saída das crianças atendidas pelo projeto Catarse, no bairro de Cruz das Almas, que foram levadas para o interior do Estado. A situação só foi normalizada quando a PM deslocou uma viatura com quatro homens para vigiarem 24 horas o prédio ameaçado de destruição pelos traficantes. Responsabilidade Mas se de um lado o governo temia pela repercussão política da presença do narcotraficante, coube à Polícia Federal a maior responsabilidade por sua estada. Por isso 60 policiais integravam a equipe de vigilância permanente. A maioria dos homens era de outros Estados. Ainda assim o Estado, através da Polícia Militar e Civil, cedeu seus melhores homens para operacionalizarem a segurança entorno do prédio da PF. Todos os dias homens do Batalhão de Operações Especiais e do grupamento Tigre da Polícia Civil mantinham uma das pistas isoladas e abordavam veículos considerados suspeitos. A segurança foi integrada. Segundo o próprio superintendente da PF, em Alagoas, José Paulo Rubim Rodrigues, foi essa certeza que o fez autorizar a ida de Fernandinho ao dentista horas antes de sua transferência. ?Todos trabalharam integrados e isso ajudou a garantir o êxito de toda a operação?, disse.