Política
PT decide amanh� o futuro de Helo�sa Helena
ARNALDO FERREIRA Nesta segunda-feira, a executiva nacional do Partido dos Trabalhadores decide se a senadora Heloísa Helena fica ou não no Partido. A senadora não pretende ceder nenhum milímetro de suas posições e muito menos deixar o PT num ?divórcio amigável? como sugerem os caciques da executiva nacional. A maioria dos aliados da senadora sabe que a decisão do partido é importante para o seu futuro político. Nas alas mais à esquerda do PT há quem acredite que a senadora deverá receber uma pena branda, já que o seu discurso tem sido sempre a favor dos servidores públicos, contra a tributação dos aposentados e de um salário mínimo que represente os ganhos reais como chegou a ser prometido durante a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O futuro da senadora dentro do PT é acompanhado pela maioria dos partidos de esquerda. Como ela tem manifestado o interesse em ser candidata à prefeita de Maceió, o seu futuro tem de ser resolvido antes de outubro. ?Não tenho a menor intenção de deixar o PT. Também não será fácil a executiva nacional me tirar do partido, tenho sido coerente com o discurso do PT?, diz a senadora em suas conversas de bastidores em Maceió e Brasília. A ala mais conservadora do partido, que é exatamente a tendência ?Articulação Unidade na Luta?: a mesmo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do partido, José Genuíno, e do presidente PT alagoano, deputado Paulo Fernando dos Santos - Paulão; acha que a senadora ao fazer críticas às estratégias das reformas da Previdência e Tributária do presidente da República passou dos limites. Eles querem Heloísa fora do PT ou que ela se enquadre à nova realidade política do partido que agora é o governo. Heloísa passou a última semana em silêncio. Evitou contato com os jornalistas e não atendeu telefonemas. Já os outros radicais petistas: Luciana Genro (RS), João Batista Babá (PA) e Lidemberg Farias (RJ) foram punidos com penas leves: perderam cargos que tinham em comissões permanentes no Congresso Nacional e foram obrigados a seguir as orientações das lideranças. Candidatura O PT alagoano tem quatro pré-candidatos a prefeito de Maceió: Paulão, o vereador Judson Cabral, que é da mesma tendência do deputado Paulão, o cardiologista Aliomar Lins (da tendência PT de Cara Própria) e a senadora Heloísa Helena (Democracia Socialista). Os três candidatos, por motivos óbvios, acompanham discretamente a movimentação da executiva nacional. A senadora é líder das pesquisas de bastidores. Se deixar o PT e se quiser manter a sua candidatura terá de buscar outra legenda e é exatamente aí que mora o problema. A maioria dos partidos de esquerda está alojado no governo Ronaldo Lessa (PSB). Por ser adversária ferrenha de Lessa, a senadora fica sem opção. A alternativa mais viável seria aceitar o convite explícito do PSTU, o que segundo os petistas seria o suicídio político para a senadora. O deputado federal Lindemberg Farias ao sair do PCdoB entrou no PSTU carioca e praticamente se apagou. Seu ressurgimento político se deu exatamente no PT. Por isso, também não quer sair. A última alternativa seria a criação de um partido novo. Mas, a burocracia da legislação eleitoral impede que haja tempo suficiente de ser criado um partido e garantir condições favoráveis para Heloísa sustentar a candidatura. De qualquer forma, a presidente do diretório municipal do partido, Claudia Amaral, apesar de concordar com as críticas que a senadora faz contra o presidente Lula, através da imprensa, diz que torce para que ela (Heloísa) continue no PT. ?Eu também discordo da tributação dos aposentados. Porém, entendo que este tipo de discussão se dá dentro do partido e não na imprensa?. No dia 14, quarta-feira, todos os petistas alagoanos se reúnem para discutir as questões internas (leia- se Heloísa dentro ou fora do PT) e as outras pendências. No dia 17, os militantes voltam a se encontrar para fazer avaliações dos governos federal, estadual, montar estratégias para os diretórios municipais e discutir estratégias de alianças. O PT quer fazer alianças com partidos de esquerda. Tendências Claudia Amaral observou que as pré-candidaturas a prefeito de Maceió do seu partido passa por uma fase de amadurecimento, de discussão interna. Além disso, o partido começou a discutir na base com as comunidades para montar um programa. ?Após a discussão e a montagem do programa o próximo passo é realizar as pré- convenções previstas para acontecer entre novembro ou dezembro. Até lá vamos ter muitos debates internos?. Confirmou que o diretório municipal vive um clima de expectativa, exatamente por causa da situação da senadora Heloísa Helena. ?A senadora é uma candidata forte por isso vários setores do partido acompanham com muita expectativa a situação dela?. O presidente do partido, deputado Paulão, sempre que provocado evita falar sobre a senadora. ?A questão dela está ligada à executiva nacional?, esquiva-se o parlamentar. Já o vereador Judson Cabral, que é da mesma tendência do deputado Paulão ? Articulação, unidade na Luta- também prefere não discutir os problemas da senadora com a direção nacional. Sobre o enfrentamento com o seu colega de tendência assegurou que: ?A Articulação Unidade na Luta deverá realizar a sua prévia para indicar a pré- candidatura que vai disputar os votos dos convencionais para ser o candidato a prefeito de Maceió. Uma coisa é certa, nossa tendência não sairá dividida?, assegurou. Heloísa continua contando com o apoio, moderado, de sua tendência em Maceió - Democracia Socialista. Porém, o líder da D.S., vereador Tomaz Beltrão, em discurso no plenário da Câmara dos vereadores fez questão de afirmar que ?sou um militante de partido e sei me render à decisão da maioria?. Para os militantes petistas, o discurso de Beltrão, que é ligado a Heloísa Helena, deixa claro que ele não aprova as críticas que a senadora faz contra o presidente através da mídia. Beltrão, no entanto, diz que a senadora é um dos nomes fortes do partido e que tem condições de disputar e vencer as eleições municipais. ?Mas, o fato de ser ou não candidato só depende da senadora?. Heloísa está tão convicta de que permanecerá no partido e avisa. ?As pesquisas me mantêm com franca vantagem. Isto me obriga a disputar as prévias do Partido dos Trabalhadores?. Como não tem encontrado apoio dos companheiros de Maceió, quando está em Alagoas, Heloísa continua firme com os contatos com as bases nos bairros periféricos e lideranças no interior. Enquanto não se define a sua situação política dentro do PT, tem feito críticas moderadas à administração municipal.