Política
T�o: Obras do Canal do Sert�o e amplia��o do aeroporto pararam
ARNALDO FERREIRA As obras consideradas como vitais para a economia de Alagoas, dentre elas o Canal do Sertão, que vai minimizar a crise do abastecimento de água no Sertão e Agreste, a ampliação e modernização do aeroporto de Maceió, o financiamento das obras de saneamento básico nos municípios dos vales do Paraíba e Mundaú e as obras de revitalização do Rio São Francisco, pararam. A revelação é do presidente do PSDB alagoano, senador Teotonio Vilela, que prometeu cobrar, esta semana, do ministro da Casa Civil, José Dirceu, a liberação dos recursos para a continuação das obras estruturantes. Nesta entrevista exclusiva à GAZETA DE ALAGOAS, concedida na última sexta-feira, o senador revelou, ainda, que o Partido dos Trabalhadores jogou o seu discurso no ?lixo? e hoje copia ?mal? os modelos econômico e administrativo do presidente Fernando Henrique Cardoso. Teotonio sustentou que seu partido fará oposição democrática e responsável ao presidente Lula. ?Não vamos fazer como o PT fazia quando dizia: ?Fora FHC!?. O líder dos tucanos alagoanos reconheceu que, diante das reformas da Previdência e Tributária, a bancada alagoana tem pensamentos diferentes. E novamente voltou a acusar o PT de ter atrapalhado a reforma da Previdência, há seis anos, quando FHC tentou aprová-la no Congresso Nacional. ### - Afinal de contas o PSDB agora é governo ou oposição? - Você está brincando... Claro que o PSDB é oposição. - Oposição a quem? - Somos oposição ao governo eleito, no último pleito, para governar o Brasil. O PSDB tem um programa de governo, exercitou o seu ideário ao longo da gestão do presidente Fernando Henrique e tinha uma proposta para avançar com o nosso candidato, senador José Serra (PSDB/SP). Nós perdemos a eleição. A democracia reserva para a oposição um papel da maior importância que é o de fiscalizar, de propor, reivindicar e ser guardião da sociedade, diante das promessas feitas pelo governo eleito. É isso que vamos fazer com muita responsabilidade, sempre colocando o Brasil em primeiro lugar. Nada daquelas bravatas, como o próprio presidente Lula reconheceu, que o PT fazia como uma linha mestra de ação. - Que tipo de oposição vocês farão? - Nunca vamos dizer: ?Fora Lula!?, como o PT fazia com o ?Fora FHC!?. - Como vocês avaliam os quatro primeiros meses do governo Lula? - Na campanha se dizia uma coisa e na prática é outra. Acho que o governo Lula surpreende em duas vertentes: Numa há a disposição, maturidade, humildade e até em assumindo a responsabilidade de presidente da República. Lula revê conceitos, discursos, o que o destacaram durante 20 anos como comandante do PT. - A outra vertente qual é? - É a outra face desta postura e de um partido que, durante 20 anos, pregou uma proposta para o País. Ao assumir o governo, praticamente descarta o seu programa, as suas propostas e adota, na sua integridade, de uma forma, inclusive, mais ortodoxa, a proposta de um governo que o PT espezinhava. - O senhor se refere a que ponto? - À economia. - O senhor está dizendo que Lula copia o governo FHC? - Na área da economia totalmente. Integralmente. Agora, copia mal em alguns sentidos. - Por que? - O modelo econômico do presidente Fernando Henrique, ao ser adotado pelo PT, impôs um custo ao Brasil que eu chamo de ?custo PT?. - Como é isso? - O atual governo precisa demonstrar para os mercados internacionais, para o Fundo Monetário Internacional, que o PT mudou, que jogou aquele discurso, aquelas idéias, no lixo. - Onde está o reflexo disso? - No aumento do salário mínimo que, comparado com a cesta básica, hoje representa um déficit de 12%. Os aumentos que o presidente Fernando Henrique deu - e olha que eram extremamente criticados pelo PT -, alcançaram uma média de cinco por cento acima do valor da cesta básica e o do PT é 12% a menos. - Em que mais implica o custo PT? - Em superávit primário, que a negociação com o FMI estabeleceu em 3,7%; o governo espontaneamente, se impôs de 4,5%, retirando recursos da área social, da saúde, da educação, que era justamente para mostrar ao FMI a sua grande boa vontade. Veja também, o aumento salarial do funcionário público que eles (petistas), na campanha, prometeram que iriam resgatar a defasagem e foi dado um aumento de um por cento. Os juros, que eles tanto criticavam, na época de Fernando Henrique, hoje, são praticados acima dos que foram utilizados naquela época. Então, todo o custo PT tem sido um componente muito oneroso, sobretudo para a população brasileira. - Então como se explicar a caída constante do dólar? - O dólar está baixando, o custo Brasil está baixando, a inflação também... Tudo isso porque havia um temor na comunidade internacional, de que o Lula no governo iria praticar o que o PT discursou, ao longo dos anos. Agora que a comunidade internacional percebeu que o Lula adotou a política de Fernando Henrique, a credibilidade voltou. Estamos voltando aos patamares de estabilidade que tínhamos, seis meses antes da eleição. A economia degringolou quando as pesquisas de opinião pública mostravam que Lula tinha uma grande chance de ganhar a eleição e praticar aquele discurso de antes. - E as reformas que acabam de chagar no Congresso Nacional, se chegassem, há 12 meses, o presidente Fernando Henrique também iria defender a tributação dos aposentados na reforma da Previdência, por exemplo? - Nós queríamos fazer as reformas, logo no início do governo, Fernando Henrique. Tentamos. A reforma da Previdência que o PT agora coloca como inadiável, urgente e absolutamente necessária, tentamos aprovar por três vezes. O PT dizia que era impossível porque a reforma iria penalizar os aposentados. - Mas, a reforma daquele tempo também previa a criação de um teto, a tributação... - A reforma que está aí, não é muito diferente da que foi apresentada, antes, pelo presidente Fernando Henrique. A nossa tinha outros desdobramentos que iremos aprofundar, agora, no Congresso Nacional. O importante destacar é que se o PT tivesse nos ajudado a votar essa reforma, há seis anos, quando nós apresentamos a proposta ao Congresso, hoje, o salário mínimo poderia ser bem maior. - Por que? - Porque não haveria este rombo na Previdência, que é o que impede o aumento do salário mínimo, e os brasileiros estariam numa situação melhor. - As reformas são imperativas como o PT diz? - Sim, as reformas são necessárias. Agora, precisam ser reformas para valer. - O nó na reforma da Previdência é com relação à tributação das aposentadorias. Qual será a posição do PSDB? - O partido está estudando uma forma para não penalizar os inativos. - Sobre a reforma tributária, qual a posição dos tucanos? - É inadmissível que um parlamentar da bancada nordestina, sobretudo de Alagoas, vote na reforma da maneira como está a proposta de cobrar o ICMS no Estado produtor. Isto é uma sentença para que se aumentem as desigualdades regionais, porque se retira das compensações que os estados têm para as exportações e, ao mesmo tempo, ao federalizar o ICMS, nos retira qualquer mecanismo de defesa fiscal. A reforma tributária mostra uma ânsia de arrecadação. Não vejo preocupação social e nem com as desigualdades regionais. - O senhor vai acompanhar a orientação do governador Ronaldo Lessa (PSB)? - O governador Ronaldo Lessa é meu aliado em Alagoas. Sei que em nível federal o governador votou no presidente Lula e eu votei no Serra. Sempre deixamos muito claro, para a população alagoana, que pensamos diferentes e, pelo que sei, Ronaldo Lessa concorda que a proposta de reforma tributária é cruel e perversa para os pequenos estados. Ele, inclusive, tentou evitar que o texto fosse para o Congresso do jeito que foi. - Uma coisa que chama atenção é que a bancada federal, hoje, tem pensamentos e interesses diferentes. A própria bancada não tem, ainda, um coordenador. Isto vai ser assim até o final da votação das reformas? - Em questão política não é importante que a bancada pense igual. Acho até que a diversidade de idéias contribui para que o Estado avance. Vejo que temos de nos unir na defesa dos projetos para Alagoas. Temos de nos unir e acho importante que o governador assuma o comando. Aí faço questão de ser um soldado da causa de cobrar do governo do PT a continuação das obras do Canal do Sertão, que estão paralisadas; que continue, também, as obras de ampliação do aeroporto, que estão quase paralisadas; as obras de restauração das lagoas, igualmente paralisadas; que continue os projetos de saneamento dos municípios dos vales do Mundaú e Paraíba, que são fundamentais para a revitalização da lagoa Mundaú; e, ainda, que continue a revitalização do Rio São Francisco, que também parou. Enfim, a continuação dessas obras estruturantes exige a união, o trabalho, a força,a cobrança da bancada. Embora, sendo da oposição, a partir desta semana, irei procurar o ministro da Casa Civil, José Dirceu, para fazer essas cobranças que são fundamentais para o futuro de Alagoas.