Política
Lessa diz aos militares que n�o atender� �s reivindica��es
MARCOS RODRIGUES O governador Ronaldo Lessa (PSB) se reuniu, ontem, no fim da tarde, com representantes de todos os segmentos internos da Polícia Militar de Alagoas que querem reajuste dos soldos, sob pena de aderirem a um aquartelamento. No encontro, o governador antecipou que não conseguirá atender às reivindicações da categoria, mas estudará uma forma de garantir um aumento real dos vencimentos, que deverá ser anunciada no próximo dia 27. Nesta data, o governador anunciará, em forma de pacote, reajustes para os policiais civis, servidores da Educação, professores e servidores do Departamento de Trânsito (Detran). A reunião contou com a presença do secretário de Administração, Valter Oliveira, que fez uma apresentação do que representarão, para o Estado, os reajustes propostos pelas categorias. Segundo Valter, o fundamental é garantir que o impacto da folha não se choque com o que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele apresentou dados sobre o impacto na folha do reajuste proposto por outras categorias. Somente os trabalhadores da Educação, por exemplo, representam um reajuste de R$ 6 milhões. Transparência Para o governador, a proposta de uma reunião com todos os segmentos da PM e o secretário seria a forma mais democrática de discutir o assunto. Esse fato foi reconhecido pelo presidente da Associação dos Cabos e Soldados, o soldado Wagner Simas. Segundo ele, isso não acontecia antigamente. ?Foi positivo o encontro, mas o governo não falou claramente em percentuais, falou em ganho real para a categoria?, disse. Maioria Simas representa o maior segmento dentro da PM. São cerca de 6.500 cabos e soldados espalhados por todo o Estado. Eles são os mais penalizados pelo achatamento salarial dos últimos anos, provocado pela inflação acumulada do governo de Fernando Henrique Cardoso. Segundo Simas, hoje, um policial na academia recebe, inicialmente, R$ 310,00. Depois de formado, o soldado soma a esse valor soldo e gratificações que podem chegar a R$ 600. Pela proposta da categoria, apresentada ao governo, os policiais pedem um reajuste real de 38%, além da equiparação salarial com os policiais civis, o que representaria R$ 1.200. De acordo com Wagner Simas, os policiais vão aguardar a proposta que será anunciada pelo governo. Em seguida, as medidas serão avaliadas pela categoria, em assembléia. Uma das possibilidades que o governo pode assumir em relação aos militares é quanto à transformação das gratificações e diárias em subsídios adicionados aos salários. Isso evitaria que durante um período de afastamento o militar perdesse os adicionais em seu salário final. Essa medida ainda não é definitiva, mas agrada a setores dos oficiais. Por outro lado, pode encontrar resistências nos segmentos de menor patente. Os estudos de impacto na folha já foram iniciados, segundo o secretário. Somente com sua conclusão é que o Estado poderá definir sua política de reajuste. Até a próxima semana, militares e civis aguardam a posição do governo, mas correm nos bastidores informações de que existem articulações para mobilização conjunta das categorias.