Política
Parlamentares surpreendem e acham sala de castigo no CRM
ARNALDO FERREIRA A Comissão Permanente de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, ontem, fez a sua primeira visita surpresa ao Centro de Ressocialização de Menores - CRM, e encontrou 38 adolescentes desocupados, servidores que ganham R$ 250,00 sem contrachaque e contrato oficial de trabalho, salas de castigo e o pior: no horário do expediente não havia nenhum diretor ou técnico responsável pela instituição. Os deputados da comissão, que participaram da visita surpresa, Maria José Vianna (PSB), Adalberto Cavalcante (Prona) e o presidente da comissão, Paulo Fernando dos Santos - Paulão (PT), ficaram impressionados com os relatos dos adolescentes que encontram no local. Os jovens infratores reclamaram de maus-tratos e não esconderam que se dividem em galeras que trocaram ameaças de morte. ?A situação é de sucateamento. Os adolescentes passam o dia inteiro sem uma atividade ocupacional e ainda são punidos em salas de castigos, onde tem muita sujeira, um lugar sem dignidade humana?, constatou a deputada e ex-secretária estadual de Educação, Maria José Vianna. A visita começou, por volta das 9 horas, e se prolongou até as 14 horas. O deputado Adalberto Cavalcante ouviu os monitores e constatou que a maioria não tem cursos e nem qualificação para lidar com adolescentes infratores. A maior parte se queixou do baixo salário. E os depoimentos dos adolescentes confirmaram que o CRM está longe de cumprir o seu papel institucional. Nada funciona O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Paulão, fez um pronunciamento duro, na tarde de ontem, no plenário da Assembléia Legislativa. Ele mostrou um quadro dramático, também, no Centro Humberto Mendes, que funciona por trás do CRM, e deveria estar com oficinas de carpintaria, serralharia, serigrafia, padaria e escolas funcionando para atender meninos e meninas abandonadas. ?Nada funciona no CRM, as oficinas do Complexo Humberto Mendes estão paradas. O CRM é o patinho feio do sistema prisional e o Baldomero Cavalcanti é a vedete. O Poder Legislativo precisa fazer alguma coisa para reverter a situação?, sugeriu o parlamentar. Outro deputado governista e que já foi secretário de Assistência Social, Marcos Ferreira (PSB), ao ouvir os relatos da Comissão Parlamentar de Direitos Humanos, elogiou a iniciativa da comissão e defendeu que as oficinas do Complexo Humberto Mendes precisam voltar a funcionar urgentemente e o CRM tem de cumprir o seu papel de centro de ressocialização de menores. Para isto, a primeira iniciativa da Comissão de Direitos Humanos será se reunir, na próxima terça- feira, com o objetivo de definir a data de uma sessão pública com a participação do secretário celular da Justiça, coronel Ronaldo dos Santos, dos diretores do CRM e do Complexo Humberto Mendes e das autoridades do Juizado da Infância e da Adolescência. Esta sessão pública do Poder Legislativo poderá ser o primeiro passo concreto para se definir políticas modernas de ressocialização de menores infratores e que hoje o Estado não dispõe, observam os deputados Paulão e Maria José Vianna.