Política
Sem-terra: Lessa pede audiência a Lula
Odilon Rios O governador Ronaldo Lessa (PDT) enviou ontem ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo uma audiência para falar sobre o clima de tensão social entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Alagoas. O gabinete da Presidência da República confirmou o recebimento do ofício, mas não adiantou a data da audiência, prevista para ocorrer no Palácio do Planalto. O governo alagoano optou por não discutir a saída do superintendente do Incra, Gino César Menezes, como exige o MST, mas quer debater uma saída para o impasse, que já dura 32 dias. O Gino é problema federal, mas estamos preocupados com a situação, por isso pedi audiência ao presidente, disse Lessa depois de uma reunião com o secretariado estadual. Ontem, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) suspendeu o atendimento por causa da presença dos sem-terra na Praça Sinimbu, onde está situado o órgão. (ver matéria na página 5). O impasse existente entre o MST e o Incra alagoano promete piorar, já que o Incra nacional e o Ministério do Desenvolvimento Agrário não negociam a saída de Gino César, uma exigência dos sem-terra. O MST está acampado na Praça Sinimbu e ocupando a sede do Incra desde que os militantes chegaram a Maceió. Dois representantes do Incra nacional estiveram em Alagoas, mas não avançaram nas negociações. O governo estadual criou uma comissão, composta por membros do Conselho Estadual de Justiça e Segurança Pública para negociar com o MST, mas foi conseguida apenas a desobstrução das ruas de acesso à Sinimbu. O MST acusa Gino César de privilegiar outros movimentos sociais no Estado, como o Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) e o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL). O superintendente do Incra nega as acusações. Jantar Mas, nos corredores do Palácio Floriano Peixoto, o assunto não se resume somente ao MST. Esta semana está programado um jantar entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) e o governador alagoano. No menu, o quadro eleitoral em 2006. A proposta é saber qual será a posição do senador: se ele irá concorrer ao governo ou tentar a reeleição para seu atual cargo. ### Governador só vai trabalhar um horário Um dia depois de assumir o governo estadual, o governador Ronaldo Lessa (PDT) fez uma reunião com todos os secretários dos primeiro e segundo escalões. Segundo Lessa, a reunião já estava prevista desde o começo do ano, mas acabou sendo suspensa por causa da doença, que o obrigou a se afastar por mais de 30 dias do Estado. Todo início de ano faço esse tipo de reunião. Fiquei adiando e, em fevereiro, adoeci, disse. Na reunião, o governador adiantou que até maio só vai trabalhar um horário no Palácio Floriano Peixoto, por recomendação médica. No outro horário vai descansar. Conversa A conversa com o secretariado foi tranqüila, bem diferente do estilo Lessa de puxar as orelhas de sua equipe, como costuma ocorrer em encontros fechados à imprensa. Se estivermos fazendo algo errado, vamos mudar, disse, mesclando o discurso com dados sobre os avanços alcançados pelo Estado e com as orientações médicas recebidas. Lessa fez duas cirurgias para retirada de um abcesso no septo nasal. A primeira foi realizada em 22 de fevereiro em Alagoas; a segunda, em 7 de março, em São Paulo. Segundo ele, um pêlo no nariz acabou inflamando e piorou por causa de seu estilo de vida desregrado. Lessa recebeu alta hospitalar no dia 14 e desde então descansou em Campos do Jordão (SP) e no Rio de Janeiro, retornando a Alagoas no último domingo. Ontem, o governador ainda falava com dificuldade, economizando nas palavras, para não fazer esforço excessivo. OR ### Articulações no PDT continuam paradas O PDT alagoano ainda não tem data marcada para realizar a tão esperada festa de filiação de novos membros. A comemoração vem sendo adiada desde janeiro por causa do problema de saúde apresentado pelo governador, que ingressou no partido em fevereiro com o secretário-executivo de Educação, Maurício Quintella, e o deputado federal Jurandir Bóia. Segundo o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, por meio de sua assessoria, a data vai ser definida após uma conversa com Lessa, que retomou às atividades na última segunda-feira. A intenção do partido é que a festa seja realizada no final de abril. Por enquanto, os futuros pedetistas têm apresentado divergências. Nos bastidores, tem surgido uma confusão entre membros do PSB e do PDT. Os pessebistas não querem entrar no PDT sem a garantia de ascender politicamente na sigla. Sem essa garantia, os rebeldes do PSB adotariam a estratégia de se filiar ao PHS, com o aval do governador. O partido faz parte da base aliada do governo Não sei de nada Ontem, antes da reunião com o secretariado, o governador Ronaldo Lessa disse desconhecer a polêmica. Eu não sabia disso. O Antônio [Lessa, irmão do governador] está no PHS. O PHS me convidou para ser presidente nacional. É um partido pelo qual eu tenho simpatia. Se eles forem ao PHS, vou ajudar. Tenho muito interesse em contribuir. O humanismo é uma doutrina que vai mudar o mundo, filosofou. A proposta é que o irmão do governador se torne presidente do PHS alagoano. No último dia 21, o governador alagoano assumiu a cadeira de vice-presidente da Regional Nordeste do PDT. O cargo é dividido com mais quatro governadores. Quintella e Bóia também estão na Executiva Nacional. OR