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Intervenção faz MST desocupar o Incra

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Luiza Barreiros A promessa de que a partir da próxima terça-feira o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas passará por um processo de intervenção federal, com a vinda de dois técnicos de Brasília, fez com que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidisse na noite de ontem desocupar a sede do órgão no Estado e a Praça Sinimbu. A desocupação ocorrerá a partir de hoje. Apesar da vinda dos técnicos, o MST não conseguiu que fosse concretizada sua principal reivindicação: a exoneração do superintendente do Incra em Alagoas, Gino César Menezes, que permanecerá no cargo. A negociação com o movimento foi feita pelo presidente nacional do Incra, Rolf Hackbart, que ontem veio a Alagoas decidido a acabar com o conflito. Além dele, também vieram ao Estado três representantes da coordenação nacional do MST, liderados por João Paulo Rodrigues, considerado o segundo homem na hierarquia do movimento, depois de João Pedro Stédile. Após uma reunião que durou cerca de sete horas e teve a participação de Gino César e de uma comissão formada por 27 representantes do MST em Alagoas, Hackbart anunciou que o Incra nacional atenderia as 17 reivindicações técnicas e econômicas do movimento e que, em contrapartida, eles desocupariam a sede do órgão hoje. A 18ª reivindicação da pauta, que era a exoneração de Gino César, foi a única rejeitada. Gino está mantido no cargo, disse o presidente do Incra, antes de retornar a Brasília. Segundo ele, a reunião foi tensa e tumultuada, mas com bom resultado. Entre as promessas feitas por Hackbart, estão o fornecimento de 5.754 cestas básicas para as famílias acampadas, 250 rolos de lona preta, assinatura de convênios de assistência técnica, construção de habitações e crédito para fomento, além da retomada imediata das vistorias nas áreas. Interpretação Depois que a cúpula do Incra deixou o hotel Tambaqui, os representantes do MST deram a sua versão para o desfecho da reunião. Segundo João Paulo Rodrigues, a permanência de Gino César e a desocupação da sede do órgão e retorno dos trabalhadores ao campo não significam o fim na luta nem a derrota do MST. A troca de superintendente tem que ser feita, mas estamos certos de que só acontecerá a médio prazo, disse, admitindo uma transição. A pessoa do Gino é amiga, mas o Gino superintendente é inimigo da reforma agrária, complementou. Foi de Rodrigues que partiu a informação de que haveria intervenção no Incra. O MST só se reportará aos técnicos de Brasília, avisou. O superintendente Gino César negou a intervenção, mas admitiu a vinda dos técnicos. Os técnicos vêm para ajudar na pauta. Se o movimento quer dar caráter de intervenção, é uma questão de interpretação, disse.

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