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Setor de Anais da ALE funciona como no tempo do l�pis

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ARNALDO FERREIRA Um dos setores mais importantes da Assembléia Legislativa de Alagoas, o departamento de Anais, Pesquisa e Arquivo, ainda funciona como no tempo do lápis. Documentos com datas a partir de 1837, que contam a história política e das leis criadas naquele período, deterioram-se numa sala que mede 4x4 metros, cheia de infiltrações e que fica no segundo andar do prédio central do Poder Legislativo, em frente à porta da galeria do público. Parte do teto da sala onde funciona precariamente o setor de Anais está largando a massa e o gesso por causa da infiltração, forte nos dias de chuva. Como se não bastasse, os funcionários do setor trabalham com medo porque o chão também está comprometido e em vários pontos até afundando. Da sala se tem uma visão bonita da Praia da Avenida. Mas, como o condicionador de ar está quebrado, as janelas têm de ficar abertas o tempo todo, o que facilita o trabalho da ?maresia? e compromete a preservação de documentos valiosos que já foram utilizados para consultas pelos pesquisadores e historiadores, como o professor Douglas Apratto. Não é só a maresia que compromete a preservação da história política de Alagoas. O sol forte nos dois horários invade a sala e danifica tudo. Os documentos mais antigos, escritos a bico-de-pena, ficam guardados em capas de papel pautado e são armazenados em caixas de papelão, amontoadas em velhos e enferrujados arquivos. Alguns, de tão velhos, só estão de pé por causa das escoras improvisadas feitas pelos funcionários. Nem de longe o Departamento de Anais lembra que aquele é o setor mais importante da história política, legislativa e administrativa do poder. O departamento, na verdade, há muito tempo é tido como ?o filho rejeitado do Legislativo?. Os presidentes das mesas diretoras prometem um lugar específico e politicamente correto para guardar documentos históricos e abrigar a velha biblioteca, que já foi considerada uma das mais importantes do Nordeste. A chefe do departamento, Helga Maria de Araújo Mello, confirmou: ?realmente, este departamento guarda documentos importantes da nossa história. Nossa preocupação é quanto à ação do tempo, implacável. A falta de condições ideais para o setor pode comprometer uma parte importante da história?. Helga Mello disse que suas esperanças, hoje, estão depositadas no segundo secretário de mesa diretora, deputado Cícero Ferro (PMDB). Ele prometeu conseguir um local para acomodar os três setores: de Anais, de pesquisa e o arquivo do Poder Legislativo. Além de uma sala sem umidade e com temperatura controlada, os três departamentos precisam de um computador e uma máquina para microfilmar os documentos mais antigos que, por causa da ação do tempo, estão se esfarelando. Os documentos da Assembléia Legislativa sempre estiveram à mercê das traças ou da boa vontade dos servidores, que reconheciam seu valor histórico. Por isso, em 1950, o então presidente da Assembléia, deputado Antônio Lamenha Filho, criou o Departamento de Anais, Pesquisa e Arquivo do Poder Legislativo. A partir daí, os servidores começaram a organizar, também, a biblioteca que guardava não só obras literárias e legislativas, mas também livros da história de Alagoas e de Direito. A partir da década de 80, o setor deixou de ter apoio efetivo das mesas diretoras, foi transferido para prédios alugados. A cada mudança, os livros e os registros das sessões legislativas iam ficando para trás. A última mudança aconteceu recentemente, o setor saiu do térreo para uma das salas mais úmidas. O que ainda resta agora fica exposto à ação do sol, da maresia e da chuva. Os funcionários trabalham como no tempo do lápis, porque este é o instrumento oficial do setor. ?Como a gente não tem máquina de escrever, computador e nem caneta, o lápis se tornou o instrumento mais importante para remontar uma parte da história e dos registros. Com o lápis a gente pode fazer correções sem danificar documentos sensíveis?, explicou Helga Mello. Esperança O novo presidente da mesa diretora da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PSB), e o segundo secretário da mesa deputado Cícero Ferro, promoveram transformações radicais em todos os setores. O primeiro passo, segundo os próprios, foi fazer um levantamento geral da situação; em seguida iniciaram pagamento de dívidas deixadas pelas administrações anteriores. O mais novo projeto da mesa diretora está em andamento: é a recuperação do anexo, do lado direito. Na década de 80 era lá que funcionava a biblioteca e os gabinetes dos deputados. A esperança dos servidores é que haja neste anexo uma sala para a preservação da história legislativa de Alagoas.

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