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Eleição de 2006 começa a dividir aliados

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Odilon Rios A disputa pelo cargo de governador em Alagoas começa a esquentar os bastidores políticos e a dividir antigos aliados. Semana passada, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que não se interessava em disputar o governo alagoano. Com isso, deixou brechas a novos atores e velhos personagens, como o presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB). É cedo ainda para discutir isso, avaliou o senador, evitando jogar a rede para a sucessão estadual. Isso deve ser um consenso entre os grupos. Não depende só de mim, avaliou Calheiros, na sexta-feira passada. Nas possibilidades, Calheiros pode disputar a vaga à reeleição na presidência do Congresso, escolher ser vice de Lula em uma possível candidatura do presidente em 2006 ou disputar o governo alagoano. O governador Ronaldo Lessa (PDT) também está sendo ventilado como candidato à presidente da República pelo PDT e, nos bastidores, poderá também ser o vice de Lula em 2006. Tudo, porém, pode mudar a qualquer momento. Esse momento seriam as antigas chagas da eleição do ano passado. Lessa e Renan caminharam em trilhas opostas, lançaram candidatos diferentes à Prefeitura de Maceió e perderam. Nesta ópera, o enredo que mais assusta é se Renan escolher lançar o senador Teotonio Vilela Filho (PSDB) ao governo estadual. Desde janeiro, Téo dramatiza o fim da aliança com o governo estadual. Isso sem contar com os petistas, hoje aliados do governo. Havendo a aliança entre Lessa, Téo e Renan, o PT alagoano estaria fora da disputa por causa dos tucanos. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz (PSB), por exemplo, é um nome distante do governo estadual. Tem força política no interior, mas está sem o apoio de membros do Palácio. Seu nome é soprado ao acaso. Nanicos em guerra Quanto mais o tempo passa, mais a paciência dos aliados, que estava em banho-maria, é aniquilada pelos jogos políticos. Prova disso é o que está acontecendo com o Partido Verde (PV). O vereador Eduardo Canuto (PV), tido como um aliado de primeira hora do governador, é sondado pela oposição na Câmara e era tido como descartado do partido. Semana passada, resolveu reclamar. O partido está desorganizado, disse. Segundo ele, o PV não tem sede própria e precisa de mais espaços no governo estadual. Todos os que foram indicados para cargos no governo não foram indicações nossas, mas de secretários do governo estadual, completou. O partido parece ter sido punido com as declarações de Canuto. Na última sexta-feira, o governo exonerou o secretário de Esportes, José Mário Carneiro. O problema é que Lessa tenta alugar nomes do governo a partidos aliados, o que vem minando as relações entre o governador e os partidos. O PDT passou por um episódio semelhante. O secretário de Educação, Maurício Quintella, e o deputado federal Jurandir Bóia obedecem à cartilha lessista, sem dar tanta importância aos discursos do presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio. O empresário Antonio Lessa e o empresário Robert Lyra entram em campo para tentar angariar membros ao PHS e ao PDT. Desta vez, Antonio Lessa só não assume o PHS se não quiser. Essa insatisfação com as estratégias políticas, especialmente com o futuro em 2006, parece que não atinge só o PDT ou o PV, um nanico praticamente alimentado pelo governo Lessa. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) também pensa duas vezes em continuar apoiando o governador. Se eles saírem em 2006 com um nome do PMDB ou PSDB, nós saímos do governo estadual, ameaçou Iógenes Paes. O PCB é um nanico de pouca expressão na máquina pública. Tem quatro cargos no Instituto de Educação Profissional e negocia dois no Núcleo da Juventude. No bolo eleitoral, o próprio PL ainda não consegue digerir a idéia de passar 2006 sem disputar um cargo qualquer, sem a interferência das antenas partidiárias do Palácio Floriano Peixoto. A sigla, porém, se adaptaria com facilidade em qualquer terreno irrigado com as sementes do poder. As negociações estão em curso. ### Retorno é marcado por pendências Marcos Rodrigues O retorno do governador Ronaldo Lessa (PDT) para o comando do Estado, na semana passada, depois de mais de um mês, foi cercado de expectativa. Tudo porque no período de seu afastamento, para tratamento de saúde, o Estado parou. Todas as pendências administrativas que envolveram salários de servidores tiveram encaminhamentos que motivaram reações das categorias. Ainda assim, Lessa nega a existência de uma crise no governo. O anúncio do retorno de Lessa mobilizou os policiais civis e militares, além dos servidores da Educação e do Laboratório Industrial e Farmacêutico de Alagoas (Lifal), com salários atrasados. O clima de enfrentamento com o governo ainda incluiu o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que permaneceu acampado na Praça Sinimbu e na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de Alagoas durante 33 dias. Nesse período, a participação do governador em exercício Luis Abílio de Sousa (PSB), foi de manter afastada qualquer tentativa de desocupação forçada. A pauta central do movimento não afetava o Estado, mas, politicamente, o MST saiu fortalecido por conseguir compromissos do governo, como investimentos nos assentamentos e mais cestas básicas para as famílias. A repercussão demonstrou isso. A população associou a desocupação do MST à intervenção do governador. Antes, o discurso era o de que o Estado estava sem governo. Cobrança No caso dos servidores, a cobrança é quanto aos percentuais anunciados pelo governo. Os 10% oferecidos para os policiais civis e militares, por exemplo, não agradaram. Os militares, inclusive, articulam internamente a realização de panelaço, para pressionar o governo por um percentual maior. Os policiais civis também se mantêm mobilizados para irem às ruas com os militares. As duas categorias pretendem organizar a maior manifestação do Estado contra o governo. Os professores também podem engrossar a onda de protestos contra o governo. É que, segundo o sindicato da categoria, o Plano de Cargos e Carreiras, encaminhado e votado na Assembléia Legislativa de Alagoas, ainda tem pontos que não contemplam a categoria. Não está descartada, inclusive, paralisações de advertência. O quadro encontrado pelo governador, porém, não lhe causou surpresa. Indagado sobre como pretende contornar a crise administrativa, o governador diminuiu o impacto das pressões. Já vive situações piores. Cada um tem uma cruz para carregar. A minha é essa, Deus é assim. Mas já esteve pior. Eu já tossi com mais cabelo, disse Ronaldo Lessa durante um dos eventos dos quais participou na última semana.

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