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Saúde de Lessa ainda inspira cuidados

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Luiza Barreiros Apesar de o governador Ronaldo Lessa (PDT) ter retornado ao trabalho na segunda-feira passada, seu estado de saúde ainda inspira cuidados. Pelo menos até o dia 7 de abril, quando completa um mês da cirurgia feita em São Paulo para desobstrução de um abscesso no septo nasal (estrutura formada por cartilagem e por osso que separa uma narina da outra), Lessa deverá seguir a recomendação médica de reduzir à metade a jornada diária de trabalho e tomar antibióticos. Ainda não houve cicatrização total, por isso a importância do repouso, justificou a médica Fabiana Maia Nobre Rocha, 32 anos, que acompanha o pós-operatório do governador em Maceió. Segundo ela, Lessa está sendo medicado com antibiótico (cefalosporina de terceira geração) e deverá voltar ao consultório nesta semana para uma nova revisão no local da cirurgia. A médica é filha do deputado federal Jurandir Bóia (PDT) e tem doutorado na área de otorrinolaringologia pela USP. Ela acompanhou o governador durante todo o processo infeccioso que o levou a fazer a cirurgia em São Paulo e a se afastar do governo por mais de 30 dias. Fabiana Rocha conta que tudo começou com uma foliculite, que é uma inflamação do pêlo da região anterior do nariz, chamada vestíbulo nasal. Ela disse que examinou o governador pela primeira vez na noite de 21 de fevereiro, depois que a inflamação havia sido detectada pelo clínico Diógenes Bernardes, médico particular de Ronaldo Lessa. O governador estava muito inchado, com dor e vermelhidão na pele do nariz. Detectado o abcesso no septo nasal, de cara indiquei a cirurgia. Na cirurgia - realizada na manhã do dia seguinte pela própria Fabiana Rocha, em Maceió -, foi feita uma drenagem, com limpeza e retirada de toda a secreção. Em seguida, segundo a médica, foi feito um curativo compressivo no septo nasal para evitar que o abcesso reaparecesse. ### Falta de repouso agravou quadro O governador recebeu toda a cobertura de antibióticos e a recomendação médica de que deveria fazer repouso absoluto até que houvesse a recuperação, já que existia 90% de chance de cura e 10% de que recidivasse, já que as bactérias que provocam a inflamação na área interna do nariz são muito agressivas, geralmente anaeróbias. Recomendei repouso. Mas ele me desobedeceu e parou de trabalhar apenas entre aspas, porque continuou despachando em casa e recebia visitas, o que não era permitido, por haver o risco de levar ainda mais bactérias para o quarto, lembra a médica. Fabiana Rocha diz que Lessa estava evoluindo bem, não tinha mais dor, mas uma semana depois os sintomas reapareceram e foi constatado que o quadro havia evoluído para uma pericondrite, que é um processo inflamatório do revestimento da cartilagem do septo nasal. Embora os sintomas não tivessem a mesma intensidade de antes, Fabiana Rocha conta que foi feita uma tomografia que constatou a presença de uma coleção líquida, de um edema (inchaço) importante no septo nasal e, com esse resultado, recomendou uma nova cirurgia. Mas dessa vez, ela também propôs que o governador saísse de Maceió. Fui junto com ele para São Paulo e o médico que o operou no Hospital Albert Einstein [Alexandre Felippu] foi com quem eu trabalhava quando estava lá, contou. Após a cirurgia, realizada no dia 7 de março, o governador ainda passou uma semana no hospital, teve alta no dia 14 e até o dia 25, quando retornou a Maceió, descansou em Campos do Jordão e no Rio de Janeiro. ### Novo abscesso foi uma fatalidade Segundo a médica Fabiana Rocha, em nenhum momento a equipe médica que atendeu o governador pensou na possibilidade de haver um câncer. Houve receio dos familiares e do próprio governador, mas logo a possibilidade foi descartada pelos médicos, relatou. Na entrevista coletiva que deu para a imprensa após reassumir o governo, na segunda-feira passada, Lessa disse que em determinado momento do processo teve medo de estar com câncer e até de morrer. Segundo a médica, a maior preocupação em caso de abscesso no septo nasal é que haja evolução para uma doença chamada tromboflebite do seio carvenoso, já que na região as bactérias podem ir para o septo e de lá para as veias que irrigam o resto da cabeça, causando inflamações perigosas. A tromboflebite pode causar uma septicemia (infecção generalizada), comprometimento da visão ou até a morte. Quanto à pericondrite, que foi responsável pela formação do novo abscesso, segundo a médica, quando ela ocorre, a preocupação maior é que haja degeneração da cartilagem do septo nasal e, com isso, alteração da estrutura externa do nariz, com afundamento de toda a região do dorso. A médica lembra também que, em Maceió e em São Paulo, o governador foi submetido a exames para avaliação de seu estado imunológico, para descobrir o que poderia ter causado o reaparecimento do abscesso. Foi feita avaliação pelo clínico geral daqui e de lá, e todos os exames imunológicos deram resultado normal. Infelizmente, o novo abscesso foi uma fatalidade.

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