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Renan quer consenso para ser candidato

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Marcos Rodrigues Repórter A sucessão estadual foi o prato principal de um almoço oferecido ontem pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) ao presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB). Para o encontro, foram convidados os deputados que integram a bancada do governo na Assembléia Legislativa de Alagoas (ALE) e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Estácio Gama de Lima. O ministro Aldo Rebelo foi representado pelo secretário-executivo Eduardo Bomfim. Renan conversou com a imprensa no salão de despachos do Palácio Floriano Peixoto. Durante a coletiva, ele voltou a defender o consenso em torno de sua eventual candidatura ao governo do Estado. Quero ter, sim, a oportunidade de governar Alagoas, mas acho que isso não tem que ser uma determinação nossa, e sim da sociedade, disse o senador. Diante do governador Ronaldo Lessa, Renan não poupou elogios ao governo pedetista. Em vez de sentenciar sua posição sobre a sucessão, defendeu a formação de um pacto por Alagoas, com todos os segmentos políticos. O deputado federal João Lyra (PTB) não foi convidado para o almoço, mas teve o seu nome lembrado pelo senador. Renan revelou que tem se encontrado com o parlamentar, mas negou que tenham discutido a sucessão. Segundo o presidente do Senado, qualquer conversa política que parta da citação de um nome para a sucessão divide as forças do Estado. Ainda assim, o senador não descartou a possibilidade de Lyra compor politicamente com o seu grupo. Antes, é preciso que vejamos como vai ficar a reforma política. Eu, particularmente, trabalho para que a verticalização não passe no Congresso, adiantou Renan, sem descartar apoios. Quanto às especulações de que o seu nome venha a figurar numa eventual chapa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na condição de vice, o senador descartou essa possibilidade. Para ele, não existe candidatura a vice. Um outro detalhe lembrado pelo presidente do Senado envolve o PMDB, apontado pelo próprio Renan como um partido complexo, que poderá até ter candidato próprio para suceder Lula. Mobilização Se de um lado o senador evitou tirar o caráter eleitoral do almoço, o governador Ronaldo Lessa fez questão de deixar pública essa situação. Estaremos conversando sobre os problemas do Estado e, é claro, sobre a sucessão, disse Lessa, sorridente. Anfitrião do almoço, assinado pelas irmãs Rocha, Lessa enfatizou que apenas os deputados estaduais que integram a bancada governista foram convidados. O gesto denunciou tom de apoio antecipado. Mesmo quem não seja da bancada, se decidir aparecer, será bem recebido, argumentou o governador. Lessa descartou qualquer possibilidade de o deputado federal João Lyra vir a compor com o grupo que o apoiará em sua campanha para o Senado. O governador acha impossível, que isso ocorra, mas para demonstrar que existe uma relação respeitosa com João Lyra, lembrou que indicou a filha dele, Thereza Collor, para a Secretaria Extraordinária, em São Paulo. A imprensa e assessores dos políticos não tiveram acesso ao local do almoço, no salão nobre do Palácio dos Martírios, onde foram servidas comidas típicas. ### Pedido de apoio e homenagem ao papa O senador Renan Calheiros (PMDB) evitou vincular sua visita a Alagoas ao debate em torno da sucessão estadual. Durante toda a manhã, ele ficou reunido com o presidente da Assembléia Legislativa de Alagoas (ALE), deputado Celso Luiz (PSB), e com suplentes de vereadores atingidos pela lei da proporcionalidade nas Câmaras Municipais. Por conta de sua aplicação em todo o País, ocorreram reduções da representação parlamentar. Ao todo ficaram sem mandato no Estado 78 vereadores. O grupo conseguiu mobilizar, além do deputado Celso Luiz, o vice-presidente da ALE, deputado Francisco Tenório (PPS). Foram eles que articularam o encontro com o presidente do Senado. A reunião ocorreu na ALE, antes do encontro de Renan e com o governador Ronaldo Lessa no Palácio Floriano Peixoto. Os vereadores pediram para que o presidente do Senado interceda junto aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), para que julguem a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pela União dos Vereadores do Brasil (UVB). Diante dos vereadores, o presidente do Senado prometeu fazer o que estiver ao alcance em Brasília. Sucessão Já no Palácio, Renan citou o governador Ronaldo Lessa como uma peça fundamental para a sucessão em 2006. Lessa, entretanto, reagiu ao saber que o PSDB, do senador Teotonio Vilela Filho, articula o lançamento de um candidato ao Senado. Não acredito que isso possa acontecer, disse. Téo é o principal aliado de Renan no Estado, mas anda distante do governador desde as eleições municipais do ano passado. Na lista do PSDB, figuram nomes que vão da ex-prefeita de Arapiraca, Célia Rocha, ao ex-secretário municipal de Habitação, Claudionor Araújo. A preocupação do governador quanto ao surgimento de uma candidatura tucana se deve ao fato de que, em 2006, só existirá uma cadeira disponível no Senado. Ontem, os tucanos se reuniram com representantes de siglas nanicas, a exemplo do PSC, PSDC, PTdoB e PRP. O encontro ocorreu durante um café da manhã organizado pelos tucanos. Seca em alagoas Ainda durante a entrevista concedida no Palácio Floriano Peixoto, o presidente do Senado não soube explicar por que o governo federal ainda não liberou os recursos para os municípios que decretaram estado de emergência por causa da seca. Como alternativa para garantir as verbas, Renan defendeu uma pressão maior da bancada federal alagoana. O presidente do Senado adiantou que conversará sobre o assunto amanhã com o ministro da Casa Civil, José Dirceu. No início do mês passado, Renan, Téo Vilela e a senadora Heloísa Helena (P-Sol) visitaram três municípios alagoanos atingidos pela seca. Lideranças políticas acreditavam que a presença de Renan facilitaria a liberação de recursos federais para os municípios afetados pela estiagem. Homenagem ao Papa O senador Renan Calheiros também aproveitou sua passagem pelo Estado para reverenciar o papa João Paulo II, falecido no último sábado. Segundo Renan, o exemplo deixado pelo pontífice vai além da fé. Ele conseguiu conviver com a diferença e trabalhou incansavelmente pela paz, destacou o senador, que confirmou presença no funeral do papa. Ele integrará a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Roma que viaja esta semana para Roma. Ao seu lado o governador Ronaldo Lessa lembrou que o papa reconheceu publicamente e pediu perdão pelos erros cometidos pela igreja no passado. Sem falar no fato de ele ter vindo ao Brasil e ter defendido a necessidade de reforma agrária no País. |MR

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