Política
Almeida adia anúncio de partido
Odilon Rios Repórter O prefeito Cícero Almeida (sem partido) deixou de cumprir ontem mais uma de suas promessas depois de eleito. No última quinta-feira, Almeida havia prometido que apresentaria ontem o projeto de reforma administrativa, assim como anunciaria seu novo partido, mas acabou adiando ambos mais uma vez. Embora mantendo em segredo sua nova legenda partidária, o prefeito deixou claro que, seja qual for o partido político escolhido, a exigência é que ele se torne presidente do diretório municipal ou estadual da sigla. Tenho um projeto político também, como tantos outros, e eu não quero ir apenas como uma peça a mais. Logicamente, vou trabalhar para ter em mãos a presidência de um diretório estadual ou municipal. Este seria o acordo, disse Almeida, ontem, antes de reinaugurar um posto de saúde no Jacintinho. Essa foi a primeira vez, em três meses de governo, que o prefeito falou em um futuro projeto político. Nos bastidores, cogita-se a possibilidade de ele disputar a reeleição ou o governo estadual, caso o deputado federal João Lyra (PTB), seu padrinho político, abra mão da candidatura. Por conta disso, o mais provável é que o prefeito venha a se filiar ao PTB de João Lyra. Os detalhes deveriam ter sido acertados no último fim de semana, o que parece não ter ocorrido. Tanto é que, ontem pela manhã, em entrevista a rádios locais, Almeida falava em tom de insatisfação sobre as negociações a respeito de sua futura legenda partidária. O prefeito foi praticamente expulso do PDT meses depois da eleição, por conta de uma confusão durante a partilha dos cargos na administração municipal com o partido. Insatisfeito, o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, pediu a saída de Almeida. ### Comissionados são o grande gargalo Apesar de o anúncio da reforma administrativa ter sido adiado mais uma vez pelo prefeito Cícero Almeida (sem partido), o secretário de Planejamento, Elionaldo Magalhães, prometeu para esta semana definições sobre o projeto. Uma das principais transformações que a reforma pretende operar, segundo ele, são em alguns cargos de nível NS 1, ou seja, secretários municipais, mudariam para o nível NS 2, uma espécie de superintendente ou coordenador de determinada área. Segundo o secretário, a idéia é economizar. A economia deve ser também nos cargos comissionados, o grande gargalo do município. Por isso, de acordo com Magalhães, a reforma foi dividida em dois pontos. Esta semana serão anunciados os cargos comissionados que serão extintos, tanto no nível NS 1 quanto no NS 2, incluindo, segundo o secretário, superintendências, coordenadorias e fundações. Não se tem idéia de quanto será essa economia aos cofres públicos. Depois, ainda de acordo com Magalhães, a proposta é que seja feito um estudo em todas as secretarias para descobrir se existe conflito de funções. Neste ponto, o trabalho está sendo feito em parceria com a Procuradoria Geral do Município. Magalhães classificou esta última situação de ponto de estrangulamento. Ao final dos estudos e depois de serem entregues ao prefeito, haverá a especificação da redução mensal e anual [no orçamento], avaliou Magalhães. Em compasso de espera A bancada de oposição na Câmara de Vereadores aguarda com paciência o envio do texto da reforma administrativa anunciada pelo prefeito. Ele não tem prazo legal para apresentar o projeto. Depende mais dele, disse o vereador Marcos Alves (PSB). Independente do envio do projeto à Câmara, Marcos Alves destaca o descumprimento de uma das promessas de campanha de Almeida: a redução de cargos comissionados em mais de 60%. Ele extrapolou os 60%, avaliou Alves. De acordo com o vereador, existem no município 1.097 cargos comissionados. Ele teria de nomear no máximo 550 pessoas. Mas, já está em quase 800, numerou. Para o vereador Judson Cabral (PT), o município terá dificuldade de retirar as pessoas de determinados cargos ou baixar o nível de secretários. Eles estão se acomodando com a estrutura existente, afirmou. Segundo ele, entre os vereadores, a reforma é pouco discutida. Eles estão querendo somar, não questionar, alfinetou. |OR