Política
Rosseto pede recursos ao governo
Em meio à mobilização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) para intensificar as invasões de terra no mês de abril, o ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Miguel Rosseto, reuniu-se ontem, por cerca de duas horas, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a equipe econômica para pedir mais recursos para a reforma agrária, mas saiu do Palácio do Planalto apenas com a promessa de esforço do governo para assegurar as verbas. Depois da reunião, o ministro condenou ações violentas e ilegais tanto por parte dos trabalhadores rurais como dos fazendeiros. Não queremos violência, venha de onde vier, e vamos acompanhar, como estamos fazendo. Manifestações dentro da legalidade devem ser respeitadas. Todos sabemos a diferença entre manifestações que expressam uma conquista democrática e ato de violência. Não vamos aceitar e não podemos concordar. Venha de onde vier, manifestações que colaboram com a reforma agrária são bem-vindas, afirmou. O orçamento aprovado para o MDA foi de R$ 3,7 bilhões, mas o governo cortou R$ 2 bilhões. Do orçamento de R$ 1,7 bilhão restante, R$ 480 milhões são destinados à obtenção de terras para reforma agrária. Desse total, o MDA já gastou R$ 322 milhões. A estimativa de técnicos do MDA é de que os R$ 158 milhões restantes acabarão no início de maio. Segundo Rossetto, os recursos disponíveis no MDA são suficientes para assentar de 38 a 48 mil famílias, enquanto a meta estabelecida pelo governo é de assentar 115 mil famílias em 2006. O fundamental é não comprometer o fluxo de trabalho, não ter interrupção. O governo sabe disso e está trabalhando para evitar isso. Há um trabalho desenvolvido pelo ministro (Antonio) Palocci para criar condições para liberação de recursos para cumprir as metas da reforma agrária, disse. Participaram da reunião, além de Rossetto e Lula, o ministro Antonio Palocci, o vice-presidente, José Alencar, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Nelson Machado. Segundo Rossetto, além de orçamento, na reunião foi tratada a participação de outras áreas do governo na consolidação dos assentamentos, na atualização do índice de produtividade das grandes propriedades para efeitos de desapropriação, da PEC (proposta de emenda constitucional) do trabalho escravo e da atualização do sistema de crédito produtivo para assentamento.