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Vereadores reclamam de secretários

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Odilon Rios Repórter O prefeito Cícero Almeida (sem partido) assumiu ontem o papel de bombeiro para tentar resolver uma crise existente entre vereadores e secretários por causa do relacionamento pessoal. A iniciativa foi tomada durante uma reunião realizada no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) entre os integrantes da bancada governista e a equipe do prefeito. Vamos nos reunir para conversar com cada vereador, discutir a forma como eles estão sendo atendidos pelos secretários, para que haja um relacionamento melhor, para superar as dificuldades encontradas por cada um deles, disse Almeida pouco antes de começar a reunião, que foi a portas fechadas.Não existe divisão [na Câmara]. Vamos saber até que ponto existem falhas e se existem, corrigi-las, garantiu. No final da manhã, o secretário de Comunicação, Marcelo Firmino, disse que alguns vereadores tinham feito reclamações mas tudo estaria resolvido. Irritação A Gazeta apurou que durante a reunião, dois secretários municipais estariam irritando os vereadores da bancada governista ao utilizar assessores para cansar os vereadores, evitando o contato direto da bancada com eles. Para evitar um racha entre os governistas, Almeida pediu paciência aos vereadores por três vezes durante a reunião. Tenham paciência, pelo amor de Deus. Começamos há três meses, faltam 45 meses para acabarmos a nossa administração, ponderava. Sabemos que algumas medidas tomadas têm contrariado alguns vereadores, disse, sem adiantar quais seriam essas medidas e explicando, mais adiante: Tudo o que for feito em nossa administração será enaltecido pelos vereadores, atestou, mesclando o discurso com elogios aos vereadores e aos secretários. As falhas existem, mas serão corrigidas. Acho que até Deus não é perfeito, destacou, pedindo a ajuda dos líderes partidários da base aliada para que fossem comunicados possíveis problemas entre vereadores e secretários. Advogada do diabo Peço pelo amor de Deus, compreensão. A medida que estamos tomando não é para prejudicar os vereadores, mas enaltecê-los futuramente, pediu Almeida, na reunião, sem citar a medida adotada, mas se referindo à sua prima, a secretária de Administração, Regina Helena, que seria tratada entre os vereadores como a advogada do diabo. Regina tem sido tratada como a ?advogada do diabo? em algumas situações, mas nós estamos conversando, declarou o prefeito. Pedindo a palavra, o presidente da Câmara MUnicipal de Maceió, vereador Arnaldo Fontan (PFL), disse que não se admitia que a oposição, hoje representada por seis vereadores, convocasse secretários municipais, dando a entender que a estratégia da oposição começava a despertar preocupação entre os parlamentares. Já fui da oposição e sei como é isso, avaliou. Fontan esteve na oposição ao governo da prefeita Kátia Born (PSB). O líder do governo, José Márcio (PTB), elogiou a iniciativa da reunião e disse que a bancada está unida, mas lembrou a Almeida a cartilha para garantir amigos na Câmara: O prefeito precisa receber os vereadores, alertou. ### Reforma será feita agora por etapas; a 1ª sai terça-feira Após ter sido adiado várias vezes, o projeto da reforma administrativa da Prefeitura de Maceió deve ser enviado à Câmara de Vereadores na próxima terça-feira, 12. A reforma será feita por etapas e a primeira está sendo finalizada pela equipe da Secretaria Municipal de Planejamento. Os vereadores solicitaram ontem que o próprio prefeito faça a entrega oficial do projeto ao Legislativo. O projeto será apresentado durante uma coletiva à imprensa no mesmo dia, segundo a Secretaria de Comunicação. A parte fundamental da reforma é a redução de despesas. A outra diz respeito à organização, e isso será feito depois, disse ontem o secretário de Planejamento, Elionaldo Magalhães. A redução das despesas, segundo Magalhães, refere-se à extinção ou fusão de secretarias. Esse ponto da reforma também não está claro na administração, muito menos qual o destino dos comissionados de secretarias que supostamente seriam extintas pelo governo municipal. Veja bem: serão extintos órgãos e fundidos outros, mas a decisão é política, cabe ao prefeito definir, avaliou Magalhães. Para o orçamento de pessoal, especialmente em cargos comissionados, ela [a reforma] é importante para o município, completou. Delicado A extinção ou fusão de cargos é, talvez, um dos pontos mais delicados da reforma. Isso porque uma das principais transformações que o projeto pretende implantar atinge alguns cargos de nível NS 1, ou seja, secretários municipais, que mudariam para o nível NS 2, uma espécie de superintendente ou coordenador de determinada área. Não se sabe a que ponto andam as negociações para que secretários virem, por exemplo, superintendentes ou diretores e tenham de aceitar os cortes no salário. Além disso, não se sabe também qual o impacto gerado nos cofres públicos. Tudo isso será conhecido em tempo oportuno, avaliou Magalhães. Outro ponto é a proposta de um estudo em todas as secretarias para avaliar se existem conflitos entre funções. Neste último caso, o objetivo é descobrir pontos de sangria no município e avaliar a possibilidade de transformar o órgão em uma diretoria ou simplesmente extingui-lo. Mas o destino dos cargos comissionados destes locais ainda é incerto. |OR ### Futuro partidário nas mãos de Deus A decisão do prefeito Cícero Almeida (sem partido) sobre seu novo partido foi prorrogada por tempo indeterminado. A informação foi dada ontem pelo próprio prefeito antes de começar a reunião entre secretários e vereadores. Tem um grupo de pessoas que me acompanha nesse novo projeto político. Não significa que vamos criar uma terceira ou quarta força, mas quero prestigiar esse pessoal também, disse Almeida. O prefeito tinha prometido anunciar seu novo partido na última segunda-feira, mas desistiu sem nenhuma justificativa plausível. Almeida reconheceu ter discutido o assunto no fim de semana passado com um partido, mas que não teriam chegado a nenhuma conclusão. A conclusão a que se referia o prefeito era a de que ele assumisse a presidência municipal ou estadual da legenda. A decisão que tomamos foi adiar isso por tempo indeterminado. Vamos esperar o desenrolar dos acontecimentos, destacou. Problema é que a maioria dos partidos da base aliada de Almeida já tem nomes fechados para futuras composições, como o PTB, que tem como maior expressão o deputado federal João Lyra; o PP, com o deputado federal Benedito de Lira, o PFL, com o deputado federal José Thomaz Nonô, e o PPS, com o secretário municipal de Educação, Regis Cavalcante. Perguntado sobre qual futuro político vislumbra, Almeida respondeu sorrindo: Meu futuro está nas mãos de Deus e da sociedade, que vai dar uma resposta sobre a nossa administração. Nos bastidores, o ingresso de Almeida no PTB era tido como quase certo, mas divergências internas acabaram fazendo o prefeito mudar de idéia. O mesmo problema teria ocorrido no PP. Almeida está sem partido desde janeiro, quando pediu desfiliação do PDT, por conflito com o presidente estadual da legenda, Geraldo Sampaio, na distribuição dos cargos municipais. Insatisfeito por ter sido preterido Sampaio pediu que Almeida deixasse o partido.|OR

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