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Pacto por Alagoas causa reação adversa

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Odilon Rios Repórter O menu do almoço oferecido na última segunda-feira pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), provocou sintomas de indigestão em alguns políticos. O prato principal foi a sucessão estadual em 2006 e a sobremesa um pacto por Alagoas, espécie de reunião de todos os segmentos políticos alagoanos em torno de uma eventual - e ainda não confirmada - candidatura ao governo de Alagoas do presidente do Senado. A idéia, sugerida pelo próprio senador, seria de aglutinar todos os grupos políticos atuantes no Estado, mesmo os de oposição. Na mira estão o deputado federal João Lyra (PTB), que hoje controla a prefeitura da capital alagoana, e o de Lessa, que está no governo estadual. Fora do poder estão o P-Sol e o PSDB, que articulam candidatos próprios. Quando o assunto é pacto por Alagoas, o presidente do diretório estadual do PT, Paulo Fernando dos Santos (o Paulão), não quer nem saber do assunto. Não ouvi o senador falar em aliança com João Lyra. Até porque, se for observado, o deputado federal não foi convidado a participar do almoço, disse. Segundo o petista, a pauta prioritária do PT é mesmo a reeleição do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e os trabalhos de coesão incluíam apenas os partidos que atualmente dão sustentação partidária ao projeto do governador ao Senado, maior pretensão política de Lessa, unindo o PSB, PDT, PCdoB, PV, PL, PMDB e PT. Vamos escolher nestes partidos o nome que possui maior densidade eleitoral e o candidato mais forte vai ser lançado ao governo estadual, avaliou Paulão. Os tucanos em Alagoas têm a proposta de lançar um nome para concorrer ao governo estadual, caso Calheiros mude de idéia e decida não mais concorrer ao cargo. Mas não mudamos de idéia em relação ao vice de Renan, que deve sair do PSDB, diz o senador Teotonio Vilela Filho. Os projetos do PSDB variam por causa da verticalização de coligações. Se a verticalização cair, nós temos nomes para lançar a uma chapa majoritária; caso contrário, faremos uma aliança branca, como ocorreu em 2002 com o governador Ronaldo Lessa, sintetizou Téo Vilela. Na verticalização, os partidos têm de seguir nos estados as coligações nacionais. Porém, há uma outra corrente no PSDB, e ela agrada aos interesses do deputado João Lyra. Se João Lyra lançar seu nome ao governo estadual, o vice pode sair das fileiras tucanas. Esse nome, inclusive, já estaria escolhido: Célia Rocha, ex-prefeita de Arapiraca e cujo grupo político ganhou as eleições ano passado na Terra do Fumo, o segundo maior colégio eleitoral do Estado. O ponto de partida para a campanha do PSDB em Alagoas será a vinda do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, ainda sem prazo definido, além de outros presidenciáveis, como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e o prefeito de São Paulo, José Serra. Queremos trazer um a cada mês aqui para animar as militância do partido e esquentar as baterias para 2006, adiantou o senador Téo Vilela. Fato do século O deputado federal Benedito de Lira (PP) não consegue imaginar a fusão de todos os grupos políticos alagoanos em torno de um único projeto: Se acontecer, será o fato político do século, avaliou. Segundo ele, Renan Calheiros teria como maior preocupação unificar o PMDB, em nível nacional. Se ele conseguir isso, vai disputar um cargo de projeção nacional, é o que penso, destacou. Uma parte do PMDB beatifica o presidente Lula; outra, excomunga. Com 40 anos na política, Benedito de Lyra destacou, na sua concepção, o que inviabilizaria o tal pacto: O governador verá o tamanho dele quando sair do governo [para disputar o Senado]. Quando se tem a caneta e a chibata na mão é uma coisa. Tem gente que obedece, mas com a cara troncha, afirmou, lembrando do então governador Guilherme Palmeira, hoje ministro do Tribunal de Contas da União, que, na década de 80, tentou se candidatar ao Senado. Foi preciso uma estratégia do vice-governador [Theobaldo Barbosa]. E olha que o Guilherme fez uma boa administração, avaliou, profetizando: Quando se tem mandato, o céu é azul; quando não, é cinzento. ### P-Sol descarta pacto; PSB acha cedo O P-Sol tenta se organizar em Alagoas para lançar candidatos a deputado estadual, federal e ao governo alagoano. Segundo Mário Agra, membro da Executiva Nacional, o partido não deve participar do pacto por Alagoas. O P-Sol trabalha para lançar a senadora Heloísa Helena como candidata a presidente da República, mas trabalha com mais mais duas opções: Ela pode se candidatar ainda a senadora ou ao governo do Estado, disse Agra. De acordo com ele, as pesquisas internas do partido indicam que Heloísa Helena passaria na frente do governador Ronaldo Lessa em uma eventual disputa ao Senado, mas se escolhesse o governo do Estado com Renan Calheiros, o páreo seria duro. Uma pesquisa que foi feita há duas semanas pelo Ibope e divulgada na TV mostra que a Heloísa está crescendo entre os jovens de 16 a 24 anos, justificou o membro da Executiva Nacional do P-Sol. Não queremos ?pactos por Alagoas?. As experiências que tivemos não foram boas, resumiu. Agra lembrou da época do governo Divaldo Suruagy, que conseguiu congregar praticamente 90% da classe política alagoana nas eleições, derrotando o grupo político do governador Geraldo Bulhões, que administrava um Estado à beira do caos. Suruagy ganhou as eleições, juntando até o PCdoB em um chapão, com o discurso semelhante ao de Renan, de pacto por Alagoas. O pacto virou palavra maldita quando estourou no governo Suruagy o escândalo das Letras do Tesouro Estadual e o governo atrasou o salário dos servidores em quase seis meses. Desesperados, setores públicos se uniram e em 17 de julho de 1997 pediram a queda do governador, ameaçando invadir a Assembléia Legislativa (ALE). Ainda é cedo A secretária estadual de Saúde, Kátia Born, diz que ainda é cedo discutir o assunto a sucessão: Não sei se Renan é candidato. Ele disse apenas que gostaria de ser, acrescentou, repudiando o deputado federal João Lyra. Dificilmente haverá aliança com o João Lyra. Ele está com o PFL, tem outra linha de atuação, avaliou. Kátia, que integra o PSB, é cotada para assumir uma candidatura a deputada federal, com torcida até no PDT, mas não descarta a disputa pelo governo. Sou excelente jogadora. Onde for colocada, saberei jogar. Com a saída do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz, do PSB, a secretária pode brigar pela vaga no governo com o vice-governador, Luis Abílio. Ela, inclusive, já começou a fazer campanha no interior alagoano para atrair os holofotes do PSB: viaja às quintas e sextas-feiras, percorrendo pessoalmente postos de saúde e hospitais e conversando com prefeitos. Povo sem saúde não vota, avalia. Enquanto isso, o pacto por Alagoas proposto pelo senador Renan Calheiros tem sido encarado como uma piada nos corredores do Palácio Marechal Floriano Peixoto. A anedota mais contada e transferida para o meio político é a do moribundo que, na hora da extrema unção, teria de renegar o diabo, a pedido do padre. Disse o moribundo: Não quero malquerência com ninguém, senhor padre. |OR

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