Política
Vereadores pressionam por cargo
Marcos Rodrigues Repórter O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (sem partido), nem bem completou 100 dias de seu governo e já começou a enfrentar pressões dos aliados políticos por cargos no Executivo. Os maiores interessados são os vereadores que integram a bancada de Almeida na Câmara Municipal. O dilema do prefeito esbarra na necessidade de fazer cumprir sua principal promessa de campanha: deixar a máquina enxuta. Esse compromisso está mantido. Quanto a pressões, elas não existem. Minha relação com a Câmara é de parceria, diz Almeida. A ausência de cargos é sentida com mais força pelos vereadores que não integraram a aliança principal formada pelo PTB e PFL. Mas, mesmo com eles, Cícero não tem sido mão aberta. Um exemplo é o vereador Cristiano Matheus (PFL). Sua solicitação para encaixar dez aliados no governo foi reduzida pela metade. Na Câmara, ao ser procurado para comentar como tem sido sua participação no governo Matheus diz que ainda está aguardando a reforma administrativa. Segundo o vereador, apenas os 12 cargos que dispõe para compor sua assessoria foram preenchidos. Estamos aguardando os ajustes que serão feitos pela reforma, argumentou o vereador. Reunião A reforma foi o tema principal de uma reunião com vereadores da bancada e os secretários na última quarta-feira, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Entretanto, o pano de fundo, era a dificuldade dos vereadores em falar com os titulares das pastas. Devido a orientação do Executivo, os secretários não cederam aos pedidos para contratação de assessores sem qualificação. Os desentendimentos acabaram indo parar no gabinete do prefeito. Tudo porque alguns vereadores tentaram se valer da proximidade que têm com o deputado federal João Lyra (PTB), para tentar emplacar suas indicações. Diante das negativas de contratação, tentou-se inclusive criar um clima de animosidade entre Almeida e Lyra. O combustível para a suposta crise foram os afastamentos dos ex-secretários Luiz Dantas Vale, da Comunicação, e Leonardo Loureiro, da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). Ambos foram indicações do grupo de João Lyra para o Executivo. A Gazeta apurou que a reunião, que foi realizada a portas fechadas, foi uma espécie de lavagem de roupa suja. Mas o prefeito desviou esse foco e preferiu dizer que o encontro foi para apresentar os secretários aos vereadores. Antes do encontro, o secretário Municipal de Planejamento, Elionaldo Magalhães, fez uma revelação. A primeira etapa da reforma está concluída, mas a decisão final é política e será tomada pelo prefeito. É aí que está o problema. Almeida terá que cortar a própria carne, já que o texto principal da reforma prevê extinção e fusão de secretarias, além da redução de cargos comissionados. E para cumprir as metas propostas na campanha, o prefeito não poderá fugir a regra. ### Bancada aguarda reforma para se adequar à realidade O clima de cordialidade dos vereadores governistas com o Executivo começa a estremecer. Desde a eleição para a presidência da Mesa Diretora do Legislativo Municipal que as disputas internas provocaram cisões na base de apoio do prefeito Cícero Almeida (sem partido). A vitória do vereador Arnaldo Fontan (PFL) lhe deu margem para negociar cargos e espaço político no Executivo. Trabalhando em silêncio, Fontan é apontado como o que mais conquistou lugar no governo, juntamente com o líder do prefeito na Câmara, vereador José Márcio (PTB). Do processo de disputa para a Mesa Diretora ficaram traumas. O atingido foi o vereador Dudu Hollanda (PTB). Aliado de primeira hora ele chegou a expor o seu isolamento político. Na semana passada, entretanto, o discurso mudou. Dudu afastou qualquer polêmica e até admitiu que já tem o seu espaço político articulado no Executivo. Sou uma aliado do prefeito desde o início de sua candididatura, justificou Dudu. Prudência Já os políticos mais experientes como o vereador Walter Pitombo Laranjeiras (PTB) prefere adotar a prudência. Nós estamos tranqüilos quanto a esse assunto que envolve cargos. Se por ventura existir espaço, naturalmente o ocuparemos, adiantou o vereador. Toroca não acredita que o PTB, por compor a base da chapa majoritária, terá mais espaço em relação aos demais vereadores de outras legendas. O prefeito Cícero Almeida, quando perguntado sobre este ponto, também defende uma participação igual para todos os aliados. Entre os aliados que chegaram de última hora, depois da eleição, o destaque é o vereador Carlos Ronalsa (PMDB). Integrante da bancada de Almeida desde a eleição da Mesa Diretora, ele está em compasso de espera. Ex-secretário da prefeita Kátia Born, em suas duas gestões, Ronalsa não descarta um possível retorno para o Executivo. Estou na Câmara, mas meu perfil é de secretário. Se existir espaço estou aqui para colaborar, declarou Ronalsa. Quanto à indicação de cargos no governo, ele disse que os vereadores estão aguardando a reforma administrativa para se adequarem a nova realidade. A situação de Ronalsa é similar a do ex-presidente da Câmara Municipal, Alan Balbino (sem partido). Ainda no PSB, antes de romper com o partido, ele garantiu a indicação de Paulo Gondin, para a Secretaria de Gabinete da Prefeitura. O vereador Galba Novaes (PL), mais votado nas eleições de 3 de outubro do ano passado, se articula em silêncio. Discreto já tem garantido espaço no segundo escalão da Prefeitura. Entre os órgãos mais visados para os vereadores estão a Secretaria Municipal de Infra-estrutura e a Assistência Social. O detalhe é que uma é dirigida pela vice-prefeita e arquiteta Lourdinha Lyra e a outra pela médica Ivone Torres, respectivamente. Ambas são apontadas como técnicas e não abrem espaços em sua equipe apenas para acomodações políticas, postura apoiada por Almeida.|MR