Política
Já tenho o domínio da administração
Luiza Barreiros Repórter O prefeito Cícero Almeida chega hoje aos primeiros cem dias de governo disposto a comemorar. Para ele, sua gestão na Prefeitura de Maceió está conseguindo fazer a diferença em relação ao governo passado e os ajustes que estão sendo feitos na máquina administrativa estão sendo reconhecidos pela população, que lhe deu 68% de aprovação, numa pesquisa encomendada pelo governo. Na última quinta-feira, Almeida recebeu a Gazeta em seu gabinete e concedeu a entrevista a seguir. Gazeta - Governar uma cidade como Maceió está sendo como o senhor imaginava? Almeida - Eu não tinha programado isso pra mim. A sociedade assim entendeu e logicamente, dentro da política eu estou aprendendo a cada dia, ganhando mais experiência e confesso que eu já tenho, graças a Deus, o domínio da administração. Aquilo que eu temia, hoje já estou à vontade para tomar qualquer decisão e fazer uma avaliação geral de tudo que está sendo feito e do que possa ser feito ainda dentro da administração, não só por mim, como também por meus secretários. Se existia dúvida nos primeiros 40 dias, hoje eu não tenho mais. - Na primeira reunião com seu secretariado, antes mesmo da posse, o senhor prometeu um choque de auto-estima para a cidade e para a população nesses ??? primeiros dias. Onde esse choque pode ser sentido? - Nós colocamos 12 mil crianças na sala de aula, inauguramos o segundo centro odontológico do País no PAM Salgadinho, recuperamos alguns postos de saúde e reabrimos um, fechado há mais de seis meses no bairro do Jacintinho. Já fizemos a pavimentação das avenidas Dona Constança, Penedo e Siqueira Campos. Fizemos um carnaval belíssimo e assinamos um convênio para vinda de vôos de Portugal para Maceió. Na Procuradoria, encontramos 320 mil ações contra a população, inclusive para cobrança de R$ 10,00. Assinamos um convênio com o Tribunal de Justiça para amenizar essa situação. Recuperamos o terminal do Benedito Bentes, colocamos mais 17 ônibus à disposição da população no bairro e essa semana determinamos que outros 33 que estavam parados há mais de dois anos na garagem da Real Alagoas fossem colocados em circulação. Ainda suspendemos as atividades da empresa de transporte coletivo Sorriso, que vinha contrariando a população. Com os primeiros cortes feitos no Orçamento, vamos economizar mais R$ 2,5 milhões. Fizemos a discussão do Plano Diretor com a sociedade, discutimos a poluição visual da cidade e acabamos com o entrave de empresários que queriam se instalar na cidade. Estamos em andamento na construção de um grande hotel no Mirante da Sereia, num investimento de mais de 10 milhões de dólares. - Mas nas ruas as pessoas não sentem as mudanças em relação à gestão Kátia Born. Estaria tudo igual. - Nós temos uma pesquisa de avaliação de nossa gestão que temos 68% de aprovação, sem que nada disso tenha sido divulgado. É apenas a sociedade que está presenciando, e daí o porque também da mudança que fizemos na nossa Secretaria de Comunicação. Trouxemos um secretário que era para estar conosco há muito tempo, que é o Marcelo Firmino, e agora a sociedade vai saber o que nós já fizemos. - A periferia está sendo privilegiada? - Nós tínhamos uma missão para com a periferia, que tem que ser cumprida. Enquanto nós estamos programando para dar início às obras da Pajuçara nos próximos 40 dias, nós já fizemos trabalhos no Benedito Bentes, Salvador Lyra, Graciliano Ramos e todo o complexo da região sul. Nós estamos dando prioridade realmente às pessoas mais carentes, que eram desassistidas em todos os sentidos. - Em que Maceió melhorou com a sua gestão? - Estamos fazendo a nossa parte, dentro do que programamos. Um exemplo é o pagamento do salário do funcionalismo público, que tinha o Cícero Almeida prefeito como um elemento nocivo. A última faixa salarial, que era paga dia 25, hoje estamos pagando no dia 5 de cada mês. Estamos capacitando os profissionais. Acabamos com a indústria de multas, com a retirada dos ?pardais?. Milhões e milhões foram arrecadados pela SMTT e não revertidos para a população, ninguém sabe como entrou, como foi aplicado, quem aplicou e por aí por diante. Aos poucos vocês vão tomar conhecimento. - O que mais o assustou nesses ??? dias? - A situação que nós encontramos em cada secretaria. Está sendo elaborado um relatório e é um compromisso meu que a população tome conhecimento do conteúdo. Tudo indica que na próxima semana, em uma entrevista coletiva, cada secretário narre a situação que encontrou na secretaria e as ações que foram implementadas. - O senhor se arrepende de ter usado as expressões escândalo e rombo em relação à gestão Kátia Born? - De forma alguma. Por que eu vou me arrepender? Se houve alguma preocupação partindo dela, a consciência dela que responda. Não tenho nada contra ela, contra a equipe dela. Apenas usei a expressão correta em relação do que encontramos na administração de Maceió e que vocês vão acompanhar na divulgação do relatório. - Mas por que até agora o teor desses escândalos não foi divulgado? - Estou assumindo com vocês que vou mostrar e depois vocês vão fazer a avaliação. - No primeiro mês de seu governo, uma agência de Pernambuco foi contratada sem licitação para fazer a campanha de IPTU, que foi às ruas com outdoors em que nomes de bairros como Vergeu e Mangabeira foram escritos incorretamente. Foi um grande erro? - Falhas e erros existem. Dentro da administração, da nossa profissão, no dia a dia, e se não existissem, não poderia haver correção. O que aconteceu com a campanha do IPTU é que nós tínhamos que colocá-la na rua para arrecadar. É tão justo que a sociedade entendeu, estamos arrecadando mais, pagando em dia, temos recursos em caixa para executar as pequenas obras que estamos querendo. Acredito que mesmo com toda a crítica que foi feita, valeu a pena ter arriscado. Mas vale salientar que a partir de agora, a gente vai trabalhar prestigiando o que é nosso. - E o fato de a agência ter sido a mesma que trabalhou na campanha eleitoral do senhor? Foi só coincidência? - Até então, nós não tínhamos uma central de licitação, que foi criada, já tem presidente e os membros. Agora tudo passa por lá. O fato de ter sido contratada de imediato uma agência de outro Estado, a pessoa que fez parte desse processo não era estranha, fez parte do processo político com a gente. Durante a campanha, toda agência publicitária daqui foi alguém. Não há como cobrar da gente, porque cada um teve um partido e um candidato. Agora a situação é outra, estamos vivendo um outro momento e vamos abrir os espaços para dividir com todos. - Em três meses, o senhor já fez várias mudanças em seu secretariado. O objetivo é deixá-lo mais com sua cara? - O objetivo é trazer para a administração pessoas que se enquadrem com o que nós queremos para um grande projeto que temos para Maceió. Aqueles que não se enquadrarem, mesmo estando hoje fazendo parte da administração, estão na iminência de ser afastados. Queremos pessoas que queiram realmente trabalhar pelo projeto e não individualmente. - A vice-prefeita Lourdinha Lyra vinha aparecendo muito da mídia e, ao mesmo tempo, o senhor se fechou no gabinete, evitou entrevistas. Nas últimas semanas, ela viajou para a Europa e o senhor vem aparecendo mais. Está gostando da mudança, o senhor pretende voltar às ruas? - Primeiro, eu não tenho a preocupação de aparecer. Tenho dez anos de televisão, todo mundo já sabe e conhece a minha cara. - Mas não é aparecer nesse sentido, mas estar à frente das ações da prefeitura... - Quero aparecer com a administração, executando obras, prestando serviço à sociedade, prestando contas do que estamos fazendo. Não tenho a preocupação de aparecer na mídia. Acho que no momento oportuno, você vai e aparece. Se a imprensa acompanhar nossas ações, vai ver que nós estamos trabalhando. Eu não fiquei encarcerado no gabinete. Apenas procurei falar menos e fazer mais. - O senhor foi orientado a pensar mais antes de sair falando? - De forma alguma. Não fui proibido de falar, não fui censurado de falar, tenho autonomia pra falar o que quero, o que acho, dentro da minha visão. Tenho conversado muito com as pessoas que estão próximas de mim. Fui muito disciplinado durante a campanha, ali eu confesso que fui disciplinado, porque se eu fosse falar o que eu queria, talvez Maceió não quisesse ouvir. - Como sobra tempo para o senhor passar duas horas, todos os dias, apresentando um programa de forró no rádio? - Sou radialista por profissão, sou alagoano de coração e prefeito graças a uma oportunidade que a sociedade me deu. Meu programa nunca me atrapalhou em nada. Fiz como vereador, como deputado e agora como prefeito. Estou atendendo um anseio de uma população que gosta de mim, estou usando um espaço que uso há 15 anos dentro da emissora e estou fazendo aquilo que eu gosto, nada mais que isso. No momento em que eu tenho qualquer emergência, tenho pessoas que me substituem. O programa não atrapalha a administração, até porque começa às seis da manhã. E não tô nele com o intuito de aparecer, até porque 26 anos de rádio, dez de televisão, são suficientes para que a sociedade me conheça. Jamais eu vou fugir das minhas origens. - O senhor falava sério quando declarou, no dia ?? de março, que não pretende ser candidato à reeleição em 2008 - Eu sempre tomei as minhas decisões. Todo meu projeto político e pessoal está nas mãos de Deus e da sociedade alagoana. - Mas o senhor disse que não era candidato à reeleição? - Seria muito prematuro dizer isso, ainda não tenho decisão. - Que nota o senhor dá ao seu governo nesses três meses? - Vou deixar que a sociedade julgue. - Mas de zero a dez, qual a sua nota? - Não, não, não quero. Eu faço questão de não dar nota nenhuma, eu quero que a sociedade dê.