Política
Na Infra-Estrutura, vice e prefeito dividem espaço
LUIZA BARREIROS Repórter Titular da Secretaria de Infra-Estrutura, a vice-prefeita Lourdinha Lyra (PTB) conseguiu dividir os holofotes do governo com o titular nesses 100 primeiros dias, algumas vezes sendo presença mais constante em eventos e nos meios de comunicação que o próprio prefeito. Quase sempre de tênis e calça jeans, a arquiteta, empresária e socialite subiu morros, comandou operações de limpeza de canais, participou de discussões sobre o Plano Diretor e o Lixão de Maceió e ainda liderou o movimento contra a demolição do prédio da Casa Rosada, na Pajuçara, que acabou sendo derrubada por ordem judicial. A vice-prefeita também mudou seu estilo nos três primeiros meses de governo: antes visivelmente insegura em solenidades e entrevistas, passou a se soltar mais e a falar com mais desenvoltura, principalmente sobre os temas que envolvem a cidade e que estão ligados à sua pasta. Ela arriscou, inclusive, criticar o fato de o governo ter fixado prazos para envio da reforma administrativa à Câmara. Alertei sobre o perigo de estabelecer prazos para conclusão do projeto, disse no final de março. No episódio de exoneração do secretário de Comunicação Luiz Dantas - que, como publicitário, trabalhava para a empresa da vice e foi indicado para o cargo por ela - Lourdinha não conseguiu convencer Almeida a mantê-lo no cargo. Uma das versões surgidas na época do afastamento seria o fato de Dantas estar projetando mais a imagem da vice-prefeita em detrimento do próprio Almeida. ### Prefeito diz como estão promessas Eixo Viário do Vale do Reginaldo - Orçada em R$ 100 milhões, vai do Poço ao Tabuleiro e inclui obras complementares de saneamento do Salgadinho e urbanização do Vale. Temos uma emenda de R$ 13 milhões do deputado federal João Lyra. Ele e a bancada estão trabalhando para que seja liberada. Quando for, nós vamos dar início à obra e isso pode acontecer, quem sabe, nos próximos 70 dias. Mas antes disso, todo o projeto está sendo discutido, inclusive o projeto que existia antes. Programa Prefeitura no Bairros Já atendemos todo o Complexo Benedito Bentes, Salvador Lyra, estamos com a região Sul (da Praça do Pirulito até o Pontal), onde há a reforma de duas praças já licitadas e que serão entregues, se Deus quiser, em 70 dias. Estamos trabalhando agora o calçamento de dez ruas na região Sul, pavimentação da rua Formosa, da Santo Antônio, Cabo Reis, todo o trabalho de desobstrução de galerias, limpeza dos canais, iluminação, tudo isso está sendo feito lá. A avenida Siqueira Campos está toda pavimentada, faltava só um trecho em frente ao Rei Pelé que a gente vai complementar Essas ações que estamos implementando nos bairros de Maceió, são ações da prefeitura. Por exemplo: estamos construindo uma quadra esportiva e reformando o terminal rodoviário do Salvador Lyra, para criar ali ao lado um complexo esportivo. Temos a pretensão de ainda este ano construir e entregar à população cinco bases da Guarda Municipal, principalmente na periferia. Polo Turístico Integrado Está dentro do projeto de governo para os quatro anos. Não é um projeto imediato. Não adianta dizer que isso é uma prioridade de imediato. Por exemplo: dentro de 40 dias nós vamos dar início a toda a recuperação da Pajuçara, começando da Atlantic até os Sete Coqueiros. É um projeto de R$ 4,2 milhões e nós já temos parte das verbas liberadas pelo Ministério das Cidades para que possa dar início. Nós só queremos ter a certeza de que será liberado em sua totalidade dentro do prazo da obra, para dar início. Mas a empresa já está sendo licitada para dar início a obra. Pronto Socorro do Tabuleiro Está dentro do nosso projeto, mas dentro dos próximos dias já estaremos construindo dois postos de saúde padrão, da forma que nós programamos para a administração: um no Jacintinho e outro na Grota do Arroz. Centro de Educação para a Cidadania Trata-se de um projeto também. Mas enquanto a administração anterior colocou menos de 12 mil crianças na sala de aula nos últimos quatro anos, nós já colocamos 10 e vamos colocar mais 2 mil até maio. Programa Vida Segura nas Grotas Já implementamos algumas ações. Por exemplo: prevendo as chuvas que aconteceriam, retiramos mais de 70 famílias das grotas, através da Infra-estrutura e da Defesa Civil. Protegemos por um certo tempo, não aconteceram as chuvas, essas famílias retornaram e estamos construindo 200 casas dentro do Plano Emergência. Já existe verba para isso liberada ainda na gestão passada, quando foram liberados R$ 8 milhões. Nós estamos prestando conta dos recursos para buscar os outros R$ 4 milhões. As casas não estão no padrão que queremos para a Administração, mas estão no padrão que da Caixa Econômica Federal. Há a expectativa de construir mais 200, mas o município não tem terrenos, os que existem são do Estado, dentro do município. Já estamos discutindo com o governador para haver uma parceria para o governo entrar com os espaços que tem e nós com a infra-estrutura e as habitações. Nós pretendemos construir no mínimo 2.500 habitações dentro dos próximos 12 meses para que a gente possa acabar com as três principais favelas: Jaraguá, Dique Estrada e a Cidade de Lona. Aterro Sanitário Não vou revelar, mas em menos de 50 dias vocês terão uma grande surpresa Restaurantes Populares Inicialmente houve uma discussão sobre quem ficaria com o restaurante, mas depois disso, foi dada seqüência à obra e a administração será do Soprobem com parceria do município. |LB ### 100 dias sem partido, apesar do assédio Eleito pelo PDT, ele anunciou que deixaria partido no dia 18 de dezembro do ano passado, depois de ter sido praticamente expulso da legenda, por conta de uma confusão durante a partilha dos cargos na administração municipal. Insatisfeito com o tratamento dado ao PDT - que ficou fora da equipe de transição e não foi ouvido nos acordos para loteamento de cargos -, o presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, pediu a saída de Almeida, a quem chamou de Judas. Recebeu convites do PTB, PFL, PP e PPS, todos de sua base aliada. Mas não decidiu por nenhum deles. Na semana passada, ele deixou claro que seja qual for o partido que venha a ser escolhido, a exigência é que ele se torne presidente do diretório municipal ou estadual da sigla. Segundo ele, a preocupação não é só com o título de presidente. Da mesma forma como qualquer político tem os seus projetos, eu também tenho. Tenho equipe, grupo de amigos, secretários competentíssimos, pessoas que pensam também em um projeto político futuro, querem me acompanhar na Câmara de Vereadores, amigos dentro da Assembléia, disse. E o viável é que eu não vá para um partido para ser mais um, complementou. Não ser mais um, segundo ele, significa ter poder de decisão, de opinar. É não ser um jogador contratado para cumprir as determinações de um técnico, comparou, lembrando que é prefeito de uma capital e teve quase 200 mil votos. |LB ### Fase é de assimilação, diz cientista político Para o cientista político e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Alberto Saldanha, os três primeiros meses de governo de Cícero Almeida ainda estão servindo para que haja uma compatibilização entre as promessas de campanha e a dura realidade que é administrar a cidade de Maceió. Além disso, mudanças no secretariado e a dificuldade em apresentar a reforma administrativa têm contribuído para a elaboração de um imaginário de crise, apesar da expressiva bancada governista na Câmara Municipal, avaliou. Por isso, até agora, Saldanha disse poder atribuir nota seis para a gestão. O cientista político Eduardo Magalhães diz acreditar que a fase ainda é de assimilação. Como professor, sei que o aluno necessita de tempo para assimilar o conteúdo da matéria, adaptar-se ao sistema de avaliação da instituição e do professor e demonstrar um certo grau de desenvoltura na execução das tarefas que lhe sejam delegadas, disse. Para ele, não seria possível ao prefeito Cícero Almeida, já ter assimilado o conteúdo da matéria até porque trata-se de uma situação completamente nova no seu currículo político. Adaptar-se ao sistema de avaliação seria mais fácil porque quase sempre a contribuição do aluno é definitivamente passiva, compara. Já em relação à desenvoltura na execução das tarefas, na opinião de Magalhães, ainda tem se mostrado superficial. De tal maneira, ao ponto do próprio Cícero Almeida se dar conta e já ter voltado ao rádio onde domínio do conteúdo, adaptação ao sistema de avaliação e execução de tarefas são searas às quais se sente perfeitamente adaptado e onde brilha seu talento de comunicador, justificou. Ser prefeito, e muito mais ainda, ser um bom prefeito, requer muito mais do que ser um bom comunicador com as melhores das intenções, complementou.