Política
Sem-terra bloqueiam BR por oito horas
Carla Serqueira Repórter Cerca de 400 trabalhadores rurais ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT) bloquearam ontem, durante quase oito horas - das 9h às 16h45 - a BR-101, no quilômetro 63, município de Messias. Além de terra, os manifestantes reivindicavam a entrega de 1.500 cestas básicas por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os agricultores sem-terra são representantes dos acampamentos Flor do Bosque, Pedra Redonda, São Sebastião, Mumbuca e Baixa Funda, localizados entre Murici, Messias e Joaquim Gomes. As negociações tiveram apoio do Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar. O representante do Incra, João Duda, que esteve no local, explicou que as terras reivindicadas estão em negociação na Justiça e que, por isso, não poderia dar nenhuma posição aos manifestantes. Existem dois proprietários brigando pela Fazenda Mumbuca. Quando a Justiça resolver de quem é a terra, o Incra vai adquirir e repassá-la para os trabalhadores, afirmou João Duda, dizendo que as cestas básicas solicitadas estão vindo de Recife e somente amanhã serão liberadas. Segundo os integrantes do movimento, a Fazenda Mumbuca estava prometida desde o final do ano passado, e as fazendas Pedra Redonda e Flor do Bosque já deveriam ter sido entregues. Até hoje o Incra não cumpriu o acordo, e o proprietário vai entrar com um pedido de reintegração de posse, disse um dos líderes do movimento, José Severino, conhecido como Índio. Enquanto o Incra e os sem-terra não se entendiam, um engarrafamento de aproximadamente três quilômetros, nos dois sentidos da pista, revoltava os motoristas. Um caminhão dos Correios furou o bloqueio e recebeu vários golpes de foice em sua lataria. Com uma cirurgia marcada em Recife, a aposentada Maria José Leite, de 60 anos, ficou presa na rodovia até o fim da tarde. Ao invés de estar descansando para a cirurgia, estou aqui à mercê dos sem-terra. Um lado da pista só foi liberado depois que três integrantes do movimento seguiram para Maceió, no carro do Incra, para pegar 137 cestas básicas emergenciais na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A outra via só seria desbloqueada quando os agricultores retornassem com os alimentos. Na quinta-feira, dia 14, representantes da CPT vão se reunir com Taylor Scopel e Deijací de Medeiros, técnicos nacionais do Incra que vieram intermediar as negociações entre o superintendente Gino César Menezes e os sem-terra de Alagoas. ### MST planeja abril vermelho em AL Petrônio Viana O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza no dia de hoje, em local e horário não revelados, uma reunião com os dirigentes do movimento em Alagoas. Na reunião serão programadas as manifestações do abril vermelho no Estado, como o período está sendo chamado pela direção nacional do MST. Ontem, o dirigente regional do movimento, José Roberto da Silva, voltou a considerar que a chegada a Alagoas dos técnicos Deijací de Medeiros e Taylor Scopel, representa uma intervenção federal do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na superintendência do órgão no Estado. Ele continua confiante de que, até o fim do prazo de vinte dias, estipulado pela direção nacional do Incra, para solucionar os problemas apontados pelo MST, o superintendente do órgão em Alagoas, Gino César Menezes, deverá ser afastado do cargo. Vamos continuar lutando por isso, comentou o dirigente do MST. Segundo José Roberto, a coordenação regional do movimento já esteve reunida com Deijací de Medeiros na última sexta-feira (08) e com Taylor Scopel na tarde de ontem. Medeiros vai participar dos trabalhos no setor operacional do Incra, enquanto Scopel trabalhará no setor técnico do órgão. O superintendente Gino César confirmou que os técnicos estão em Maceió para agilizar a pauta do MST e avaliar o andamento dos processos dentro do órgão. Quanto às manifestações que vêm ocorrendo, esperamos que corra tudo dentro da normalidade, disse.