loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Política

Política

Declaração de Lessa causa indignação

Ouvir
Compartilhar

PETRÔNIO VIANA Repórter A declaração de apoio ao projeto de transposição do Rio São Francisco, feita pelo governador Ronaldo Lessa (PDT), em Brasília, repercutiu ontem, na sessão especial da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), que teve a finalidade de esclarecer a população alagoana acerca da obra e firmar o posicionamento dos parlamentares sobre o assunto. Os deputados que compareceram à sessão demonstraram surpresa com a declaração e manifestaram suas opiniões sobre o que teria motivado as palavras do governador. O deputado Francisco Tenório (PPS), um dos idealizadores da sessão, junto com Adalberto Cavalcante (Prona), disse que, em um primeiro momento, não quis acreditar e achou que havia alguma confusão com a nota veiculada pela Agência Nordeste na noite de quarta-feira. Quanto à possibilidade de o governador ter vinculado o apoio ao projeto ao envio de recursos para as obras do Canal do Sertão, Tenório afirmou que deve ter tido alguma coisa, mesmo porque o governador não cede com tanta facilidade. Tenório considera que Lessa não estaria interessado em conseguir o apoio do governo federal para as eleições de 2006. Ele (Lessa) já diz em verso e prosa que tem o apoio do governo federal, então não precisava barganhar por isso, ironizou o deputado. O deputado Nelito Gomes de Barros (PFL) considerou um absurdo o fato de o governador defender a transposição. O governo federal quer empurrar esse projeto goela abaixo. O governador deve ter tido alguma motivação política para dar essa declaração, disse, lembrando que o povo alagoano estaria traumatizado com o Canal do Sertão, uma obra que, na opinião dele, teria consumido muitos recursos sem apresentar nenhum resultado concreto. Nelito confirmou sua posição contrária à transposição e disse acreditar que, depois da realização da sessão, a ALE terá mais argumentos para discutir o tema. O presidente da ALE, deputado Celso Luiz (PSB), acredita que as declarações teriam sido mal interpretadas, mas lembra que essa é uma posição pessoal do governador. Para ele, Lessa teria se referido a um apoio condicionado à revitalização do rio. Celso disse ainda que definiu sua posição em relação ao assunto. Depois desta sessão, posso dizer que sou contra o projeto, afirmou. O deputado federal Benedito de Lira (PP), que acompanhou a sessão, disse que a declaração feita por Lessa não muito simpática, teria sido para agradar o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Lira disse não acreditar que o governador tenha relacionado suas declarações aos recursos para o Canal do Sertão. O Canal do Sertão é uma obra, a transposição é outra, comparou. O deputado, coordenador da bancada federal de Alagoas, acredita que 99% dos deputados alagoanos são contra a proposta. O governador Ronaldo Lessa foi representado pelo secretário de Recursos Hídricos do Estado, Ronaldo Lopes. Ele tentou explicar as declarações, dizendo que Lessa aceita a proposta, desde que o rio seja revitalizado e a água seja utilizada para o consumo humano. Para o deputado Adalberto Cavalcante, Lopes não teria sido muito convincente. ### Deputados defendem revitalização A exposição do governador de Sergipe (um dos estados em que o Rio São Francisco desemboca), João Alves (PFL), em relação ao projeto de transposição, durante a sessão especial da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), foi bem recebida pelos parlamentares alagoanos. João Alves acredita que o governo federal deve revitalizar o rio, que sofre com o assoreamento, antes de pensar em transpor suas águas. ??Para viabilizar qualquer projeto de transposição, a primeira preocupação é evitar que o rio morra, e o rio está na UTI??, disse. O deputado Nelito Gomes de Barros (PFL) diz que espera que agora o Poder Legislativo possa tomar um posicionamento definitivo sobre a questão da transposição das águas do rio. Para ele, o projeto é prejudicial aos Estados de Alagoas e de Sergipe e sua viabilidade deve ser repensada pelo governo federal. Nelito apontou como alternativa para o projeto a instalação de adutoras em pontos estratégicos do Sertão. As adutoras são uma alternativa viável e têm um custo relativamente baixo, até mesmo pequeno, se comparado ao custo da transposição, comparou o deputado. O deputado alertou ainda para a possibilidade de a obra nunca ser concluída, a exemplo de outras tantas construções interrompidas no Estado. O deputado Francisco Tenório (PPS) tem a mesma opinião. Com o volume de recursos que chega para o Canal do Sertão, por exemplo, quando a obra chegar ao fim, o início vai estar destruído, alertou. O deputado Paulo Fernando dos Santos (PT), o Paulão, disse que, mesmo sendo do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é contra o projeto. Sou governo, mas entendo que a gente devia dar prioridade ao projeto de revitalização do rio, antes de pensar na transposição, disse. |PV ### Essa obra é meramente eleitoreira O convidado de honra da sessão especial da Assembléia Legislativa do Estado (ALE), realizada na fim da tarde de ontem, governador João Alves Filho (PFL), de Sergipe, explicou tecnicamente os motivos que o levam a acreditar que o projeto de transposição do rio São Francisco tem tudo para ser o maior desastre ambiental da História do Brasil. Formado em Engenharia, o governador dedica-se há 40 anos a estudar a morte de diversos rios em todo o mundo. Alves é autor do livro Transposição de Águas do São Francisco: Agressão à Natureza x Solução Ecológica, sobre as falhas que encontrou no projeto do governo federal. Na opinião dele, até o ano de 2020, as reservas hídricas do mundo chegarão ao seu limite. Para Alves, um projeto sério de transposição deve levar em conta duas premissas básicas: a revitalização do rio e o aumento da vazão dos rios afluentes. Dentre as principais falhas encontradas pelo governador no atual projeto de transposição do São Francisco, estão a despreocupação com as condições de navegabilidade, com a recuperação das matas ciliares, com o tratamento dos esgotos dos 503 municípios banhados pelo rio e com falta de atenção aos rios afluentes. Alves comentou também as vantagens trazidas pela revitalização e equacionamento hídrico integrado da bacia do São Francisco, como o aumento do potencial de geração de energia elétrica e a autosuficiência hídrica da região. O governador se disse preocupado com o fato de o projeto não considerar a revitalização e não dar garantias da continuidade da obra. Para ele, a falta de discussão com a população dos Estados envolvidos na transposição, assim como a pressa do governo federal em concluir a obra (a previsão para a conclusão) são fatos que levantam suspeitas. Essa é uma obra com um claro objetivo eleitoreiro. É tecnicamente errada, ecologicamente criminosa e eleitoreira da pior espécie, analisou o governador sergipano. João Alves alertou que a sobrevivência de alagoanos e sergipanos está em jogo. Ele justifica essa observação pela postura do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que negou a liberação de recursos para a realização do projeto. O BID negou os recursos porque seria execrado pela comunidade européia por participar de um projeto como esse, revelou. Alves disse que ainda há tempo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudar de idéia em relação à transposição. Caso contrário, Lula poderá ser julgado pela História como realizador de um desastre, afirmou. |PV

Relacionadas