Política
Lessa tenta manter Celso Luiz no PSB
| LUIZA BARREIROS Repórter Mesmo estando filiado ao PDT desde fevereiro, o governador Ronaldo Lessa pretende lutar para manter o presidente da Assembléia Legislativa Estadual, deputado Celso Luiz, no PSB, sua antiga legenda. Celso Luiz anunciou no último dia 8 que pretende deixar o PSB - ele ainda está filiado ao partido -, alegando falta de espaço político. A intenção dele seria ir para um partido pequeno, em que tivesse maior poder de decisão, já que no PSB vinha sendo preterido na escolha do nome que seria apresentado como eventual candidato ao governo em 2006 ou como vice, no caso de o senador Renan Calheiros (PMDB) sair candidato em aliança com o PSB. Ontem, o governador afirmou que há possibilidade de o deputado não sair do partido. O Luis Abílio [vice-governador e atual presidente do PSB] conversou com o Celso e ele colocou as razões que estão pesando para ele pensar em sair do PSB, mas há possibilidade de ele não sair, disse Lessa. Nós estamos tentando achar uma forma de dar a segurança que o Celso quer, que é a indicação, se for o caso do PSB indicar o vice na chapa para o governo, disse, referindo-se à composição que teria o presidente do Senado, Renan Calheiros, candidato ao governo, Celso Luiz vice e o próprio Lessa candidato ao Senado. Sob controle Lessa admitiu que, mesmo estando fora do partido, ainda discute os destinos do PSB. O fato de ter deixado o PSB não significa que eu não converse os assuntos do PSB. Seria mentira se eu dissesse isso, justificou. O governador contou, inclusive, que antes de anunciar sua decisão de deixar o PSB, Celso comunicou a ele sua posição. O mesmo não foi feito em relação ao vice-governador Luis Abílio, que disse ter ficado sabendo da decisão pela imprensa, mas que ainda assim iria conversar com o presidente da Assembléia. Acredito que o Abílio não tenha ficado sabendo porque estava na correria do dia-a-dia do governo e eu, viajando, não pude conversar com ele, minimizou o governador. A assessoria do deputado Celso Luiz confirmou ontem que na segunda-feira passada, o presidente da Assembléia conversou com Luis Abílio e a ex-prefeita Kátia Born (PSB). Na conversa, Abílio e Kátia teriam mostrado a importância da permanência do deputado na legenda e pedido que ele voltasse atrás em sua decisão de deixar o PSB. Como resposta, Celso pediu um tempo para refletir. /// Estou assumindo hoje com todo gás O governador Ronaldo Lessa participou ontem pela manhã, no Palácio dos Martírios, do lançamento da nova edição da Constituição Estadual, que foi ampliada e revisada pelo Gabinete Civil do Estado. Foi o primeiro evento público do qual participou depois de passar uma semana afastado do governo tratando de assuntos relacionados à sua saúde (fez revisão médica em São Paulo), ao governo e ao PDT, já que na terça-feira passada participou de uma reunião do partido em Brasília e na quarta, foi recebido em audiência pelo ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Ontem, o governador disse que sua saúde está quase ótima, já que melhorou da cefaléia, mas ainda está se recuperando da cirurgia feita no início de março para desobstrução de um abscesso no septo nasal. O médico disse que, como mexeram muito dentro do nariz, vou demorar seis meses para cicatrizar tudo. Então ainda continua dolorido. Melhorei muito da cefaléia, já estou há alguns dias sem ter dor na cabeça e por isso estou assumindo hoje com todo gás, afirmou. Lessa rebateu as críticas de que sua ausência crescente do governo seja reflexo da chamada síndrome do segundo mandato, no qual o governante não tem mais a mesma disposição para administrar. Gostaria que a crítica fosse dirigida à doença, justificou. Acho que Deus me deu agora de volta a saúde de que preciso para continuar trabalhando com muita vontade, complementou. Entrei com todo gás no projeto do segundo governo, com amor e dedicação. É o sentido da minha vida trabalhar, e o que vale a pena é quando eu sinto que a sociedade melhorou, que melhoramos os índices sociais, disse. Durante o discurso, Lessa voltou a responder às críticas, afirmando que acabou a pilantragem dos políticos que o antecederam. Hoje, o maior bem que o povo de Alagoas tem é a cidadania, resgatada ao longo dos seis anos de governo, disse. Alagoas conseguiu sair do triste índice de 68 mortes para cada mil crianças nascidas vivas para 29, quando a média do Nordeste atualmente é de 35, citou. ÍNDIOS Sobre os protestos feitos pelos índios, que cobram a construção de 250 casas que teriam sido prometidas pelo governo, Lessa disse que não lembrava se havia feito. Se fiz a promessa, evidentemente já passamos para a Agência de Habitação, mas esse trabalho é feito sempre em parceria com as prefeituras, disse. Lessa disse ainda que o secretário de Educação, Maurício Quintella, viajou para conversar com as tribos sobre a implantação de escolas. SEM-TERRA Em relação aos bloqueios e manifestações dos trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o governador disse que o governo não fará nenhum tipo de preparação especial para o abril vermelho. Não há como se preparar só para isso, com tantos problemas que a gente tem de ordem de segurança pública, afirmou, citando o assalto a seguranças do Alagoas Dá Sorte, ocorrido no dia anterior, na Pajuçara, e a necessidade de a segurança trabalhar protegendo a sociedade como um todo. Não podemos nos dar a esse luxo de nos preparar só para o MST. Lessa disse que não admitirá, entretanto, ações como o roubo de uma carga ocorrida na segunda-feira, em Arapiraca. Soube que parte da carga que eles haviam tirado tinha sido recuperada. Mandei a polícia atrás para recuperar o caminhão e a carga, porque isso é roubo. NEPOTISMO Sobre a proposta de Emenda Constitucional que tramita na Câmara dos Deputados, proibindo a contratação de parentes de autoridades em cargos comissionados, o governador disse considerar boa, mas disse achar que a questão é mais ética que legal. Só não pode virar doença. O brasileiro tem mania de achar que certas coisas viram panacéia e vão resolver todos os problemas do mundo, e a gente sabe que não, disse. Para ele, sempre haverá um jeito de fazer um troca-troca que garanta as acomodações. É preciso que seja feito de uma maneira muito mais ética do que legal. Há países no mundo em que a Constituição é bem pequena, não tem lei para tudo, mas há comportamentos que a sociedade respeita. A gente precisava ter isso. É bom que exista essa lei, mas muito mais voltada para a ética e a moralidade. O excesso não resolve. Complica, em vez de resolver. TRANSPOSIÇÃO Sobre a declaração de apoio à transposição do Rio São Francisco, o governador disse que quem o criticou não ouviu sua fala inteira, que impunha condições para o apoio. Apóio do mesmo jeito que o Comitê das Águas, que diz as condições com as quais concorda com a transposição, disse. Segundo ele, é necessário conhecer melhor o projeto do governo federal. A chance que se tinha, que era por meio da audiência pública, os outros resolveram não fazer, disse, dirigindo críticas a atuação da Ordem dos Advogados do Brasil, que liderou a manifestação. Acho que esse movimento [contrário] não está sendo inteligente, porque se parar a idéia de fazer a transposição, o rio não será revitalizado, não vai haver recuperação das matas ciliares nem a despoluição. Eu espero que o presidente não pare com a idéia de fazer a transposição, ela é a segurança da sociedade para a gente recuperar o rio, afirmou. Pensa assim quem ama o São Francisco e efetivamente não está com demagogia, como é o caso de políticos que estão correndo o País querendo reaparecer porque já deveriam estar enterrados, por estarem mortos politicamente. |LB