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Diretora denuncia ameaças de morte

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| ODILON RIOS Repórter A diretora pró-tempore do Centro Federal de Educação Tecnológica de Alagoas (Cefet-AL), Maria Ivone Elias Moreyra, divulgou ontem, durante entrevista coletiva, o resultado de um levantamento feito na instituição durante 100 dias de intervenção. Segundo ela, a unidade tecnológica está com uma dívida de R$ 1,2 milhão com fornecedores. Os responsáveis pelo débito formam um grupo de 30 pessoas, entre elas o ex-diretor geral do Cefet, Mário César Jucá. Nós encontramos um quadro financeiro bastante delicado, disse a diretora, que também denunciou ter recebido ameaças de morte. Até um caixa dois foi formado, com cursos que seriam oferecidos no Cefet - um espaço público - mas que seriam pagos diretamente à diretoria da instituição. Não sabemos onde foi parar este dinheiro e nem quanto foi, disse o diretor de relações empresariais, Dárcio Camerino Filho, que também participou da coletiva. Os cursos foram oferecidos entre 2001 e 2004. As revelações foram feitas no gabinete da diretora, no Cefet. Ela revelou que, antes de concluir o relatório, recebeu ameaças de morte. Saio de Alagoas no próximo semestre, mas quero sair viva, disse. Além de Mário César Jucá, o atual secretário estadual Metropolitano, ex-vice-prefeito de Maceió e ex-diretor geral do Cefet, Alberto Sextafeira, também é mencionado em um relatório da Controladoria Geral da União (CGU), porque uma empresa sua ganhou uma licitação no Cefet. A divulgação dos dados gerou uma discussão nos corredores do Cefet, no final da tarde de ontem, entre Alberto Sextafeira e Maria Ivone Moreyra. Sextafeira é considerado o padrinho político de Mário César Jucá no Cefet. Parcelamento As dívidas divulgadas ontem pela diretora do Cefet foram constatadas nos balanços financeiros do ano passado, mas os débitos se arrastam desde 1999. Essa dívida foi acumulada durante anos, destacou. Maria Ivone Moreyra disse que vai encaminhar o relatório sobre os 100 dias de sua gestão ao novo Conselho Diretor do Cefet, que terá o poder de decidir para qual órgão federal o documento deverá ser encaminhado para investigações. Só com a Companhia Energética de Alagoas (Ceal) o Cefet tem uma dívida de R$ 460 mil. Maria Ivone Moreyra disse que um acordo está sendo feito com a diretoria da Ceal para o parcelamento do débito. A Xerox do Brasil também tem dinheiro a receber do Cefet: cerca de R$ 100 mil. O Cefet deve até para fornecedores de revistas, resumiu ontem, na entrevista. A gestão anterior é responsável por essa dívida, dizia a diretora. Mesmo evitando citar nomes, a diretora atacou a antiga administração, que até outubro do ano passado, estava sob o controle de Mário César Jucá: Houve falta de planejamento. É como se a instituição fosse um bem privado e não público. Havia a idéia de impunidade. Em parte, houve má-fé, apontou. /// MEC deveria ter vindo há mais tempo Durante a conclusão do relatório sobre a situação do Cefet, a diretora pró-tempore Maria Ivone recebeu uma mensagem, da internet para o seu celular, que, segundo ela, foi uma ameaça de morte. A mensagem era bem nordestina. Dizia que eu deveria vestir uma roupa difícil de colocar e de tirar para que eu assim ficasse mais calma, descreveu. A ameaça foi recebida no dia 16 de março, mas ela só denunciou o caso à Polícia Federal (PF) há cerca de duas semanas. Fiquei um mês agüentando isso. A PF tentou rastrear a mensagem, mas não deu para achar quem foi que fez isso. Segundo informou o assessor de comunicação da PF, Fábio Francioly, a diretora esteve na instituição, mas não foi feito um interrogatório nem aberta uma investigação. Foi feito um expediente e estamos analisando a possibilidade de segurança pessoal para a nova diretora. A decisão será tomada em conjunto com ela, informou. O delegado da PF que cuida do caso é Fernando Castro, da Delegacia Institucional. Maria Ivone fica até o segundo semestre em Alagoas. Isso porque, quando veio ao Estado em janeiro, sua função era a de organizar o Cefet para a eleição do diretor-geral, prevista para maio. Ontem, ocorreu a escolha dos conselheiros que irão conduzir o processo eleitoral. Fazendo um balanço sobre os 100 dias de sua gestão, ela reclamou do Ministério da Educação (MEC): O MEC deveria ter chegado há muito tempo em Alagoas, afirmou, lembrando que desde 1999 a Controladoria Geral da União (CGU) apontava supostas irregularidades no Cefet. Os funcionários do MEC não valorizaram o que estava sendo indicado pelos relatórios da CGU, informou. Maria Ivone pertence ao Cefet de Goiânia, mas está em Alagoas desde o começo de janeiro. Em 100 dias à frente do Cefet de Alagoas, Maria Ivone disse que, além de ter feito um acordo com a Ceal sobre os débitos na instituição, começou a rever o pagamento de diárias, que estavam atrasadas, e disse estar economizando, por mês, R$ 10 mil com a Ceal. Além disso, está tentando reativar o campus avançado do Cefet em Xingó, que foi desativado e está com uma dívida de R$ 160 mil com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf). A Chesf ficou interessada em reativar a extensão do Cefet, disse. Eleição No começo da noite de ontem, ainda não estava definido quem faria parte do Conselho que vai conduzir as eleições do novo diretor-geral na instituição. São 14 vagas, preenchidas por servidores efetivos do Cefet. Ainda ontem, existiam informações que o ex-diretor Mário César Jucá lançaria um candidato para concorrer ao cargo de diretor-geral, mas nada estava confirmado. O processo eleitoral está previsto para acontecer em maio. /// Sexta fala em processo; Jucá some É quanto o Cefet deve a Xerox do Brasil, sem contar outros débitos O secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira, disse por telefone ontem, à Gazeta, que quer a verdade dos fatos: Quero a verdade. Tenho documentos que comprovam que não tenho nada a ver com isso, alertou. Segundo ele, o Tribunal de Contas da União (TCU) julgou regulares suas contas no Cefet. O secretário Metropolitano afirmou que não tinha nenhuma responsabilidade sobre a gestão de Mário César Jucá no Cefet, porque saiu da direção da instituição em 1996. Só posso responder até 1996. Em 1999 foi outra direção, justificou. Ele ainda chamou Maria Ivone de irresponsável por ter citado o seu nome em supostas acusações no Cefet, e classificou: Isso me deixa perplexo porque todas estas questões referentes ao Cefet foram bem abordadas. No final da tarde de ontem, Sextafeira esteve no Cefet e discutiu com Maria Ivone. Enquanto estavam reunidos, Sextafeira e Maria Ivone ligaram para a Gazeta para esclarecer alguns pontos abordados na entrevista coletiva, mas ambos já discutiam por telefone. Pouco depois da ligação, a reportagem tentou falar com a diretora pró-tempore, e era possível escutar ambos discutindo nos corredores da instituição. Depois da discussão, Sextafeira disse que iria processar Maria Ivone; a diretora respondeu que não tinha medo. Ele chegou aqui gritando, acha que alguém tem medo?, perguntou à reportagem, que esteve no início da noite no Cefet. Sumido A Gazeta tentou, durante o final da manhã e o início da noite, localizar o ex-diretor do Cefet, Mário César Jucá. Seu irmão, Mário Jorge Jucá, informou que o ex-diretor estava em Salvador, na Bahia, fazendo doutorado. Não foi o que foi informado à Gazeta por funcionários do Centro de Educação Tecnológica (CET), na Serraria, onde o ex-diretor do Cefet é o atual diretor da instituição. Ele esteve no meio da tarde na instituição. Sextafeira foi diretor do Cefet e atualmente é professor da instituição. Ano passado, durante a campanha eleitoral, era comum encontrar Sextafeira e Jucá juntos, em carreatas. O ex-diretor do Cefet costumava se esconder quando a imprensa tentava ouvi-lo sobre as denúncias que surgiam sobre a instituição, durante a eleição. O caso Cefet foi bastante abordado na campanha pelo então deputado estadual e candidato a prefeitura, Cícero Almeida. /// RESULTADO 1,2 milhão É a dívida deixada no Cefet pela administração de Mário César Jucá PENDURA 460 mil É a dívida da instituição com a Companhia Energética de Alagoas NO PREGO 100 mil

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