Política
Lessa filia, enfim, primeiros pedetistas
ODILON RIOS Repórter Com três meses de atraso e adiada quatro vezes, a festa de filiação dos novos pedetistas alagoanos foi realizada ontem, apesar dos rumores de que o estado de saúde do presidente estadual do PDT, Geraldo Sampaio, teria piorado. Qualquer médico vai dizer que o período de recuperação do meu pai é demorado. Em 60 dias ele estará de volta ao batente, disse Eugênio Sampaio, filho de Geraldo Sampaio e secretário de Turismo. Segundo ele, Sampaio está bem e tem tomado banho de piscina e de mar. As especulações em torno do estado de saúde de Sampaio têm partido de membros do próprio Palácio Floriano Peixoto, que alegam dificuldades em visitar o dirigente pedetista. Sampaio está isolado desde que retornou de São Paulo, há três semanas, onde esteve para tratar uma inflamação crônica no fígado. Ontem, o governador Ronaldo Lessa (PDT) comentou a doença de Sampaio. O que aconteceu é grave porque depende do comportamento [do presidente do PDT]. Essas coisas de regime têm de ser seguida à risca, disse. Nosso problema é que somos indisciplinados demais, acrescentou. Discreta Apesar de ser considerada uma filiação discreta, a festa do PDT lotou um auditório do hotel Ponta Verde, no bairro de mesmo nome. Entretanto, o número de filiados foi bem menor do que se especulava, quando do ingresso de Lessa no partido, no início de fevereiro. À época, cogitava-se a entrada de mais de dez prefeitos, outro tanto de vereadores, além de deputados estaduais. As primeiras fichas assinadas ontem foram as da secretária de Articulação Política, Fátima Borges, do Gestor de Articulação Colegiada, Pedro Alves, dos prefeitos de Minador do Negrão, Emílio Barros (PSB), e de Penedo, Marcius Beltrão (PSB), além do secretário de Comunicação, Joaldo Cavalcante. Borges e Alves ingressam no partido com a tarefa de conversar com os vereadores e prefeitos do PSB no interior alagoano, a partir da semana que vem. O governador Ronaldo Lessa tentará convencer deputados estaduais a entrar no PDT. Apesar de Lessa ter anunciado o nome de alguns parlamentares, como Alves Correia (PTB), Adalberto Cavalcante (Prona) e Zé Pedro da Aravel (PSDB), tudo depende, agora, do presidente da Assembléia Legislativa, deputado Celso Luiz - aliado do governador - que anunciou a decisão de deixar o PSB podendo levar consigo vários colegas. Apesar de os nomes serem mantidos a sete chaves, Celso Luiz diz que entre cinco e dez deputados poderão acompanhá-lo ao seu novo partido. Ainda assim, o governador alagoano anunciou uma nova festa de filiação na capital, para a semana que vem, e outra no município alagoano de Penedo. O objetivo de Lessa é atrair os vereadores da região do baixo São Francisco. Os nomes no entanto são incertos. ### Governador considera viável reaproximação com Lula A entrada do governador Ronaldo Lessa no PDT foi tema de uma conversa entre ele e o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, José Dirceu, que ocorreu esta semana em Brasília. Segundo Lessa, o encontro serviu para tentar reaproximar o PDT da base aliada do governo federal. O PT poderia sinalizar uma aproximação com os partidos. Acho melhor que isolar, disse, referindo-se a ex-aliados como PCB, PPS e PDT, que saíram do governo Lula meses depois do presidente assumir o cargo, além do P-Sol, formado por ex-petistas expulsos do partido por votar contra o governo federal no Congresso Nacional. A reaproximação aconteceria, de acordo com o governador, por meio de conversas com o próprio presidente ou intermediários governistas, como o ministro Dirceu. Lessa não adiantou qual a resposta do ministro da Casa Civil, mas não descartou uma conversa com Lula, que vem sendo anunciada pelo governador há três semanas. Eles sabem a minha posição: eu tenho defendido a independência e acho que o PDT pode ajudar o governo federal, mesmo independente, afirmou o governador, dizendo ainda: Romper com o presidente Lula e ir para a oposição não é o melhor caminho. Proponho que possamos exaurir internamente o debate para ver se a gente consegue dar uma contribuição maior a esse governo que ainda acredito, destacou o governador, evitando criticar tanto os partidos que saíram da base do governo quanto o presidente. Desde que se filiou ao PDT, em 10 de fevereiro, esta foi a primeira vez que o governador colocou em prática o plano de reaproximar PDT e governo federal, conforme missão que disse ter assumido, quando saiu do PSB, em janeiro. Nacionalmente, o PDT rompeu com o presidente reclamando da política econômica e da reforma trabalhista, que cortaria direitos dos trabalhadores. Entrando no partido em 10 de fevereiro, o governador assumiu para si a tarefa de atrair o Palácio do Planalto da sigla, mas a cúpula nacional do partido, em março, por meio de convenção, voltou a reforçar a oposição ao governo e acirrou as críticas à área econômica. Há duas semanas, em declaração à Gazeta, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, disse que o partido não se nega a conversar, desde que o governo mude a política econômica, especialmente no quesito juros altos. As declarações de Lessa foram dadas ontem pela manhã, no hotel Ponta Verde, antes da filiação de novos membros no PDT alagoano. Em discurso aos novos pedetistas, apesar de evitar as críticas, foi compensado pelo secretário de Educação, Maurício Quintella, também do PDT, que reclamou do tratamento do governo com o Estado, mas sem entrar em detalhes. |OR ### Quem está contra, tem que sair O governador Ronaldo Lessa disse ter sido a maior vítima da exoneração do diretor do Museu da Imagem e do Som (Misa), José Márcio Passos. Se você tem um cargo de comissão e não concorda com o governo e está contra o governo, tem que sair. A maior vítima disso fui eu, disse Lessa. Passos foi exonerado na quinta-feira, depois de ter lido uma carta do capitão Carlos Buriti, denunciando a falta de estrutura no Corpo de Bombeiros. A carta foi lida na última terça-feira, antes da abertura do show do cantor Edson Bezerra, no Teatro Deodoro, dentro do projeto Teatro é o Maior Barato. Por ter manifestado solidariedade ao oficial, o músico também teria recebido retaliação. Na carta, distribuída à imprensa no começo da semana passada, Buriti apontava possíveis falhas existentes na corporação e susposta falta de condições de funcionamento das viaturas e dos equipamentos. Pelas críticas, endereçadas ao governo do Estado, o capitão e também o major Paulo Marques foram punidos com oito dias de detenção na Quartel Geral da Corporação. |OR