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Ministro nega discriminação a Alagoas

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ODILON RIOS Repórter Em visita ao Estado, na última sexta-feira, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, ajudou no lançamento do livro Viçosa de Alagoas, do escritor Alfredo Brandão, mas, antes do evento, falou à GAZETA sobre política, ministério, seca e sucessão estadual em 2006. Gazeta - Ministro, semana passada, em entrevista à GAZETA, o senador Eduardo Suplicy demonstrou solidariedade ao senhor. Acredita que esteja sendo discriminado pelos próprios petistas no governo? ALDO REBELO- Sou grato à solidariedade, mas esse episódio está superado e ele ocorreu pela legitimidade que tem qualquer partido, inclusive o PT, de reivindicar qualquer ministério do governo Lula. Como identifica essa insatisfação de membros petistas com o senhor? Não identifico uma insatisfação, mas uma reivindicação, legítima, do partido em fazer a coordenação política do governo. Não vejo isso como problema e sempre disse que essa decisão é do presidente da República. Acredita que depois da defesa do presidente do PTB, Roberto Jeferson, sobre as acusações nos Correios, deixaram o senhor mais fortalecido no governo? Não sei analisar. O ministro tem que estar com o respaldo do presidente Lula. Enquanto ele julgar que eu tenho a contribuir no governo, vou contribuir. Acho que vou fazendo o meu papel: construir dia a dia a base de sustentação do governo. Está difícil amarrar a base do governo? As dificuldades são normais. O governo tem maioria na Câmara. No Senado, o governo não teve e não tem. Construir a maioria no Senado e manter a maioria na Câmara é o maior desafio que eu tenho. O senhor pensou em desistir da Coordenação Política? Olhe, não podemos pensar em desistir. Tenho o compromisso com o presidente da República e com o governo e devo ficar em minha função enquanto isso for útil ao governo e ao país. Existe um cenário de discretas críticas do presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB) ao governo Lula. Essas críticas são justas? O senador, como líder do PMDB e presidente do Congresso, tem dado reiteradas manifestações de solidariedade ao presidente Lula, ao governo e ao PT. As críticas são naturais porque os partidos e as instituições podem realizar suas críticas como forma de contribuição com o governo. PMDB e PT, além do PCdoB, caminham juntos em 2006? Trabalhamos para que isso aconteça. Procuramos buscar um caminho que permita que o o PT, o PMDB, o PCdoB e outros partidos estejam juntos com o presidente Lula. Só que está existindo debandada de partidos da base, como PPS, PDT, PCB e semana passada o PV. Por que isso acontece? As dificuldades para fazer maioria com tantos partidos e onde os partidos não têm uma hegemonia definida, nem o partido alcança sequer 20% dos votos, essa dificuldade é natural, mas faz parte da democracia. As críticas desses partidos são justas? Não creio. As críticas integram a vida democrática. Quando estávamos na oposição, também criticávamos o governo, e é natural. O que não se pode admitir é que a crítica resvale para o caminho da desqualificação ou para o namoro com o golpismo. Esses partidos tinham essa proposta golpista? Não identifiquei. Mas, há atividades isoladas, manifestações que não são de quem procura preservar a vida democrática. Alguns desses partidos são saudosistas em relação à ditadura militar? Não diria saudosistas. Diria que algumas personalidades são saudosistas de um estilo de política intimidatória, que hoje no Brasil não cabe mais. Apesar de Alagoas possuir tantos alagoanos em cargos ou funções estratégicas no governo federal, o que o Estado ganhou até hoje? Não quero falar das personalidades atuais. Julgamento das personalidades pertencem à história. O Brasil reverencia os feitos de heróis brasileiros, como Zumbi dos Palmares, Floriano Peixoto, Marechal Deodoro e outros. Não saberia dizer se isso é medido em dinheiro, mas é importante para Alagoas e para o Brasil também. Tanto prestígio para o Estado parece que não atraiu as verbas para a seca. Há discriminação? Por que houve demora? Não há discriminação. O presidente tem grande estima pelo senador Renan, pelo governador Ronaldo Lessa. O Estado tem recebido os repasses atraibuídos aos estados e recursos na área social. Esse ano vamos inaugurar um aeroporto, inteiramente com verbas federais. O presidente assegurou recursos para o Canal do Sertão, para o Pratagy, abrindo um campus da Ufal em Arapiraca. Enviamos para quatro estados do Nordeste recursos para o ensino básico. Creio que tenha recebido, talvez não na razão do seu merecimento, mas tem recebido. Houve erro ou demora no envio dos recursos para a seca? Não houve erro, mas demora. Marquei as audiências da prefeita Rosiana [Beltrão, presidente da Associação dos Municípios Alagoanos] com o ministro [da Integração Nacional, Ciro Gomes]; está marcada audiência com o presidente Lula. Sabe-se que deve existir um processo de qualificação. Não digo que isso ocorreu ou ocorre ou vai ocorrer, que é a indústria da seca. Então, o governo federal toma medidas preventivas para liberar os recursos. O senhor diz que não é candidato ao governo alagoano. É uma posição irredutível? Não tenho porque cogitar projetos eleitorais, porque Alagoas tem suas lideranças e seus quadros políticos. Como o senhor analisa a eleição em 2006 em Alagoas? Não acompanho, mas sei que existe uma liderança forte, que é a do senador Renan Calheiros. Acho que isso torna a candidatura dele viável. O presidente Lula tem simpatia por ela. O senhor acredita que Renan Calheiros concorra ao governo? Isso é uma decisão dele. Condições para isso ele tem de sobra.

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