Política
Mais seis pessoas são indiciadas pela PF
PETRÔNO VIANA Repórter A Polícia Federal (PF) divulgou ontem a relação dos novos indiciados no inquérito que investiga o desvio de verbas destinadas à compra de merenda escolar pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) em Alagoas. Segundo a assessoria de comunicação da PF, Jorge Fernandes Pedrosa Barbosa, Djalma Augusto de Moraes, Welton de Vasconcelos Araújo, Carlos André César de Miranda, Francisco Assis de Oliveira e Luciano Holanda Pinheiro foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro e agiotagem. Os indiciados são acusados de colaborar com o funcionário da Caixa Econômica Federal (CEF) José Carlos Batista, apontado como agiota que repassava dinheiro a juros aos prefeitos recebendo cheques das prefeituras como garantia. Os seis irão responder ao inquérito em liberdade. José Carlos Batista continua preso na carceragem da PF. A PF não quis anunciar novas prisões ou indiciamentos, mas na semana passada, informações passadas à imprensa davam conta de que quinze pessoas poderiam ser indiciadas até amanhã. Até agora já são 41 o número de indiciados. Dos 31 presos na Operação Gabiru deflagrada no dia 17 deste mês, 19 continuam detidos. Desse total oito são prefeito e quatro ex-prefeitos. Os prefeitos presos são Marcos Paulo do Nascimento, de Matriz do Camaragibe; Cícero Cavalcante, de São Luís do Quitunde; Paulo Roberto Pereira, o Neno, de São José da Laje; Carlos Eurico Leão, o Kaíka, de Porto Calvo; Fábio Lira, de Feira Grande; José Hermes de Lima, de Canapi; Danilo Dâmaso, de Marechal Deodoro e Neiwton Silva, de Igreja Nova. Os ex-prefeitos acusados de envolvimento no esquema sãoJorge Dantas, de Pão de Açúcar, José Valter de Azevedo, de Ibateguara, José Aderson da Rocha, de Japaratinga e Rafael Torres, de Rio Largo, apontado como líder da quadrilha, maior beneficiário do esquema. Na semana passada, oito acusados de envolvimento no esquema forma libertados pela PF. O ex-prefeito de Maragogi, Fernando Sérgio Lira, as secretárias de Rafael Torres, Jussara Martins e Cristina Campos, o empresário Luiz Antônio Grossi, o funcionário da CEF, Leopoldo Araújo, Ângelo Márcio Brandão, motorista de Torres, e os assistentes de Francisco Erivan dos Santos, o número 2 do esquema, José Erasmo de Azevedo e Derivande Barbosa. A justificativa da PF para a liberá-los foi não ter encontrado, até o momento, elementos suficientes para determinar o grau de envolvimento dos acusados no esquema. Outros acusados já haviam sido libertados anteriomente por terem colaborado com as investigações da PF. Teógenes Marques Gameleira Júnior, responsável por fornecer notas fiscais frias e elaborar processos licitatórios fraudulentos; Heleno Machado, que coletava recursos desviados; Wilma Araújo, acusada de agiotagem com cheques desviados pelo esquema; e Edmilson Ribeiro Guimarães, fabricante e fornecedor de notas fiscais frias tiveram sua libertação autorizada, no dia 20 de maio, pelo desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal RegionaL Federal da 5ª Região, em Recife. Esquema As investigações que serviram de base para a decretação da prisão temporária de 31 pessoas levantaram fortes indícios de que Rafael Torres utilizaria empresas legalmente constituídas para direcionar licitações. Além disso, ele atuaria forjando documentação fiscal para justificar despesas públicas inexistentes que encobriam desvio de verbas federais destinadas aos municípios. De acordo com as investigações feitas até o momento da decretação das primeiras prisões, na estrutura da organização criminosa, Rafael Torres agiria fazendo contato e cooptando servidores e políticos para participar das atividades ilícitas do grupo. Ele também seria o responsável pela cobrança e coleta do dinheiro desviado e das propinas recebidas. Também seria o coordenador das atividades de lavagem de dinheiro, executadas mediante extensa rede de agiotagem. Segundo a investigação da PF a ex-secretária da Suevit (empresa também conhecida como Torres e Queiroz), Jussara Martins Lira (demitida em abril passado) e a funcionária Cristina Maria Campos, atuariam como emissárias e coletoras de dinheiro. Elas tinham contato com os prefeitos e secretários que iam à empresa. O motorista de Rafael Torres, Ângelo Márcio da Silva Brandão, também foi apontado como coletor de verbas do esquema e laranja utilizado pelo empresário nas licitações forjadas. Contra Cristina Maria Campos ainda pesa a acusação de ter participação nos lucros das licitações vencidas, quando era ela quem conseguia convencer o prefeito a comprar na Suevit ou na K.O. Santos, empresas mantidas por Rafael Torres. O contador das empresas de Rafael Torres, Teógenes Marques Gameleira Júnior, seria o responsável por dar uma aparência de legalidade aos negócios ilícitos do grupo. Ele teria a colaboração de João Inácio da Silveira, controlador de diversas firmas fantasmas e proprietário da Grafite Papelaria, responsável pela emissão de notas frias para a organização. A investigação também teria descoberto que o homem considerado o braço direito de Rafael Torres é José Arnon Dacal Mattos Nunes. Ele serviria de elo entre Rafael Torres e políticos do interior do Estado. ### Rosiana Beltrão faz visita misteriosa A presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA) e prefeita de Feliz Deserto, Rosiana Beltrão (PMDB), esteve no fim da tarde de ontem no prédio da Polícia Federal acompanhada do secretário extraordinário de Articulação Política do Estado, Pedro Alves, e da secretária da Célula de Articulação, Fátima Borges. Na entrada do prédio, Rosiana não quis revelar o motivo da visita e pediu para conversar com a imprensa quando estivesse de saída. No entanto, às 18h30, quando deixou o prédio, ela preferiu esconder-se dos repórteres e sair por um portão lateral de acesso ao prédio. A presença de dois secretários de Estado no prédio da PF provocou curiosidade, principalmente com a divulgação na manhã de ontem da notícia de que o secretário de Educação do Estado, Maurício Quintella, não iria aceitar o convite da PF para prestar esclarecimentos sobre as negociações entre a secretaria e a empresa Torres e Queiroz, controlada pelo empresário e ex-prefeito de Rio Largo, Rafael Torres, acusado de chefiar o esquema de desvio de verbas federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Básico e Valorização do Magistério (Fundef). A impressão deixada pelo grupo, principalmente pela recusa em falar sobre os motivos da visita, foi de que o assunto era mesmo o depoimento de Quintella, que deverá ser marcado para um dia e horário de escolha do secretário, que é deputado federal licenciado e, por esse motivo, teria direito a foro privilegiado para ser ouvido. Essa é a segunda vez que a presidente da AMA, Rosiana Beltrão, visita a sede da PF, onde estão presos oito prefeitos e quatro ex-prefeitos, acusados de envolvimento no esquema de corrupção. Na primeira visita, Rosiana foi prestar solidariedade aos colegas e ouvir o posicionamento dos investigadores da PF. Na quinta-feira passada, o desembargador federal Marcelo Navarro, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, decretou a prisão preventiva de 19 envolvidos no esquema de desvio de recursos públicos, entre eles, prefeitos e ex-prefeitos indiciados - exceto o ex-prefeito de Maragogi, Fernando Sérgio Lir - além de empresários e secretário municipais. Fernando Sérgio Lira deverá continuar sendo investigado pelo Ministério Público Estadual, por estar supostamente envolvido em irregularidades com verbas estaduais, e não federais, o que teria justificado sua liberdade pela PF. No dia seguinte à deflagração da Operação Gabiru, a presidente da AMA concedeu uma entrevista coletiva para divulgar o posicionamento da entidade com relação às acusações feitas contra seus membros. Ela garantiu que a AMA não protegerá prefeitos corruptos, mas que é preciso que se esclareça a verdade dos fatos antes de fazer qualquer julgamento. A entidade quer ver os fatos esclarecidos e apurados. Depois disso, cada um terá que responder pelos seus atos se tiver culpa, disse naquele dia. Rosiana Beltrão não quis discutir o mérito da investigação e as razões que teriam levado os prefeitos a serem presos. Quem for inocente vai sair e quem não for vai responder pelos seus atos, disse. Durante a coletiva, a presidente da AMA afirmou várias vezes que o papel da entidade não é defender os prefeitos individualmente, mas sim os interesses comuns dos municípios. Somos prefeitos, estamos solidários com as famílias que viram pela televisão, em rede nacional, aquela humilhação por que passou o prefeito escolhido pela população, argumentou. A presidente da AMA criticou duramente a forma utilizada pela Polícia Federal para prender prefeitos e ex-prefeitos. Para ela, antes de serem presos em suas casas e conduzidos algemados à sede da PF, os prefeitos teriam de ter sido chamados para apresentar suas defesas. Segundo ela, por terem endereço fixo, os prefeitos não poderiam ter sido abordados de forma humilhante. A presidente da AMA disse, ainda, que preferia acreditar que as irregularidades atribuídas a prefeitos no que diz respeito à prestação de contas de recursos federais se devem muito mais à falta de preparo técnico dos funcionários que a má-fé dos prefeitos e secretários. A visita feita ontem pela prefeita Rosiana Beltrão foi cercada de mistério. A prefeita, normalmente disposta a fazer declarações à imprensa, não quis informar o que havia motivado seu deslocamento ao prédio da PF, no bairro de Jaraguá. A assessoria da prefeita, quando questionada sobre os motivos da visita, demonstrou surpresa ao tomar conhecimento de que ela encontrava-se no prédio e disse que a prefeita deveria estar em Feliz Deserto. A assessoria de Pedro Alves disse que o secretário já havia se retirado do prédio cerca de meia hora antes disto realmente ocorrer. A expectativa agora é de que o depoimento do secretário Maurício Quintella já esteja agendado. |PV