Política
Cabeça de adjunto é colocada a prêmio
Um acordo firmado em março entre o presidente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pode custar a cabeça do superintendente adjunto do instituto em Alagoas, Marcos João Lisboa. A idéia vem sendo avaliada pelo superintendente do órgão, Gino César, e próprio Marcos João estaria disposto a aceitar a exoneração, para selar o entendimento entre o Incra e a direção do MST e evitar a queda de César, como defende o movimento. Marcos João é o segundo homem na escala do Incra alagoano O coordenador nacional do MST em Alagoas, José Roberto, disse que a exoneração de Marcos João era um assunto velho. Ele descartou a possibilidade de acordo com a direção atual da superintendência, a não ser que todos os diretores sejam exonerados. Em novembro do ano passado, o Gino bateu na mesa e disse que se o Marcos João saísse, ele também sairia, disse. Segundo apurou a Gazeta, o Incra acredita que a manutenção de Marcos João no cargo compromete a imagem de Gino César, o que inviabilizaria o diálogo com o MST. Em 28 de fevereiro, o MST invadiu a praça Sinimbu e tomou o prédio do Incra. Pediam a cabeça de Gino César e mais quatro diretores. No dia 30 de março, o presidente nacional do Incra esteve em Alagoas e negociou a desocupação do prédio e a saída do MST da praça. Durante a negociação, o MST teria pedindo a exoneração de Marcos João, apontado no Incra como o principal foco de confusão com o MST. Três meses depois da ocupação do MST na capital, o acordo estaria a todo vapor no gabinete de Hackbart, em Brasília. Contactada pela Gazeta, sua assessoria disse que checaria a informação, mas, até o fechamento desta edição, não foi dada resposta. O sinal verde para o acordo já estaria sendo preparado no Incra alagoano. Para tentar colocar uma cortina de fumaça no caso e não alardear a exoneração, Marcos João entraria de férias, mas não voltaria a responder pela superintendência adjunta do órgão. Não se sabe para qual órgão ele seria remanejado. Outro lado Marcos João negou que sua exoneração fizesse parte do acordo de transição. Não foi feito acordo nenhum, nem em novembro, nem em março, resumiu. Mas, todos nós, os comissionados, estamos sujeitos a ser substituídos, se for do interesse da administração. O superintendente do Incra, Gino César, estava ontem em Brasília, entre os gabinetes de Hackbart e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto. Segundo Marcos João, estaria tentando agilizar o processo de reforma agrária nas terras das usinas Peixe e Agrisa, do grupo Nivaldo Jatobá. Seu telefone não respondia às ligações. A idéia do Incra alagoano, e que seria uma espécie de afago com o MST, é transformar uma das usinas em uma cooperativa, nos moldes da Cooperativa Pindorama, que funciona entre os municípios de Penedo, Coruripe e Feliz Deserto e é administrada por colonos. A Agrisa e a Peixe estão em boas condições de funcionamento, com rede elétrica e estradas para escoar produção de açúcar e álcool. Tem capacidade para abrigar 3.000 famílias e os investimentos, só para a construção de casas, estão em torno de R$ 15 milhões, dados do Incra alagoano. |OR