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Para Heloísa, administração virou balcão de negócios

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AGÊNCIA SENADO Brasília A senadora Heloísa Helena (P-SOL-AL) criticou na última sexta-feira em plenário a postura do governo federal que, segundo informações divulgadas na imprensa, estaria promovendo acertos com os parlamentares, por meio da liberação de emendas individuais ao Orçamento de 2004, como forma de evitar a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios. Protesto contra esse balcão de negócios sujos montado pelo governo federal com a intenção de obstaculizar a instalação da CPI. Existe algo de podre no reino da política e eles farão qualquer coisa para impedir a instalação da CPI. A imprensa apresenta detalhes sórdidos, com a participação de ilustres membros da base de bajulação do governo na Câmara e no Senado, mas eles vão acabar sendo identificados pela comissão, disse a senadora. Heloísa Helena pediu que a população utilize os meios de comunicação, como a Internet, para protestar junto aos parlamentares que não querem que a CPI seja instalada. Apelo a todos aqueles que não sujam as mãos para que enviem mensagens, para ver se os parlamentares do Congresso Nacional têm vergonha na cara, pedindo a eles que não se submetam a esse balcão de negócios sujos e não façam parte dessa quadrilha de terno e gravata. O atual governo reproduz a mesma metodologia que condenávamos, a velha promiscuidade da relação entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, enfatizou Heloísa Helena. ### Tucano e pefelista cobram explicações O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) voltou a condenar as tentativas do governo de impedir a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios. Ele citou especificamente o incentivo à retirada de assinaturas de parlamentares do requerimento que propôs a criação da comissão e a recente denúncia veiculada pela imprensa de que o Palácio do Planalto estaria liberando cerca de R$ 400 milhões em emendas individuais para parlamentares que votassem contra a CPI. Tentar abafar a instalação da CPI sob o argumento de que ela é inconstitucional por não existir fato determinado representa uma aberração jurídica, protestou Alvaro Dias, ao lembrar que alguns dos envolvidos no escândalo dos Correios foram flagrados, por câmeras escondidas, recebendo propina. Na opinião do senador tucano, a imagem e o som mostrados para todo país demonstram, por si sós, a existência do fato determinado. Alvaro Dias aconselhou o presidente da República a mudar de tática e passar a defender, de forma clara e aberta, a instalação da CPI dos Correios. Somente dessa maneira, acredita o senador, Lula poderia passar a limpo o seu governo e punir com rigor os envolvidos, indo ao encontro de nada menos do que 86% da população que, de acordo com pesquisa, deseja as investigações. O senador considera que, ao adotar essa postura, o presidente Lula da Silva estaria devolvendo esperança pelo menos àqueles que votaram nele nas eleições passadas. Alvaro Dias afirmou que CPI não representa risco para desestabilizar qualquer governo, já que, em sua opinião, a corrupção é a principal causa da desestabilização e, portanto, deve ser combatida. crise em destaque No mesmo discurso, o senador afirmou que a imprensa estrangeira está dando grande destaque à crise brasileira - com baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e denúncias de corrupção - e que isso pode até impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Explicações Na última sexta-feira, o senador José Jorge (PFL-PE) apresentou em plenário requerimento convidando o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), dar explicações sobre denúncias publicadas em alguns dos grandes jornais do país, nas quais o ministro é acusado de propor a compra de votos de deputados. As matérias - como a de O Estado de S. Paulo de sexta-feira, por exemplo, intitulada Contra CPI, Palocci abre o cofre - acusam o ministro de ter prometido liberar emendas individuais para o Orçamento de 2004 no valor de R$ 1,5 milhão para cada deputado que votar contra a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios. Isso é um absurdo nunca visto antes no Brasil, inclusive de forma explícita como está aqui. Estou convocando Palocci para ser sabatinado na CAE. Lamento que o ministro, responsável por nossa economia, e que precisa ter o respeito de todos os brasileiros, esteja entrando, por assim dizer, no mundo cão da compra de votos de deputados, afirmou José Jorge. ### Governo não pode tudo, diz Virgílio Ao criticar duramente o governo por supostas ações para impedir a instalação da comissão parlamentar mista de inquérito destinada a investigar denúncias de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), o líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM), sustentou que se a CPI for considerada inconstitucional o Brasil vai acabar constitucionalizando a corrupção. Em sua opinião, o presidente Lula pode talvez construir, por alguns momentos, uma Comissão de Constituição e Justiça na Câmara à imagem e semelhança do seu governo, mas não poderá alterar o Plenário daquela Casa. . Não fique o governo tão confiante, pensando que pode tudo e que controla o Plenário da Câmara, porque não controla nem o coração nem as mentes dos deputados deste país. Quero advertir o presidente que esse é o mesmo Plenário que elegeu Severino Cavalcanti, derrotando o candidato do PT. É o mesmo Plenário que colocou 256 assinaturas a favor da CPI, embora alguns as tenham retirado. É o mesmo plenário que derrotou fragorosamente o governo no episódio da MP 232. É o mesmo Plenário que tem obrigado o governo a fazer seguidas manobras de obstrução, típicas da minoria, ressaltou o parlamentar. Referindo-se à matéria segundo a qual o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, estaria liberando recursos orçamentários de interesse dos deputados para assegurar a derrubada da CPI, Arthur Virgílio recomendou que o ministro tenha cuidado para, com essas iniciativas, não manchar sua credibilidade nem aprofundar a crise econômica. Ele considerou gravíssimo o fato de o ministro estar se envolvendo nessas negociações. Até tu, Palocci? Essa é uma advertência que faço ao ministro da Fazenda, que tem sido tão prestigiado pela oposição brasileira. Talvez ele seja o último bastião de credibilidade desse governo, e deve imediatamente, por imposição da sociedade, por imposição do bom senso, para não aprofundar a crise econômica, se afastar de toda e qualquer manobra que esteja chafurdando em torno dessa chamada operação-abafa, sob pena de causar prejuízo ao seu desempenho de ministro e à própria economia do país, enfatizou. Má-fé No entender de Arthur Virgílio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não agiu de boa-fé com o presidente do Senado, Renan Calheiros, quando disse que ficaria isento no processo que se desenrola em torno da instalação dessa CPI. Mencionando matéria da jornalista Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo, segundo a qual Lula está otimista quanto à não instalação da CPI, o senador indagou: De que o presidente teria medo? O crime partiu do senhor Mauricio Marinho, que foi flagrado naquela situação impossível de desmentir. Ainda tem gente com a cara dura de dizer que não há fato determinado. Se aquilo ali não é fato determinado, eu não sei o que é. Falta o que para ficar mais explícito? Diante das televisões, recebendo dinheiro de propina, dizendo como é que se opera a roubalheira nos Correios... Aquilo não é fato determinado?, quis saber Arthur Virgílio.

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