Política
Dâmaso passa mal e vai para Santa Casa
PETRÔNIO VIANA Repórter O prefeito afastado de Marechal Deodoro, Danilo Dâmaso (PMDB), acusado de envolvimento no esquema de desvio de recursos para compra de merenda escolar no interior do Estado, foi internado às pressas, na madrugada de ontem, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santa Casa de Misericórdia. Segundo familiares do prefeito, Dâmaso teria começado a se sentir mal por volta das 9h da noite de segunda-feira. A médica da Polícia Federal (PF) examinou o prefeito e, como ele próprio teria dito que estava se sentindo melhor, resolveu liberá-lo. Por volta das 11h, os outros detentos começaram a fazer barulho para chamar a atenção dos carcereiros da PF. Dâmaso sentia muitas dores no peito. O departamento médico da PF foi novamente acionado e, dessa vez, optou pela trasferência para o hospital. Eram quase duas horas da manhã de terça-feira quando o prefeito deu entrada na UTI coronariana da Santa Casa. Dâmaso já fez duas intervenções cirúrgicas para realização de pontes de safena. Na primeira, foram oito artérias trocadas, e na segunda, três. A assessoria da PF comunicou que o prefeito teria segurança constante e que não seriam permitidas visitas de familiares. No entanto, a partir das 16 horas de ontem, o prefeito recebeu a esposa Simone, o filho Luciano e as filhas Michelle e Danielle, prefeita em exercício de Marechal Deodoro. A secretária de Cultura do município Jô Rodrigues também esteve no hospital para dar apoio à família do prefeito. Segundo os familiares, a informação de que o prefeito havia sido internado somente foi passada às 7h30 de ontem. Dâmaso foi submetido a exames clínicos e a um eletrocardiograma que descartaram a possibilidade de infarto. De acordo com a assessoria do hospital, o prefeito não corre risco de morte. Ele está consciente, respira sem auxílio de aparelhos e alimenta-se normalmente. Depois da visita, os familiares de Dâmaso disseram ter ficado mais tranqüilos. Eles contaram que o prefeito não sentia mais dores, estava com uma boa aparência e de bom-humor. A cardiologista Antônia Martins, responsável pelo atendimento ao prefeito, em boletim médico divulgado na tarde de ontem, informou que Dâmaso sentiu uma dor conhecida como pré-cardial, comum em pacientes que já realizaram pontes de safena. A expectativa é de que o prefeito seja transferido ainda hoje para um quarto do hospital, onde deverá ficar em observação. Somente com a evolução do quadro clínico de Dâmaso, será feita uma previsão de alta médica. Segundo informações passadas por familiares dos acusados presos pela Polícia Federal, outros quatro detentos estariam apresentando sintomas de pneumonia devido à água da chuva, que continua entrando por aberturas próximas ao teto da carceragem da PF. ### Secretário do PT tenta transferir presos O secretário de Cidadania e Direitos Humanos do governo do Estado, José Roberto Mendes Amaral, apelou, sem sucesso, ao governo federal, para tentar transferir os presos pela Operação Guabiru para a Academia da Polícia Militar de Alagoas. Nos meios policiais, o local é considerado um hotel de luxo, já que não é uma prisão, mas um alojamento utilizado por militares. O apelo foi feito por meio de um ofício enviado no último dia 3 para o secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, ministro Nilmário Miranda. José Roberto foi indicado pelo PT para ocupar o cargo de secretário no governo Ronaldo Lessa (PDT), após as eleições gerais de 3 de outubro do ano passado. No documento, Amaral afirmou que na carceragem da Polícia Federal (PF), os prefeitos, ex-prefeitos, secretários municipais e demais acusados de desviar merenda escolar estariam passando por humilhações desnecessárias e sendo desrespeitados em seus direitos individuais. Ainda no mesmo documento, José Roberto Amaral afirmou que no dia 28 de maio visitou os prefeitos presos e constatou, pessoalmente, as denúncias de desrespeito feitas a ele por familiares dos presos. Ele narrou que o espaço físico da PF não comportaria um número elevado de presos (19, desde o dia 26 de maio); que os presos estariam dormindo nos corredores; que o quadro de saúde de alguns detidos seria precário, necessitando maiores atenções que a dispensada pelos médicos da PF e que quadros de hipertensão e diabetes exigiriam uma alimentação diferenciada, o que não estiam sendo respeitado. Além disso, segundo o secretário José Roberto Amaral, os indiciados estariam sendo submetidos à humilhação de conviver no dia a dia com traficantes e de utilizar um mesmo banheiro. Ele também acusou o presidente do inquérito da Operação Guabiru, Andrei Augusto Passos Rodrigues, de ter sido extremamente autoritário por não ter autorizado que ele visitasse os presos no sábado, sem que houvesse agendamento prévio. Os relatos dão conta de permanentes humilhações desnecessárias. Cremos que algumas ações só se justificam para satisfazer o comportamento autoritário do delegado que dirige a operação, acusou o secretário de governo. Mesmo dizendo no ofício não buscar nenhuma benesse para os indiciados e que deseja que a PF realize com competência sua função, José Roberto Amaral defendeu no ofício que grande parte dos detidos são autoridades constituídas pelo voto popular e ocupam cargos públicos. Enquanto não houver condenação transitada em julgado, deveríamos considerar o status quo momentâneo, disse. LB ### Todos são iguais perante a lei A resposta do ministro Nilmário Miranda ao ofício de José Roberto foi dada pelo alagoano Pedro Montenegro, que atua com chefe da Ouvidoria Geral da Cidadania da Secretaria Especial de Direitos Humanos. No ofício, Montenegro esclareceu ao secretário do governo de Alagoas que a atuação do órgão da presidência rege-se pelo princípio da não discriminação. O que implica que todos os cidadãos e cidadãs devem ser tratados com igualdade perante a lei, disse. Em seguida, Montenegro afirmou que independente da estatura econômica e política das pessoas detidas pela Operação Guabiru, elas devem ser tratadas com isonomia em relação às demais pessoas sob custódia da PF. Ainda segundo Montenegro, as supostas irregularidades citadas por José Roberto Amaral afetariam as garantias fundamentais de todos as pessoas presas na PF e não só dos presos da Guabiru e por isso deveriam ser apuradas pelo Ministério Público Federal. Pedro Montenegro disse ainda que a decisão de transferir ou não os presos para a Academia é uma decisão que depende exclusivamente da Justiça, que já se manifestou contrária à idéia. Montenegro disse ainda que o trabalho de combate à corrupção é também uma questão de direitos humanos. Pois é a corrupção que impede o acesso dos idosos aos medicamentos que são desviados dos serviços públicos de saúde, que rouba da escola a merenda escolar e assim extermina o futuro de milhares de crianças em nosso País. Montenegro finalizou dizendo esperar contar que a Secretaria de Cidadania e Direitos Humanos de Alagoas emparelhada ao lado do governo federal no que chamou de batalha da dignidade. |LB