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Depoimentos são podres, diz Carimbão

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ODILON RIOS Repórter O deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), que faz parte da Comissão de Sindicância da Câmara dos Deputados que investiga as denúncias de mensalão, disse ontem que os depoimentos colhidos pela Comissão esta semana são chocantes: É lamentável, é muito sujo, é muito podre. Mas lembrou do papel pedagógico das denúncias. A Comissão é responsável por ouvir os supostos envolvidos no escândalo de pagamento do mensalão. Esta semana, escutou o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), o deputado e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o deputado Sandro Mabel (PL-GO). Eu estou lá dentro escutando [e digo]: meu Jesus Cristo!, resumiu Carimbão, sem dar detalhes sobre os depoimentos. Tem umas vinte pessoas a serem ouvidas, entre deputados e pessoas que podem contribuir com informações, porque o nosso foco é pegar deputado. Se nós tivermos alguém que tenha a informação sobre um deputado, nós também escutamos, informou Carimbão, sem dar nomes e dando informações sobre a agenda da Comissão na semana que vem. Segundo ele, os citados na CPI também serão ouvidos na Comissão de Sindicância. Nossa função é julgar, buscar, como delegacia. Entre os caos a serem julgados pela Comissão, está o depoimento da deputada licenciada Raquel Texeira (PSDB-GO). Ela afirmou ter recebido proposta financeira no valor de R$ 1 milhão no final do ano, mais mesada de R$ 30 mil, podendo chegar a R$ 50 mil, caso aceitasse trocar o PSDB pelo PL. A oferta teria sido feita por Mabel, no dia 18 de fevereiro de 2004. O deputado do PL negou. Será que isso não é para enfraquecer o Sandro Mabel? Nós temos que ter a capacidade de começar a fazer este julgamento e juntar provas e peças para chegar a esta conclusão, que pode ser até politica, refletiu Carimbão, esclarecendo que a Comissão também vai levantar as provas sobre as denúncias de mensalão: As provas concretas e cabais são um problema. Texeira e Mabel são pretensos candidatos ao governo de Goiás, em 2006. Assessores e perguntas A Comissão tem 10 assessores jurídicos, que ajudam na formulação das perguntas aos depoentes. Uma coisa é o que está se vendo em público; outra é só na intimidade dos deputados, disse Carimbão, explicando que a sindicância realiza o trabalho em segredo. Segundo ele, nem o presidente da República nem parlamentares da bancada federal alagoana são citados nos depoimentos a portas fechadas da CPMI. A Comissão é formada por cinco integrantes, quatro deles indicados pelo presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). O corregedor, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), Robson Tuma (PFL-SP), Léo Alcântara (PSDB-CE), Odair Cunha (PT-MG) e Osmar Serraglio (PMDB-PR). No lugar de Osmar, assumiu Carimbão, que era suplente. É uma espécie de terceira instância, governada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI). A CPMI, instalada para apurar as denúncias nos Correios, que acabaram revelando o mensalão, é pública e tem mais poderes: de polícia, convocação, poder de prisão e quebrar sigilos telefônicos, fiscal etc. A Comissão de Ética, uma segunda instância, tem o poder de pedira cassação do mandato de um deputado. Atualmente, analisa o pedido de cassação de Jefferson, formulado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto (SP). De maneira hipotética, imagine se algum desses que vão ser cassados fizer propostas indecorosas para que não possam ser citados no relatório. Por isto, as pessoas que participam desta comissão são escolhidas a dedo, contou Carimbão, evitando prever prazos ou número de deputados a serem cassados na conclusão dos trabalhos.

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