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Lessa acusa juiz e PTB-AL de mensalão

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ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) atacou ontem o PTB e setores da Justiça alagoana. Em discursos, ele acusou o juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães de Medeiros, de estar em uma folha de mensalão no Estado e insinuou que o suposto esquema seria coordenado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Alagoas. O partido é presidido pelo deputado federal João Lyra: [O juiz] pode estar na folha do mensalão no Estado de Alagoas, como tem o mensalão lá fora. Não é o PTB que está denunciando [em Brasília]? Pode ser o PTB aqui que tenha mensalão e que outros poderes estejam envolvidos nisso tudo, disparou o governador, em discurso de comemoração dos 30 anos da Polícia Civil, num hotel na Jatiúca (ver detalhes na página A5). Na semana passada, o juiz James Magalhães, da 3ª Zona Eleitoral, declarou inelegíveis o governador e o secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira, por três anos. O argumento é que, em 2004, durante um encontro com servidores, Lessa teria pedido votos para o então candidato a prefeito da capital, Sextafeira. O magistrado entendeu que houve abuso de poder político de Lessa na campanha. Cabe recurso na decisão, que é de primeira instância. James Magalhães também julgou procedente a ação de impugnação de mandato do vereador Paulo Corintho (PV) por abuso de poder econômico e captação ilegal de sufrágio. Corintho foi nomeado para a Secretaria de Esportes (ver detalhes na página A5). A Gazeta tentou localizar o magistrado, mas seu celular estava desligado. O poder Judiciário e o deputado João Lyra reagiram às declarações do governador (ver nesta página). Podridão Mais enfático e irritado, Lessa, que não citava nomes e se dirigia indiretamente a vários personagens da política alagoana, ainda no hotel, foi além nas declarações: Até quando a gente vai conviver com esta podridão que no passado enlameou o nosso Estado? E parece que as pessoas têm saudades destas coisas, gostam da lama. Pois bem, vão ter a resposta, não tememos coisa nenhuma, absolutamente nada. Ganhamos nas urnas e vamos ganhar no tribunal também, afirmava ao público, que ficou em silêncio. Já no Palácio Floriano Peixoto, na posse da nova procuradora geral do Estado, Idelva Ferreira Pinto, o governador voltou a falar em corrupção em Alagoas: Esse estado se viciou em corrupção, e ainda hoje tentam fazer. Esse processo que estão fazendo em Alagoas é porque o grande corruptor ainda está solto. É presidente de um partido. E era preciso que o Tribunal de Justiça, de um modo geral, pudesse ver, afirmou Lessa, que estava exaltado, batia na tribuna e causava espanto até em assessores governistas. Citando a Associação dos Magistrados (Almagis), o governador pediu mais fiscalização no Estado sobre o Poder Judiciário. Precisamos, sim, de fiscalização da sociedade sobre o Poder Judiciário, porque o Judiciário é a última instância que a sociedade tem para resolver seus problemas. Quando é podre, é muito pior, destacou. Lessa disse ainda que os membros da Justiça sabiam quem eram os mandantes de crimes em Alagoas. Nem a fiscalização nem a quebra de sigilo o Judiciário faz com estas pessoas, afirmou. ### João Lyra: Isso é choro de derrotado O presidente estadual do PTB, deputado federal João Lyra, disse ontem, através de sua assessoria, que vai acionar seu departamento jurídico contra o governador Ronaldo Lessa (PDT): Isso é choro de derrotado. Ele perde a eleição e agora foi cassado por cometer abuso eleitoral. Quer encontrar um culpado. Mesmo assim, já determinei ao departamento jurídico as providências cabíveis em relação ao caso, esclareceu Lyra, através de nota, por sua assessoria. No ano passado, o grupo político do governador perdeu a eleição para a oposição na capital. O grupo político de Lyra, através do deputado Cícero Almeida (PTB) está na Prefeitura. Já o Poder Judiciário alagoano está requisitando a fita do discurso de Lessa e promete agir. A desembargadora no exercício da presidência do Tribunal de Justiça (TJ), Elisabeth Carvalho Nascimento, disse ontem que não poderia se pronunciar sobre o caso até ouvir os discursos do governador. Vou ouvir a fita e ver se ela atinge o Poder Judiciário ou algum membro, declarou. O presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas, Fernando Tourinho de Omena Souza, disse ontem que vai ouvir o discurso. Quando ocupamos cargos, devemos ser equilibrados, ponderou. A Almagis já move uma representação contra o governador alagoano por causa das eleições do ano passado. Em 1º de outubro de 2004, Lessa criticou o Judiciário e chegou a colocar em xeque o processo eleitoral, que ocorreria dois dias depois. Na verdade, o que tem atrapalhado as eleições são muitos juízes que estão despreparados para a função, declarou o governador, na época. A repercussão da declaração irritou membros do Judiciário e a Almagis entrou com uma representação contra o governador, pedindo provas sobre o caso: Ele não as apresentou, muito menos os nomes, informou o presidente da Associação. |OR

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