Política
Saia justa e polêmica na posse da PGE
ODILON RIOS Repórter O discurso em que deu posse à nova procuradora geral do Estado, Idelva Ferreira Pinto, e ao novo chefe de Defensoria Pública, Pedro Rêgo Leite, feito pelo governador Ronaldo Lessa, foi recheado de advertências, avisos aos integrantes do governo, polêmica e reação da Associação dos Procuradores à exoneração do procurador Ricardo Méro. O presidente da Associação, Augusto Galvão, reagiu às declarações de Lessa, ao falar em um suposto favorecimento do ex-procurador sobre os precatórios, durante a posse de Idelva e Leite. É um absurdo, resumiu. Tamanho era o embaraço causado pela presença de Galvão, que o governador, pouco antes do discurso do presidente da Associação dos Procuradores, retirou-se do Salão dos Conselhos. Foi para trás do Salão, tomou um copo de água na copa e era possível escutar Lessa falando alto com sua assessoria e batidas de um copo de vidro no balcão de mármore. O presidente da Associação aguardava o governador, a platéia estava atônita e a nova procuradora-geral do Estado abaixou a cabeça. Lessa voltou ao Salão, dois minutos depois, enxugando as mãos e, pouco olhando para o presidente da Associação, acompanhou o discurso de Galvão em defesa de Méro. Lessa reagiuem seu discurso, logo após a fala de Galvão, afirmando ter sido difícil ter retirado o antigo procurador do cargo, e justificou: Eles não podiam, eticamente, receber [os precatórios] na frente dos outros, sobretudo porque tem um compromisso de primeiro pagar os doentes e idosos. Foi por isso. Fica o exemplo para os outros, avisou Lessa, aplaudido em seguida, e referindo-se também ao subsecretário da Receita, Evandro Lôbo, exonerado na semana anterior pelo mesmo motivo: pagamento antecipado de precatórios. Cortei na carne, atestou. Mudanças A primeira mulher a comandar a Procuradoria Geral do Estado (PGE) assumiu o posto ontem. Idelva Ferreira Pinto, 56, é procuradora há 19 anos. Não vejo problemas na Procuradoria. Ela funciona normalmente, disse a nova-procuradora-geral. Pedro Rêgo Leite, 60, era da subdefensoria pública. Atua há 18 anos, sempre na defensoria pública, como explicou: A Defensoria tem que melhorar o seu quadro para assistência no interior. Temos 40 defensores, mas precisamos dobrar para melhorar esses serviços.