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Desembargadora diz que vai interpelar governador

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ODILON RIOS Repórter Depois das acusações de incompetência e corrupção feitas pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) contra membros do Poder Judiciário alagoano, a desembargadora em exercício na presidência do Tribunal de Justiça (TJ), Elisabeth Carvalho Nascimento, reagiu ontem e disse que vai interpelar judicialmente o governador para que ele nomeie os juízes que recebem mesada e afirmou que Lessa teve um surto esquizofrênico. As afirmações do governador foram feitas na véspera, durante a solenidade em comemoração aos 30 anos da Polícia Civil (PC). A desembargadora deu as declarações ontem à tarde, antes de saber que Lessa, pouco antes, havia feito acusações ainda mais fortes, em solenidade no Palácio. Espera-se que um verdadeiro homem que ele [Lessa] diga os nomes. Como ele não teve essa coragem, não foi homem suficiente para fazer, então ele vai ser interpelado judicialmente para que diga os nomes de quem recebe o ?mensalão? no Poder Judiciário, disse Elisabeth, em entrevista coletiva no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), com a presença do presidente da Corte eleitoral, desembargador José Fernando Lima Souza. (ver matéria abaixo) Desafio Só lamento mais uma vez que Ronaldo Lessa volte a agredir o Poder Judiciário numa solenidade onde não há nenhum membro do Judiciário presente. Eu desafio o governador, em uma solenidade em que eu esteja presente, que ele abra a boca e fale do Poder Judiciário, porque terá resposta à altura, ressaltou a desembargadora. Ela chegou a dizer que preferia falar com o curador do governador, porque todo insano tem um curador. Ele [Lessa] tem que prestar contas à sociedade do que fez e do que não fez; prestar contas do que seus assessores fizeram e não fizeram e fazem dentro da ilegalidade e da ilicitude, que nós sabemos, atacou, argumentando que o Judiciário não era mamãe ou babá do governador: [Lessa] Se esconde através do manto do genérico e ao mesmo tempo não diz coisa nenhuma, afirmou. Falando pausadamente, na entrevista que durou cerca de 45 minutos, Elisabeth ironizou a atitude de Lessa, que fez acusações diante do secretário de Defesa Social, Robervaldo Davino, denunciando que a Justiça sabia quem eram os mandantes dos crimes em Alagoas e não tomava providências. Se ele [Lessa] sabe quem fez ou praticou delitos, é tão fácil. É só chamar o procurador [geral de Justiça] e dizer os nomes que o doutor Coaracy [Fonseca, procurador geral] procederá com todo empenho e encaminhará à Justiça os inquéritos competentes. Agora, o que ficou até cômico foi o governador falar tudo isso e ao lado dele, sentado, impávido, o secretário de Defesa Social, que era a quem ele deveria dirigir a palavra para contar, não só ao Poder Judiciário, mas à sociedade alagoana, os verdadeiros bandidos que há neste Estado, porque é a obrigação do chefe do Executivo, através do secretário de Defesa Social. ### Presidente do TRE pede respeito Recém-empossado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), o desembargador-presidente José Fernando Lima Souza (Fernando Tourinho) pediu respeito do governo aos membros do tribunal, mas disse que não tomaria providências contra as declarações do governador Ronaldo Lessa (PDT). Motivo: elas não atingiram o tribunal, mas o juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães de Medeiros, que proferiu semana passada sentença cassando o mandato do vereador Paulo Corintho (PV) e tornando inelegíveis, por três anos, o governador e o secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira. Não vou permitir que se queira enxovalhar a Justiça Eleitoral, apontou. Nenhuma das declarações do governador do Estado vai tirar a isenção deste tribunal para apreciar um processo. Nós apreciaremos o processo do governador, do Paulo Corintho, com absoluta isenção, reiterou o presidente, exigindo que o governador desse os nomes das pessoas que compraram e venderam votos. Enquanto acontecia a entrevista coletiva no TRE-AL, no Palácio Floriano Peixoto estava sendo empossado o novo secretário de Esporte e Lazer, Paulo Corintho, cassado na semana passada por abuso de poder econômico e compra de votos. A nomeação de Corintho, segundo o governador declarou na segunda, era uma resposta à decisão do juiz da 3ª Zona Eleitoral. Ele [Corintho] teve uma sentença desfavorável e o governador o nomeia para um cargo, e diz mais, que o fez em represália à Justiça Eleitoral. Considero isso um pecado, lamentou Lima Souza, dizendo-se um homem forte, com coragem profissional. Nunca me curvei a nenhuma autoridade. A movimentação no tribunal foi grande durante toda a manhã. O presidente encerrou a sessão com um discurso indiretamente dirigido ao governador. Em tom firme, pediu que os juízes do tribunal assistissem com ele às fitas de vídeo e áudio, em seu gabinete, com as declarações do governador sobre o mensalão, e disse à imprensa que só no final da tarde falaria do caso, o que foi feito. Almeida não fala Apesar de ser presidente municipal do PTB, o prefeito Cicero Almeida preferiu não comentar as declarações do governador sobre mensalão e PTB. Sou apenas filiado ao PTB. O PTB tem um presidente e um vice, e eles é que devem responder por isso. Sou caçula. Entrei no PTB agora. O presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis), Fernando Tourinho de Omena Souza, disse que não vai entrar em baixaria. |OR

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