Política
Elisabeth: Lessa já prepara o palanque
PETRÔNIO VIANA Repórter A desembargadora Elizabeth Carvalho do Nascimento, presidente em exercício do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL), voltou a comentar, na manhã de ontem, as acusações feitas pelo governador Ronaldo Lessa (PDT) de que membros do Judiciário alagoano, principalmente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), estariam na folha de pagamento de grupos políticos do Estado. No último dia 28, o governador Ronaldo Lessa acusou os juízes eleitorais Celyrio Adamastor Tenório Accioly e James Magalhães de Medeiros de serem incompetentes, corruptos e de terem sido comprados pelo deputado federal João Lyra (PTB). Celylio Adamastor, plantonista da 3ª Zona, concedeu liminar no ano passado, proibindo a posse do vereador eleito Paulo Corintho (PV), acusado de compra de votos. O juiz titular da 3ª Zona eleitoral, James Magalhães, julgou o mérito da ação, cassando definitivamente o diploma do vereador. O mesmo magistrado tornou Ronaldo Lessa inelegível por três anos, sob a acusação de que teria abusado do poder político com o objetivo de beneficiar a candidatura de Alberto Sextafeira (PSB) à prefeitura de Maceió. A desembargadora Elizabeth Carvalho voltou ontem a cobrar do governador provas que sustentem suas acusações. Até agora, o governador está sendo leviano, disse. Ele [Lessa] agora está falando que pede a colaboração do Poder Judiciário para que tire os ?maus juízes?. Então, eu estou esperando que ele [Lessa] leve uma representação contra os juízes que ele entender que são corruptos. Evidentemente, essa representação tem que ter as devidas provas, declarou a desembargadora. Segundo Elizabeth Carvalho, Lessa deverá ser processado por calúnia, injúria e difamação caso não comprove as irregularidades apontadas por ele. A desembargadora criticou a decisão do governador de nomear o vereador cassado Paulo Corintho (PV) para a Secretaria de Esportes do Estado, em solenidade realizada no último dia 28. É uma ofensa que ele [Lessa] faz ao povo de Alagoas, ao colocar como secretário uma pessoa que foi condenada em primeira instância, avaliou. Elizabeth Carvalho acredita que a situação antecipa o clima eleitoral do próximo ano. Ele [Lessa] está fazendo um jogo, já preparando o seu palanque de campanha eleitoral, tudo isso é para a campanha. Tanto que a mídia está toda voltada para ele. É isso que ele quer, concluiu. ### Lourdinha quer ficar fora da confusão A vice-prefeita de Maceió, Lourdinha Lyra (PTB), declarou ontem que prefere se manter afastada da confusão, como classificou a troca de ataques verbais entre seu pai, o deputado federal João Lyra (PTB), e o governador Ronaldo Lessa (PDT). Lourdinha explicou que estava em Belo Horizonte (MG) e, ao retornar, encontrou a situação conturbada, com a troca de acusações e ofensas entre Lessa e Lyra. Eu prefiro não me pronunciar porque, afinal de contas, eu estou de fora dessa confusão, declarou Lourdinha. A vice-prefeita disse ainda que espera que a população alagoana não seja prejudicada pelas acusações e retaliações dos dois políticos. Espero que os interesses da população alagoana, principalmente dos mais carentes, fiquem acima dessas divergências, disse. Sobre seu relacionamento com o prefeito Cícero Almeida (PTB), a vice comentou que Almeida está revendo sua posição. Ele [Almeida] vai reconsiderar, porque essa é uma atitude errada. Eu tenho direitos outorgados pelo povo, assim como ele, disse Lourdinha, lembrando que continua despachando do escritório de sua empresa desde que Cícero Almeida exonerou todos os assessores e servidores municipais ligados a ela, além de ter impedido que a vice-prefeita tivesse acesso a seu gabinete no prédio da prefeitura, no Centro da cidade. Não é justo eu ter que receber a população no escritório da minha empresa. Não parei de trabalhar nem um dia. Por enquanto, eu estou na minha, brincou a vice-prefeita, antes de avisar que em breve as minhas críticas não vão ficar somente nas palavras. Em breve, elas vão ser transformadas em ações. PV ### Defesa de Lessa recorre contra sentença O advogado Adriano Soares interpôs ontem, último dia do prazo, na 3ª Zona Eleitoral, recurso contra a sentença do juiz James Magalhães que tornou inelegíveis por três anos o governador Ronaldo Lessa (PDT) e o secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira (PSB). A sentença acolheu ação movida pela coligação que elegeu o prefeito de Maceió, Cícero Almeida, e acusava Lessa a Sextafeira de abuso de poder político na eleição municipal de 2004, por causa de uma reunião com servidores estaduais comissionados, na qual Lessa pediu votos para Sextafeira, então candidato a prefeito. A reunião foi gravada e a fita serviu de base para a ação. No recurso, Adriano Soares argumenta que não houve abuso do poder político porque a reunião foi em local privado e fora do horário de expediente. Alega, ainda, que Lessa e Sextafeira em nenhum momento pedem que servidores usem seus cargos ou a máquina pública para conseguir votos. A defesa argumenta, também, que depois da reunião, as pesquisas de intenção de voto em Maceió mostraram que as posições dos candidatos não se alteraram; e que o aumento salarial para servidores estaduais, que Lessa concedeu antes da eleição, não é proibido por lei. Em época de eleição municipal, só a prefeitura não pode dar reajuste. O Estado e a União podem, sem problemas, lembrou. Depois que analisar o recurso da defesa de Lessa, o juiz da 3ª Zona Eleitoral, James Magalhães, dará três dias de prazo à coligação de Cícero Almeida para contra-argumentar e, depois, poderá modificar sua sentença (fazer juízo de retratação) ou enviar o processo para apreciação e decisão do TRE. IMPEDIMENTO Adriano Soares confirmou que não fará a defesa de Lessa no recente caso de acusações contra juízes eleitorais e o deputado João Lyra (PTB), por impedimento pessoal intransponível. Eu sou um egresso da magistratura e não poderia advogar contra ex-colegas juízes, argumentou. Além disso, atuei como advogado do então candidato a deputado federal João Lyra na campanha eleitoral de 2002, contou. Adriano Soares disse, porém, que vai continuar a defender o governador em ações de natureza eleitoral. PL