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Lessa ameniza ataques, mas rebate Lyra

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LUIZA BARREIROS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) amenizou ontem o tom dos ataques que vinha fazendo desde o início da semana a membros do Judiciário e ao deputado João Lyra (PTB). Durante a solenidade de posse de dois novos secretários, após um discurso calmo, Lessa deu entrevista e respondeu apenas à sugestão feita por Lyra na quarta-feira de que ele deveria entregar o governo ao vice Luis Abílio para se tratar de desequilíbrio mental. Não adianta essa proposta, porque se o meu vice assumisse, continuaria cobrando os impostos dele [João Lyra] , disse o governador. Porque o grande problema dele [Lyra] é que ele agora paga [o ICMS] do passado e do presente, coisa que ele nunca pagou antes, complementou. Na última segunda-feira, Lessa reagiu contra duas decisões da Justiça Eleitoral uma que o tornou inelegível e outra que cassou o mandato do vereador Paulo Corintho (PV) sob acusação de compra de votos , chamando os juízes eleitorais Celyrio Adamastor e James Magalhães de corruptos e acusando João Lyra de ter comprado votos na eleição municipal do ano passado. Os três negaram as denúncias, dizendo que vão processar Lessa para que ele comprove o que disse. Na entrevista de ontem, Lessa negou ter brigado com o Poder Judiciário (disse que sua briga é com pessoas específicas) e que pretende recorrer à Justiça contra aqueles que tentaram denegrir sua imagem. Disse, inclusive, que pedirá a fita da entrevista dada pela presidente em exercício do Tribunal de Justiça, desembargadora Elizabeth Carvalho, na qual ela o chamou de insano. Posses Foram empossados ontem os engenheiros Wellington Melo e Fernando de Souza, no Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER) e na Secretaria Coordenadora de Infra-Estrutura, respectivamente. Lessa anunciou que o engenheiro Marcos Carnaúba assumirá a presidência da Companhia de Abastecimento e Saneamento de Alagoas (Casal), que era ocupada por Souza. Wellington Melo assume o DER no lugar de Aerson Mendonça, enquanto Fernando de Souza assume a vaga de Melo. ### Dossiê denuncia ex-presidente da Casal No mesmo diz em que deixou a presidência da Casal para assumir a Secretaria Coordenadora de Infra-Estrutura, o engenheiro civil Fernando de Souza foi alvo de um dossiê que aponta despesas supostamente abusivas com diárias, viagens e refeições. Apesar de apócrifo, o dossiê foi divulgado pelo Sindicato dos Urbanitários, entidade à qual estão filiados os servidores da Casal que há 23 dias estão em greve por reajuste de 6,61% e aumento de R$ 1,00 no cheque-cardápio de R$ 9,00. Segundo o dossiê, um auditor independente teria verificado algumas das inúmeras prestações de contas feitas por Fernando de Souza e verificado a existência de viagens despropositadas em fins de semana; cobrança irregular de diárias; reembolso de despesas com refeições feitas em viagens (quando elas já estariam incluídas no valor das diárias); despesas abusivas com almoços e jantares em restaurantes de luxo em diversas capitais, inclusive Maceió, e viagens que, segundo o relatório, seriam improfícuas, a não ser para os seus interesses pessoais. Segundo o dossiê, no período de 12 de janeiro de 2004 a 4 de abril deste ano, o então diretor-presidente fez 17 viagens para fora do Estado, sendo 11 para São Paulo e seis para Brasília. Segundo o dossiê, nas prestações de contas o objeto das viagens é sempre a serviço da Casal ou para participar de reuniões, o que dificultaria a identificação do real motivo das viagens. Nas 17 viagens, foram cobradas 47 diárias, no valor total de R$ 11.322,00. Segundo o dossiê, a diária completa exige pernoite e, nas prestações de contas e pedidos de ressarcimento, não foram juntados bilhetes aéreos necessários para a comprovação das diárias, cobradas a mais em algumas viagens. Na última viagem analisada, foram cobradas cinco diárias para Brasília, no valor de R$ 1.550,00. Mas, de acordo com bilhete aéreo eletrônico, Fernando de Souza voou no dia 19 de março para São Paulo, no dia 21 foi de São Paulo para Brasília e no dia 22, voltou para São Paulo, onde passou o feriado de Semana Santa. Retornou no dia 28, via Brasília, para Salvador, onde pernoitou, chegando a Maceió no dia 29. Ou seja: em Brasília, ele passou apenas um dia. RESTAURANTES As despesas com táxi totalizaram R$ 2.335,70, sem que os recibos discriminassem os percursos efetuados. Há sete recibos de despesas com táxi na cidade de São Paulo inclusive uma feita no dia de Natal que, segundo o auditor independente, não coincidem com nenhuma das datas de viagens realizadas por Fernando de Souza à cidade. Segundo o dossiê, as despesas com alimentação nas viagens fora do Estado em restaurantes de São Paulo e Brasília já estariam inclusas no valor da diária, não podendo ser cobradas à parte. Mesmo assim, segundo o dossiê, a Casal ressarciu R$ 1.750,11 para despesas com alimentação do presidente. Ainda segundo o dossiê, depois que uma prestação de contas e um ressarcimento de despesas não foram acatadas pela auditoria interna da Casal, os pedidos de pagamento passaram a ser encaminhados diretamente à diretoria financeira, que autorizava de imediato o pagamento, atropelando procedimentos internos da empresa.As despesas com almoços e jantares em restaurantes caros de Maceió somam R$ 9.738,13, alguns feitos em sábados e domingos. Há despesa com restaurantes da Praia do Francês em um sábado. |LB ### Souza: Se fosse crime, não prestaria contas Fernando de Souza rebateu ontem as acusações feitas contra ele, dizendo-se surpreso com a divulgação do dossiê pelo Sindicato dos Urbanitários. Sempre deixei a porta aberta para o Sindicato no sentido de construir, e não de destruir. Eles poderiam ter me procurado ao invés de procurar a imprensa, reclamou. Souza disse não ter tido acesso ao dossiê que foi enviado a ele, por fax, pela Gazeta , mas justificou as viagens afirmando que, como gestor da Casal, busca permanentemente recursos financeiros e técnicos para a empresa. Entre esses contatos em Brasília e São Paulo, estariam representantes do Unibanco, de empresas de informática e consultores na área de saneamento. Muitas vezes convido pessoas para visitar a empresa em Maceió, e daí surgem muitas das despesas com restaurantes, explicou. Segundo ele, as pessoas são convidadas a conhecer o quadro da Casal, com o objetivo de apresentar estudos e consultorias. Muitas vezes, quando conhecem, desistem de fazer o trabalho, admitiu. Ele afirmou que na iniciativa privada essa prática de discutir negócios em restaurantes e convidar técnicos para visitas é comum. Se cometi algum crime, não sei qual foi. Além disso, se fosse crime, não prestaria contas das despesas, disse. Segundo ele, as despesas de restaurantes em final de semana e à noite acontecem porque às vezes os convidados não podem viajar durante a semana. Fernando de Souza também justificou as viagens com reuniões da Associação das Empresas de Saneamento Básico do Brasil (Aesb), na qual ocupa o cargo de vice-presidente. Casa em SP Ao justificar as despesas com táxi em São Paulo, Fernando de Souza revelou que tem residência na capital paulista. Nessa época não tinha diárias. Fiquei na minha casa e cobrei apenas outras despesas, disse. No total, foram feitas 11 viagens a São Paulo, cidade em que o governador disse, na solenidade de ontem, ter reencontrado Fernando de Souza, vários anos depois de terem trabalhado juntos como engenheiros na construção da ponte Rio-Niterói. Mordomia Para a diretora de Política Social do Sindicato dos Urbanitários, Conceição Freire, viagens a trabalho, desde que devidamente justificadas, são até aceitáveis. Mas, segundo ela, a Casal não tem condições de pagar mordomias como jantares em restaurantes de luxo por enfrentar uma crise financeira delicada. A Casal tem uma dívida de R$ 600 milhões e, segundo a sindicalista, não tem recebido os investimentos necessários. A Casal é viável e cumpre o papel social de levar água a todo o Estado. Independente de partido, é preciso que se tenha responsabilidade com a saúde da população, e água é saúde, disse. |LB

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