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Reforma mexe com cargos em Alagoas

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PETRÔNIO VIANA Repórter A reforma ministerial a ser anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois da enxurrada de denúncias de corrupção na administração federal, teve início na última sexta-feira. O presidente pretende garantir a governabilidade do país a partir da ampliação do número de ministérios para o PMDB, partido que detém a maior bancada no Senado e a segunda maior na Câmara. Dentro das negociações entre o presidente e o PMDB, ficou acertado - pelo menos até sexta-feira - que o partido teria mais dois ministérios, o da Saúde e das Minas e Energia, além dos outros dois que já comandava, o das Comunicações e a Previdência Social. Há também possibilidade de mudanças no comando de estatais. O anúncio oficial dos novos titulares das pastas deverá ser feito amanhã pelo presidente Lula. PMDB FORTALECIDO Os novos ministros foram escolhidos depois das conversas entre o presidente Lula, o atual presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (AL) e o ex-presidente do Senado, José Sarney (AP), ambos do PMDB. O atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, homem da confiança do ex-presidente José Sarney, deve ser o ministro de Minas e Energia. Rondeau vai ocupar o lugar deixado pela ministra Dilma Rousseff, remanejada para a Casa Civil. Para o Ministério das Comunicações o cotado é o senador Hélio Costa (MG), em substituição ao deputado Eunício Oliveira (CE), também do PMDB. Eunício Oliveira teria sido questionado sobre sua permanência no cargo, mas optou por voltar à Câmara. O deputado pretende concorrer ao governo do Ceará nas eleições do ano que vem. O PMDB cogitou substituí-lo pelo secretário-executivo do Ministério, ex-deputado Paulo Lustosa (CE). Entretanto, o senador Hélio Costa se recusou a substituir o senador Romero Jucá (RR) no Ministério da Previdência Social. Diante disso, o PMDB resolveu indicar Paulo Lustosa para a Previdência, contando com o apoio da bancada do partido na Câmara, e deixar Hélio Costa no comando das Comunicações. PT DESALOJADO A reforma ministerial vai afetar diretamente a distribuição de cargos federais nos estados - inclusive Alagoas. O PT deverá ter uma acentuada redução nos espaços que ocupa dentro de órgãos e autarquias administradas pelo governo federal. Da mesma forma, outros partidos envolvidos nas denúncias de corrupção, como o PTB, o PP e o PL, deverão perder cargos de chefia nos órgãos públicos federais. os filés Em Alagoas, os cargos federais de maior relevância são hoje ocupados, em sua maioria, por militantes e dirigentes do PT. O ex-presidente do diretório municipal do partido e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Ricardo Coelho, comanda a Delegacia Regional do Trabalho no Estado desde 2003. A secretaria especial de Agricultura e Pesca do Ministério de Agricultura, Pesca e Abastecimento é dirigida pelo ex-deputado estadual Paulo Nunes. O ex-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Alagoas, Évio Lima, é o atual delegado do Ministério da Agricultura no Estado. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Estado é comandada pelo médico Ricardo Valença, um dos fundadores do PT em Alagoas. Valença assumiu a coordenação geral em 2003. O superintendente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Alagoas também é um petista de longa data. Gino César Menezes divide a superintendência do órgão com a presidência do Centro Sportivo Alagoano, o CSA, seu clube do coração. A administração de Gino César não tem a aprovação da direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Entre os meses de fevereiro e março deste ano, sua gestão motivou a ocupação da sede da entidade e da praça Sinimbú por militantes do MST. A ocupação durou trinta dias. O MST deixou a praça e Gino César continou na função. Além desses cargos, o PT divide ainda, em Alagoas, o comando da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), cujo diretor regional é José Renivaldo dos Santos, indicado pelo PCdoB. Dentro da ECT, o PT é representado por Plistheus Mota de Souza, diretor regional adjunto da empresa. Como o Ministério das Comunicações já era administrado pelo PMDB, não existem grandes perspectivas de mudança expectativa na direção regional da ECT. Com o PL, o PT divide o controle da Companhia Energética de Alagoas, empresa federalizada em 1998. O presidente da estatal é o petista Joaquim Brito, enquanto a diretoria de engenharia da Ceal foi indicada pelo deputado federal João Caldas, a mais forte liderança do PL no Estado. PORTO E DNIT De acordo com Caldas, o PL detém ainda o controle da Administração do Porto de Maceió, na figura de Domício José Gregório Arruda Silva, que controla a sociedade de economia mista federal. Domício Silva informou, por telefone, que ocupa o cargo há um ano e meio. Segundo ele, a indicação de seu nome foi feita pela base aliada do governo, ou seja, por uma decisão tomada em conjunto pelo PL e pelo PT. Segundo o deputado João Caldas, o Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT) em Alagoas também é administrado atualmente pelo PL. O coordenador, desde 2003, da 20ª Unidade de Infra-Estrutura do Trânsito, que corresponde ao Estado de Alagoas, é Hélder Falcão Rebelo. Também SEGUNDO Rebelo, sua indicação teria partido de um consenso entre o PL e o PT - ou seja, o PL indica e o PT dá o aval. ### Efeito mensalão pode tirar do PP órgãos em Alagoas O PP é um dos partidos que mais dispõem de cargos federais em Alagoas, depois do PT. O coordenador da bancada alagoana na Câmara dos Deputados, Benedito de Lira (PP), é o responsável pela indicação dos superintendentes do Banco do Brasil (BB) no Estado, Raimundo Terto, do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Expedito Neiva, e da gerente executiva do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Irene da Silva. PROBLEMAS NA CAIXA Além desses, o superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF) também seria uma indicação política de Lira. Atualmente, a superintendência da CEF em Alagoas está desocupada. Edmilson Soares Nobre, tecnicamente administrador do banco, foi colocado de férias depois das denúncias de que estaria favorecendo a imobiliária de seu irmão, Emanuel Soares Nobre, no repasse de recursos federais para financiamento de casas próprias. Dois gerentes de mercado do banco têm se revezado na administração: Edson Hollanda e Guido Palmeira. A substituição de Irene Silva da gerência executiva do Ibama está sendo negociada pelo PP. Para o seu lugar, é cogitada a ida de Lucila Toledo, ex-deputada estadual que atualmente está na suplência. As assessorias dos superintendentes Raimundo Terto (BB) e Expedito Neiva (BNB) negam que exista indicação política para os cargos que ocupam em Alagoas. Segundo as assessorias, o processo de seleção é feito internamente, levando-se em consideração os critérios de merecimento e tempo de serviço. Expedito Neiva é funcionário de carreira do BNB, com mais de vinte anos de serviços prestados à instituição. Administra a filial alagoana do banco desde 2000. Raimundo Terto é cearense e já foi considerado o terceiro melhor superintendente do BB no Brasil. Foi superintendente regional do banco no Ceará e está em Alagoas há um ano e um mês. CBTU e INSS Outros partidos controlam alguns órgãos federais no Estado. O PMDB administra a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) através de Adeilson Bezerra, presidente do diretório municipal do partido. O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Alagoas tem como gerente executivo regional José Ronaldo Medeiros, que encontra-se afastado do cargo. O gerente em exercício do órgão, Edgar Barros, explicou que a escolha dos gerentes regionais é feita a partir de concursos internos. Depois de duas etapas do processo de seleção, é formada uma lista de cinco indicados, enviada ao ministro da Previdência Social. A escolha final é feita pelo ministro. Segundo informações obtidas pela Gazeta, o senador Renan Calheiros seria o responsável pela escolha de Medeiros para o INSS de Alagoas. A Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) é administrada por Antônio Nelson Oliveira de Azevedo. A indicação de Azevedo teria sido feita pelo deputado federal Givaldo Carimbão. Desa forma, a companhia entra na cota de cargos federais do PSB, antigo partido do governador Ronaldo Lessa. Não foi possível identificar os responsáveis pela indicação dos mandatários de alguns cargos federais no Estado, como da Empresa de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero), da Receita Federal, comandada por Francisco Antônio Carlos; da Fundação Nacional do Índio (Funai), cujo administrador executivo regional é José Heleno de Souza, e do Ministério da Educação. Não se sabe ainda em que nível a reforma ministerial iniciada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva vai influenciar nas indicações de cargos federais em Alagoas, mas algumas mudanças são aguardadas. A preocupação dos administradores indicados pelo PP, pelo PL e pelo próprio PT já se tornou aparente. Resta saber se a reforma será tão profunda quanto acreditam os analistas políticos e a população brasileira. Seja de que tamanho for, uma coisa é esperada: a resistência do PT em ceder cargos sob seu domínio. Sempre foi assim. PV

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