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Lessa promete surpresas como provas

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ODILON RIOS Repórter O governador Ronaldo Lessa (PDT) disse ontem que tem surpresas que comprovariam a existência de um suposto esquema de mensalão em Alagoas. É surpresa. Mas pode ficar certo de que estamos trabalhando, tem muita gente ajudando para caracterizar tudo. Vou ter ajuda inclusive de algumas instituições para reunir as provas necessárias, apesar de que muita gente não tem dúvida disso. Inclusive a própria imprensa não tem dúvida disso, disse Lessa, sem dar prazos ou pistas para a apresentação das prometidas provas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão fiscalizador do Poder Judiciário. A declaração de Lessa foi dada ontem, após mais um ronaldízio, estilo de mudança de secretariado adotado pelo governador (ver matéria nesta página). Semana passada, o governador denunciou um suposto esquema de mensalão que envolveria membros do Judiciário e seria bancado pelo deputado federal João Lyra (PTB). Dois juízes eleitorais foram citados e taxados de corruptos e incompetentes: Celyrio Adamastor e James Magalhães. Eles, de acordo com Lessa, teriam ligações com o deputado. Há duas semanas, Magalhães decidiu declarar o governador e o secretário Metropolitano, Alberto Sextafeira, inelegíveis por três anos, considerando que o governador praticou abuso de poder político quando se reuniu, durante a campanha eleitoral de 2004, com servidores comissionados. O mesmo juiz cassou o mandato do vereador Paulo Corintho (PV), que acabou assumindo a Secretaria de Esporte e Lazer, um protesto contra a decisão de James Magalhães. O Poder Judiciário reagiu às declarações do governador. A presidente em exercício do Tribunal de Justiça (TJ), Elisabeth Carvalho Nascimento, disse que o governador teve um surto esquizofrênico ao acusar os magistrados, e vai interpelar judicialmente o governador para que ele prove a existência de mensalão, com nomes de quem paga e quem recebe a mesada. Já o deputado João Lyra pediu que o governador entregue o cargo ao vice, disse que iria processar Lessa e declarou que seria candidato a governador. O acirramento dos ânimos entre os dois líderes, que comandam o governo do Estado (Lessa) e a prefeitura da capital (Lyra), é considerado o começo da campanha eleitoral do ano que vem, quando o governador deve se afastar do cargo até abril de 2006 (ver matéria abaixo) para disputar o Senado. Neste final de semana, o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL) lançou-se pré-candidato ao Senado. AMB Lessa também reclamou da vinda do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Rodrigo Collaço, que esteve em Alagoas para manifestar solidariedade aos juízes alagoanos acusados pelo governador (ver matéria na página A5). É uma pena. Se esse presidente nacional da Associação dos Magistrados viesse aqui para saber como eles agem, para saber se tem nepotismo, para saber se tem coisa arquivada... Por que esse presidente não vem pra cá para realmente saber o que está errado e ele poder limpar? Ele não quer uma boa imagem? Não está chateado porque critiquei? Por que eles não vão saber se a crítica, quando sai do próprio Judiciário, é verdadeira?, perguntava o governador, continuando o tom de críticas à reação dos juízes alagoanos sobre o esquema de mensalão: Ao invés de às vezes ficar batendo no ombro e tentando colocar o sujo debaixo do tapete, é pior, destacou Lessa, sempre com discurso duro, mas bem mais moderado que na semana passada, quando denunciou o mensalão. ### Lessa viaja a Brasília e sai de férias 10 dias Depois das denúncias e acusações contra juízes e o deputado federal João Lyra (PTB), o governador Ronaldo Lessa (PDT) disse ontem que vai tirar férias. Fiz mais rápido [as mudanças no secretariado]. Devo tirar férias até sábado e passar dez dias descansando, afirmou. Antes das férias, Lessa viajou ontem a Brasília, para conversar com a nova ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que assumiu no lugar de José Dirceu, citado no escândalo do mensalão, suposta propina paga a parlamentares para votar de maneira favorável projetos do governo no Congresso Nacional. Um dos assuntos a ser conversado com Rousseff é a liberação de verbas do Canal do Sertão. Depois, o governador vai ao Ministério da Cultura para viabilizar a construção do Memorial Zumbi dos Palmares, na Serra da Barriga, ainda este ano, mas prometido desde que Lula esteve na Serra, há dois anos. Lessa conversou, há dois meses, com José Dirceu, quando ainda estava nesta pasta e com o presidente da República. A audiência gerou celeuma porque foi ventilada a possibilidade de o ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo, deixar o cargo e se candidatar ao governo alagoano, ano que vem, mas Rebelo negou a proposta. |OR ### Discurso contra elite e posse no governo No discurso de posse dos novos titulares de secretarias, que ocupavam outras funções no governo e foram remanejados, o governador Ronaldo Lessa (PDT) não repetiu o tom de acusações usado na semana passada, mas enviou recados à elite alagoana, sem dar nomes, classificando-a de mafiosa e corruptora. Falando sobre o concurso da Educação, que foi realizado no domingo, Lessa disse: Isso [educação] deve fazer mal a essa elite, sabe, intransigente, perversa, sangue azul, cabo estelar, ela não gosta disso. O governador, ainda em tom duro, batendo várias vezes na tribuna e com pausas longas na voz, elogiou o empresário Robert (Bob) Lyra, chamando-o de empresário sério e com compromisso social. E novamente falando da elite alagoana, sem citar nomes, atacou: O que a gente quer é que essa minoria, que é corruptora, não possa controlar e mandar mais, mexer e interferir e controlar poder e pensar que isso aqui é uma senzala deles. Acabou, acabou, estamos absolutamente livres. Lessa ainda cogitou a possibilidade de não mais disputar a candidatura ao Senado, ano que vem. Ele tem de se afastar do cargo até abril de 2006. Não sei se vou [disputar], posso também fazer a satisfação de muita gente se resolver ficar até o fim e não ser candidato a nada. Para a imprensa, explicou: O próprio PDT está pedindo que eu seja candidato a presidente. Vou lutar para ser candidato ao Senado. Mudanças Em pelo menos duas mudanças de secretariado feitas ontem pelo governador, a idéia é fortalecer as bases do PDT no interior alagoano e discretamente colocar em campo o nome de Lessa ao Senado. Assim, o ex-gestor de Articulação Colegiada, Pedro Alves, foi remanejado para a Secretaria Geral de Governo, ganhando mais poderes. E o irmão do deputado federal Jurandir Bóia (PDT), José Jaílson Rocha, é o novo Gestor de Articulação Colegiada. Vamos continuar trabalhando na mesma linha de buscar os parceiros, os aliados, fazer com que toda essa pauta política seja trabalhada junto à pauta administrativa, disse Alves, que já foi vereador de Maceió (2000/2004 ) e líder da ex-prefeita Kátia Born (PSB). A Secretaria Geral de Governo abrange a Secretaria de Articulação Colegiada e a Ouvidoria Geral do Estado. O novo controlador Geral do Estado assumiu ontem, no lugar de Ricardo de Castro Martins Vieira. É Cláudio Antônio Cerqueira, que já passou por cinco cargos no governo Lessa: foi chefe de gabinete da Companhia de Recursos Humanos e Patrimônio (Carhp), depois coordenador de ajuste fiscal, auditor e com a transformação da Auditoria em Controladoria Geral do Estado, ocupou a função de diretor de auditagem e, a partir de ontem, Controlador Geral do Estado. Outro que assumiu secretaria, desta vez a Regional Norte, foi Mário Melo, no lugar de Tereza Laranjeiras, que vai assumir a subsecretaria de Educação, no lugar de Daniel Bernardes. A posse do novo presidente da Companhia de Abastecimento D?Água e Saneamento do Estado de Alagoas (Casal), Marcos Carnaúba, foi realizada ontem à tarde pelo conselho da empresa. Respondendo às denúncias de um dossiê sobre a gestão anterior da empresa, o governador classificou o material de piada. O relatório se refere aos gastos vistos como excessivos com restaurantes de luxo e táxis, que teriam sido feitos pelo antigo gestor da empresa, Fernando de Souza, hoje secretário de Infra-Estrutura, pasta que ocupa desde a semana passada. |OR

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