Política
Milagre e polêmica em sessão do TRE
ODILON RIOS Repórter A discussão durou quatro horas e quarenta e cinco minutos, envolveu defuntos que supostamente teriam ido votar no dia da eleição, possível abuso de poder político e econômico, além de uma buchada. Esses foram os motes da sessão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AL), que decidiu ontem manter dois prefeitos no cargo: Francisco Luiz de Albuquerque (PTB, Atalaia) e José Carrilho Pedrosa (PTB, União dos Palmares). A decisão não é definitiva e os derrotados podem entrar com recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em Atalaia, Francisco Luiz teria ganho a eleição com algo que foi considerado milagre pelo advogado de acusação, Fernando Maciel: Valdemir Apolinário dos Santos, morto em setembro do ano passado, e José da Silva, morto em março de 2004, teriam se apresentado para votar nas eleições: Eles reencarnaram e votaram por milagre, ironizou o advogado. Ainda segundo ele, José Clóvis da Silva teria sido preso no dia da eleição, porque votara no lugar de outra pessoa. Ele teria recebido R$ 20. A informação gerou polêmica entre os juizes do tribunal, mas, por unanimidade, Francisco Luiz permaneceu no cargo. Nomes de pessoas semelhantes ou iguais também teriam gerado confusão no dia da votação (algumas teriam assinado pelas outras). Mas, de acordo com o relator do processo, o desembargador Humberto Martins, em consulta ao setor de informática, o percentual tinha sido mínimo. Depois de uma hora de leitura do relatório por Humberto Martins, a palavra foi para os juízes. Houve discussão entre Marcelo Texeira, Evilásio Feitosa e Paulo Zacarias, que reclamou: estava com fome. Eram 14h30. ### Discussão sobre presença e inauguração Em União dos Palmares, José Pedrosa foi acusado por Iran Menezes (PP) de participar da inauguração de 110 casas em dois assentamentos, mantidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os assentamentos são Pindoba 2 e Cavaco, ambos na zona rural do município. Além desta inauguração, o prefeito, que concorria como candidato ano passado e acabou ganhando a eleição no dia 3 de outubro, também teria participado de outra inauguração, desta vez de um centro de diagnóstico com, na época, o secretário de Saúde, Álvaro Machado, que levou o mesmo nome do então secretário, menos de três meses antes das eleições. Fotos e uma certidão do Incra, anexadas ao processo, mostravam Pedrosa na inauguração dos dois eventos. Para a defesa, o prefeito disse que foi convidado a participar de uma buchada, que aconteceria no mesmo dia em um local próximo (inclusive com declaração da mulher do dono da casa na qual teria sido comida a buchada). Ao mesmo tempo, afirmou que Pedrosa não teria inaugurado nada, já que as casas do Incra haviam sido entregues ao povo 90 dias antes. Na placa de inauguração ou evento em União do Centro de Diagnóstico, o nome inauguração estava raspado. No tribunal, a principal discussão era saber a diferença entre participação e presença do candidato a prefeito. Se você vai a um teatro, não participa mas presencia a peça, disse o desembargador Humberto Eustáquio, colocando a diferença e uma decisão do TSE sobre o assunto. Apesar de Pedrosa ter conseguido permanecer no cargo, cada membro do TRE-AL resolveu falar sobre o processo e os votos acabaram, depois da polêmica, sendo divididos: quatro a dois para o prefeito de União. Iran Menezes e José Pedrosa acompanharam a sessão, que lotou o plenário do tribunal: Não usei a estrutura do município, disse Pedrosa. Menezes, em tom de conciliação, não sabia se iria recorrer da decisão no TSE e frisou: Não tenho nada pessoal contra o prefeito. Se a lei diz que a gente não pode participar de um evento público, nós recorremos, mas com muito respeito ao candidato, atestou, em clima de paz com o prefeito de União. |OR