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Heloísa não teme disputa com Lessa

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ODILON RIOS Repórter A senadora Heloísa Helena (P-SOL) disse ontem que não sente arrepios diante da perspectiva de disputar a eleição para o Senado com o governador Ronaldo Lessa (PDT), e nem teria medo se optasse por disputar o governo do Estado com o deputado federal João Lyra (PTB). Não tenho medo nem de Ronaldo Lessa nem de Renan Calheiros nem de João Lyra, de nenhum dos grandes e poderosos que acham que suas vitórias eleitorais estão carimbadas, afirmou a senadora. Ela demonstrou desconhecimento das denúncias de mensalão em Alagoas, feitas pelo governador há duas semanas. Qualquer denúncia de balcão de negócios sujos precisa ser investigada, esteja onde estiver, disse. Lyra e Lessa hoje são considerados os pólos de dois grupos políticos que disputam poder em Alagoas - inclusive com ataques verbais mútuos. Heloísa Helena tem se dedicado mais à atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, inclusive com um gosto de vingança, porque vários dos articuladores de sua expulsão do PT, em 2003, são hoje citados no escândalo do mensalão: o presidente nacional do PT, José Genoíno, o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, o ex-ministro e deputado José Dirceu e o ex-secretário geral do PT, Sílvio Pereira. VAIVÉM Heloísa Helena já foi aliada de Ronaldo Lessa - inclusive companheira de chapa, quando era desconhecida - e rompeu com ele duas vezes. Ela era vice de Lessa em 1992, na chapa para a Prefeitura de Maceió. Romperam pouco depois da posse. Em 1994, Heloísa elegeu-se deputada estadual e, em 1996, concorreu com a ex-prefeita Kátia Born (PSB) à Prefeitura. Heloísa perdeu a disputa no segundo turno. Em 1998, de novo aliada de Kátia e Lessa, Heloísa enfrentou, para o Senado, o atual ministro do Tribunal de Contas, Guilherme Palmeira e ganhou a eleição. Lessa venceu nas urnas o ex-governador Manoel Gomes de Barros. Heloísa indicou, no governo Lessa, o engenheiro agrônomo Mário Agra, então seu marido, para a Secretaria de Agricultura, mas depois o PT, liderado pela senadora na época, rompeu com o governador, voltando a se unir em 2004, já sem Heloísa em seus quadros. Articulação A idéia do P-SOL é articular nomes que disputem todos os cargos eletivos ano que vem: deputado federal, estadual, governo e Presidência da República. Candidatura, só no ano que vem, analisou a senadora, sem adiantar sua posição. Como o partido ainda não está legalizado na Justiça Eleitoral, a senadora percorre cidades brasileiras no recolhimento de assinaturas para a sigla. Ontem, estava em União dos Palmares cumprindo essa tarefa. Nos bastidores, prosperam duas hipóteses: a de que a senadora se candidate à reeleição ou dispute a Presidência da República, o que ajudaria o P-Sol a ganhar projeção nacional e funcionaria como uma espécie de campanha de filiação de novos membros, além de a sigla ter a chance de arranhar o discurso do governo Lula, caso o presidente da República tente a reeleição, aproveitando a crise política e o escândalo do mensalão.

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