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No PT-AL, Valério era desconhecido

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PLÍNIO LINS Editor de Política Marcos Valério Fernandes de Souza, o publicitário mineiro que se tornou o epicentro do terremoto político que sacode o País e devasta a imagem do Partido dos Trabalhadores, era um personagem completamente desconhecido pelos mais importantes petistas alagoanos até seu nome aparecer na imprensa nacional. Pelo menos é o que garantem militantes do PT alagoano que ocupam cargos de maior responsabilidade no próprio partido ou em órgãos estaduais e federais em Alagoas. Ontem, a Gazeta ouviu de dez petistas, todos ocupantes de postos de relevância, praticamente a mesma resposta à pergunta sobre se conheceram ou tiveram algum tipo de contato com Marcos Valério ou com suas empresas. Só fui conhecer essa pessoa [Valério] pela imprensa, foi a resposta unânime. Quando a indagação era sobre dinheiro, a quase totalidade dos petistas ouvidos garantiu que nunca tratou dessa questão dentro do partido. EXCEÇÕES As duas exceções, nesse quesito - questões financeiras do PT - foram o delegado regional do Trabalho, Ricardo Coelho, e o secretário estadual de Direitos Humanos, José Roberto Mendes do Amaral. Ambos também garantiram que jamais haviam conhecido Valério, mas admitiram que trataram de dinheiro com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares - um dos cinco dirigentes do partido que estão no olho do furacão político-policial desencadeado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Delúbio afastou-se do cargo na semana passada. SÓ COM DELÚBIO Tratei, sim, de finanças com o Delúbio, disse Ricardo Coelho. Foram recursos do PT para a campanha eleitoral de 2002 em Alagoas, e eu tinha mesmo que tratar desse assunto com o tesoureiro nacional do partido, explicou. Só conseguimos algum dinheiro para a campanha do Lula, e muito pouco para a do Judson [Cabral, vereador], que era o nosso candidato a governador, disse Coelho. Na campanha municipal de 2004, prosseguiu o delegado do Trabalho, só estive uma vez com o Delúbio e o José Genoíno [ex-presidente nacional do PT, que renunciou no último sábado]. Foi em março de 2004, quando o Paulão ainda era o pré-candidato do PT a prefeito de Maceió. Chegamos a estipular um custo de R$ 1,5 milhão para a campanha do Paulão. Mas depois o partido se uniu ao PSB para apoiar o Sextafeira, eu fiquei fora da campanha. O secretário estadual de Direitos Humanos, José Roberto Mendes - que coordenou em Alagoas a campanha de Lula para presidente em 2002 - tem a mesma resposta sobre Marcos Valério. Nunca tinha visto esta figura na vida, garantiu, nem sabia de nada disso em que ele está metido. Estive em São Paulo com Delúbio Soares na campanha do Lula. De lá para cá, não trato de questões financeiras do partido, afirmou o secretário. ### Paulão: Envolvimento do PT foi erro O presidente do PT alagoano, deputado estadual Paulo Fernando dos Santos, o Paulão, disse que nos últimos anos só esteve uma vez em Belo Horizonte, onde Marcos Valério tem suas empresas. Foi no ano passado, contou Paulão, quando o governador Ronaldo Lessa foi à capital mineira para fazer uma cirurgia num olho. Eu era pré-candidato do PT prefeito e nos encontramos em Belo Horizonte, eu, o governador e o José Genoino. Foi quando fizemos o acordo, com o PSB, eu retirei minha candidatura e o PT compôs a chapa do Sextafeira com o José Roberto [Mendes] como vice, lembra o deputado. Fui de carona no avião com o Genoino para São Paulo e de lá voltei para Maceió. Sobre Marcos Valério, a mesma resposta de outros petistas: Só fui saber quem é esse cidadão pela televisão e pelos jornais. FOI ERRADO ESCONDER Paulão garante que nunca entrou dinheiro no PT de Alagoas através de Marcos Valério ou das empresas do publicitário mineiro. Alagoas é um Estado muito pequeno e o PT daqui não tem peso para movimentar grandes quantias, comentou. Ele acha que Valério agia na região Sudeste (Rio, São Paulo, Minas) e em Brasília, não no Nordeste. Paulão disse que, na sua opinião, Marcos Valério é o operador de um grande sistema, que vem de outros governos, e o PT cometeu um grande erro metendo-se com ele através do Delúbio. Ele critica a atitude da cúpula nacional do partido diante dos fatos que foram denunciados. Quando foi descoberto o primeiro empréstimo, em que o Valério foi avalista, o partido deveria ter admitido logo que havia um segundo empréstimo. Foi errado esconder. |PL ### Depoimentos unânimes: Não conheci O presidente da Companhia Energética de Alagoas, Joaquim Brito, petista que já ocupou diversos cargos de direção no partido - é o representante em Alagoas do Diretório Nacional - também garante que nunca esteve com Marcos Valério, muito menos para tratar de negócios entre a Ceal e as empresas de propaganda do empresário mineiro. Não conheço esse rapaz. A Ceal tem contrato com uma agência alagoana, escolhida por licitação, disse. Só vi a fisionomia desse cidadão pelo noticiário. Thomaz Beltrão, secretário estadual de Ação Social, responde batendo na mesma tecla. Não conheci, e acho que ninguém do PT em Alagoas conheceu esse senhor. NUNCA VI ESSA CARECA O ex-deputado estadual petista Paulo Nunes, atualmente representante em Alagoas do Ministério da Pesca, disse que também ignorava a existência de Marcos Valério até estourar o escândalo. Sobre dinheiro do partido, ele disse que nem passa perto. Sou de uma tendência da esquerda do PT, que sempre ficou alijada das decisões do partido. Aliás, espero que na eleição de setembro, quando o PT vai escolher seus novos dirigentes, isso mude e haja mais equilíbrio. Com poucas variações, as demais respostas de petistas à Gazeta sobre Marcos Valério foram as mesmas: Milton Canuto, coordenador do Fundef (nunca soube como era a careca dele); Gino César, superintendente do Incra-AL; Évio Lima, delegado do Ministério da Agricultura; e o advogado Tutmés Airan, um antigo militante do PT em Alagoas e coordenador de campanhas petistas: todos afirmaram que não conheceram Marcos Valério. |PL

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