Política
Não saí humilhado, diz ex-ministro da Articulação
ODILON RIOS Repórter O ex-ministro da Articulação Política, o alagoano Aldo Rebelo, disse ontem que não saiu humilhado do cargo e que volta à Câmara dos Deputados na segunda-feira com uma missão definida. Como líder do governo, vou manter a interlocução no Congresso Nacional, afirmou por telefone ontem à Gazeta, ainda do gabinete do ministério. Ele vai defender o governo Lula das acusações de corrupção. Inquirido se estava satisfeito sobre sua demissão do ministério, respondeu: Foi uma missão normal e previsível. Saí com a certeza de que cumpri a tarefa. Sobre o clima em Brasília depois do aparecimento de malas de dinheiro e de um assessor parlamentar carregando dinheiro na cueca, apontou: Normal. Há o trabalho de investigação das CPIs [Comissão Parlamentar de Inquérito, que apuram denúncias de mensalão e a dos Bingos]. Sobre a sua visão do atual momento político, avaliou: Acho que o Brasil constrói uma civilização cheia de qualidades e virtudes, mas ao mesmo tempo carregada de vícios. Vejo que as qualidades e a virtudes são maiores que as disputas. O desafio é nos apoiar nas experiências civilizatórias para combater os erros, para que o Brasil não corra o risco de afundar junto com as disputas. O Ministério da Coordenação Política existe para manter uma espécie de aproximação entre governo e os parlamentares do Congresso Nacional, mas, nos últimos meses, os petistas começaram um processo de fritura contra Rebelo, que é do PCdoB. Sobre sua saída do cargo, prefere ser ponderado e sem dar nomes ou lembrar do passado, resumiu: O presidente julgou o meu retorno à Câmara dos Deputados, explicou. Completou ainda: Meu relacionamento é o melhor possível com o presidente e os partidos. Segundo ele, não existe paralisia no Brasil e, de acordo com o ex-ministro, a sociedade tem observado o comportamento da oposição. Não há paralisia no País. Os números revelam o bom desempenho da economia com resultados importantes na geração de emprego e renda, destacou, comentando ainda os dados da última pesquisa CNT/Sensus, que apontou uma distância entre a onda de denúncias e o presidente Lula. A popularidade do presidente subiu. A pesquisa revela que há separação entre as investigações e o governo, analisou o agora deputado federal. A respeito da reforma ministerial, que entregou mais cargos ao PMDB, Rebelo comentou: A reforma tem o sentido de dar mais eficiência à administração e amplitude a esse governo. Isso está sendo alcançado Ainda este mês, Rebelo retorna ao Estado e vai a Viçosa (sua terra natal), inspecionar a construção de sua casa na cidade, mas, novamente, negou que vá participar do processo eleitoral em Alagoas como candidato ou apoiando algum nome. Não tenho planos eleitorais.