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O Brasil ainda está no fim da fila

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PETRÔNIO VIANA Repórter O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), esteve em Maceió, na última sexta-feira, para realizar uma palestra sobre o tema Ética e Eficiência. Aos 53 anos de idade, pai de três filhos, o médico anestesiologista Geraldo Alckmin Filho foi vereador e prefeito de sua cidade natal, Pindamonhangaba, no interior paulista. Foi deputado estadual, em 1986 foi eleito deputado federal e membro da Assembléia Nacional Constituinte. Foi eleito vice-governador de São Paulo em 1994, na chapa de Mário Covas, reeleito em 1998, assumiu a administração do Estado mais rico do Brasil em 2000, depois da morte de Covas. Em 2002, foi eleito para mais quatro anos de mandato. Em sua passagem por Alagoas, Alckmin declarou sua admiração pelo Estado e negou que esteja preparando sua candidatura à Presidência da República. O momento agora é de discutir propostas, discutir questões, e não pessoas. A escolha de candidatos deve ser feita só no ano que vem porque, quando você antecipa o processo sucessório, você está encolhendo o governo, declarou. O governador comentou as investigações das denúncias de corrupção no governo federal, criticou o que chamou de falhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou sua fé no Brasil. Em entrevista exclusiva à Gazeta, Alckmin falou sobre a política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a relação do PSDB com o PFL na oposição ao governo e a estabilidade do mercado financeiro, mesmo com a atual crise política. Gazeta - Existe unidade entre o PSDB e o PFL na oposição ao governo Lula? Alckmin - Os partidos são distintos mas são ambos de oposição e têm conversado, têm procurado fazer um trabalho conjunto, respeitando a singularidade partidária de cada um, mas procurando... Estamos ambos no bloco da oposição. Por que o PFL apóia a saída, até mesmo com o impeachment, do presidente Lula? O PSDB também apóia o afastamento do presidente? Nós apoiamos a investigação. Uma investigação rigorosa, profunda, que não deixe dúvidas, busque a verdade e a justiça. Agimos com responsabilidade mas não impunidade. É uma exigência da sociedade a apuração. E todos os ingredientes para uma boa apuração estão colocados, para que a CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito], o Ministério Público e a Polícia Federal possam trabalhar. O jornal francês Le Figaro publicou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não engoliria o prestígio do presidente Lula no exterior. Como o senhor avalia a política externa do presidente Lula? Primeiro, eu não entendo essa informação a respeito do presidente Fernando Henrique. A política externa é continuidade do governo anterior em algumas áreas, mas entendo que nós devemos aprofundar a inserção do país no comércio internacional. Eu acho que isso é essencial, aprofundar ainda mais essa inserção. E o melhor caminho para fazer isso é o governo ser mais eficiente, para melhorar a infra-estrutura, a logística, reduzir o risco Brasil e as taxas de juros, melhorar o câmbio. Hoje, o grande inimigo das nossas exportações somos nós mesmos. É esse câmbio absurdamente baixo, em razão da enxurrada de dólares que está entrando no país, especulativo, para sugar aqui o nosso dinheiro com essa taxa de juros altíssima. O mesmo jornal francês disse que FHC teria aconselhado o presidente Lula a não se candidatar em 2006 para ter uma saída honrosa. O senhor também acha que Lula deveria desistir da reeleição? Não. Bem, essa é uma decisão pessoal do presidente, mas eu não sou favorável a mudar a questão da reeleição. Em primeiro lugar, é muito pouco tempo para a gente avaliar a questão da reeleição no Brasil, muito pouco tempo. Em segundo, a reeleição dá força para o eleitor, porque ninguém é obrigado a ser reeleito. É o eleitor que tem a possibilidade de aprovar, de reeleger ou não. Em terceiro, eu entendo que mudanças constitucionais não devem ser feitas ao sabor das circunstâncias. O relacionamento do publicitário Marcos Valério com o governo Federal começou na administração de Fernando Henrique Cardoso. O senhor já conhecia o publicitário? Já havia tido contato com ele? Nunca ouvi falar do tal do Marcos Valério. Fiquei sabendo quem era agora, pela imprensa. Ele deve ter trabalhado no governo anterior. Agora, é totalmente diferente você prestar serviço a um governo e as denúncias que estão ocorrendo. A que o senhor atribui a estabilidade do mercado financeiro mesmo diante da crise política, da reforma ministerial e das denúncias de corrupção? Nós estamos, o Brasil, em um outro patamar, o que é muito bom. É a partir desse novo patamar que nós temos que dar um salto de qualidade. Eu vejo, inclusive com otimismo, a possibilidade de darmos o salto de qualidade, porque o Brasil tem política monetária, aprendeu a controlar a inflação. Hoje é uma política pobre, porque se faz apenas com taxa de juros, era preciso colocar outros ingredientes, fazer alguma coisa mais elaborada, mas é inegável que se tem uma política monetária, você tem um regime cambial melhor e você tem uma situação fiscal melhor, precisa agora é reduzir a carga tributária. Então, você tem um outro patamar. O senhor enxerga uma solução para esse momento político e social brasileiro? Eu tenho uma fé, uma confiança em relação ao Brasil muito grande. O país, se não atrapalhar muito, ele tem uma força impressionante. Então, o que você precisa é dar condições para que ele possa deslanchar. Nesse mundo globalizado em que nós vivemos, um mundo competitivo, a ineficiência é um fator... Nós estamos sempre no fim da fila. Se você for verificar o crescimento dos países emergentes, nós estamos sempre no fim da fila e podemos dar um salto de qualidade. ### QUEM É Nome: Geraldo Alckmin Filho Idade: 53 anos Cargo: Governador de São Paulo Partido: PSDB Formação: Médico anestesiologista Hobbies: exercícios físicos e técnicas de relaxamento

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