Política
Deputados negam lista de mensalão
LUIZA BARREIROS Repórter Os deputados federais alagoanos Benedito de Lira (PP) e João Caldas (PL) chamaram ontem de panfletária e irreponsável a publicação de uma lista em que os dois constam entre os supostos beneficiários do esquema de pagamento de mesadas a parlamentares, o chamado mensalão. Lira, apesar de constar na matéria publicada no último domingo pelo jornal O Estado de S. Paulo, sequer consta na lista original distribuída aos meios de comunicação: ele foi confundido com o deputado federal Dr. Benedito Dias, do PP do Amapá (leia matéria abaixo). A lista publicada pelo jornal O Estado de São Paulo traz os nomes de 22 parlamentares que teriam recebido dinheiro supostamente distribuído a mando do líder do PP na Câmara, deputado José Janene (PR). Segundo a matéria, a relação teria sido encaminhada à CPI dos Correios por um ex-funcionário graduado do PP. A relação também incluía entre os beneficiários o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE) e o corregedor-geral da Casa, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), responsável pela apuração das denúncias contra os outros deputados. Segundo a matéria, a identidade do ex-funcionário viria sendo mantida em sigilo pela Comissão, que o apelidara de Garganta Profunda. Segundo a mesma matéria, o dinheiro seria distribuído por João Cláudio Genu, chefe do gabinete do deputado Janene, que já foi citado nas investigações por sua relação com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza apontado como operador do mensalão. Acanalhada Procurado ontem pela Gazeta, o deputado João Caldas reagiu. Trata-se de uma acanalhada, resumiu ontem à tarde, em entrevista por telefone. Segundo Caldas, a lista publicada pelo Estadão já circulava há duas semanas em redações de jornais e revistas de circulação nacional, mas ninguém deu crédito por ser apócrifa e, segundo ele, sem nenhuma credibilidade. A lista não foi publicada por uma questão de ética profisisonal, disse. Essa lista mentirosa que não contém, sequer, a assinatura ou nome do denunciante, já havia sido distribuída nos gabinetes, e o próprio senador Delcídio [Delcídio Amaral, PT-MS, presidente da CPI] negou que ela tenha sido recebida na comissão mista como um documento válido, observou Caldas, dizendo-se tranqüilo em relação às repercussões do caso. O deputado João Caldas disse ainda que uma apuração feita pelo deputado Janene, do PP, teria chegado à conclusão de que o objetivo seria atingir os integrantes da Mesa da Câmara. Caldas ocupa a 4ª secretaria da Câmara. Além disso, segundo ele, estaria por trás da publicação uma briga existente no PP do Paraná. Trata-se apenas de uma folha de papel qualquer, sem nenhum valor atestatório, com citações dirigidas a parlamentares do Paraná, disse ele, em nota distribuída por sua assessoria. Segundo ele, o deputado Janene já teria descoberto que um homem identificado como Amauri Escudeiro teria escrito a nota. A Mesa dispõe dessa informação e vai tomar as providências legais, observou. Ainda segundo Caldas, a publicação de notícias não confirmadas pode levar ao descrédito da CPI. As pessoas ficam boquiabertas com denúncias vazias que não se sustentam nem por 24 horas devido à sua inveracidade, disse. ### Lira foi trocado por deputado do AP Coordenador da bancada de Alagoas no ongresso, o deputado Benedito de Lira se disse indignado com sua inclusão na matéria do jornal O Estado de S. Paulo, já que seu nome sequer constava na suposta lista de beneficiários do mensalão. Na verdade, houve confusão de sobrenomes: o deputado alagoano foi trocado pelo Estadão pelo deputado Dr. Benedito Dias, do PP do Amapá, este sim constante na lista de supostos beneficiários. A informação sobre a troca de nomes foi dada a Lira pelo presidente do PP, Pedro Corrêa. É inaceitável que um jornal publique o conteúdo de um documento falso, uma verdadeira panfletagem apócrifa, uma malangragem sem tamanho, disse Lira ontem à Gazeta. Lira contou que ontem mesmo enviou ofício ao jornal paulista, esclarecendo não tem ligação com o recebimento de mensalão e tomará todas as providências para processar os jornalistas autores da matéria e o jornal pelos danos morais que teriam sido causados a ele. Além disso, daremos entrada em uma representação na Corregedoria da Câmara para apurar se a CPI recebeu um documento apócrifo e, se recebeu, quem foi responsável pelo vazamento, disse. Outra providência que, segundo o deputado, será tomada é a apresentação de uma representação na Procuradoria Geral da República, para que a Polícia Federal investigue quem são os responsáveis por essa denúncia. Existem vários crimes ligados a esse fato e a Polícia Federal terá que apurar quem são so responsáveis, complementou. NOTA Ontem, o Partido Progressista divulgou uma nota oficial comentando a publicação da lista de supostos parlamentares que teriam recebido dinheiro do PT, conforme informações de um ex-funcionário do partido. Segundo a nota, assinada pelo deputado federal Pedro Corrêa, presidente nacional do partido, as denúncias são infundadas, caluniosas e difamatórias, sem a apresentação de qualquer prova, nem mesmo identidade do denunciante. Além disso, Corrêa afirma que não consta nos arquivos do PP o desligamento de nenhum alto funcionário. A veiculação irresponsável de denúncias pelos meios de comunicação, sem a devida comprovação, prejudica, sobremaneira, a imagem pública dos parlamentares, o que poderá acarretar na busca da reparação por meios judiciais, finaliza a nota.|LB ### Severino quer PF apurando vazamento AGÊNCIA ESTADO O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), vai pedir à Polícia Federal que investigue quem entregou à CPI dos Correios uma lista com nomes de deputados, 22 deles do PP, que teriam sido beneficiados por pagamentos do suposto esquema de mensalão. A informação sobre a decisão de Severino foi divulgada pelo corregedor-geral da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI). Ele disse que o presidente da Câmara vai pedir também à PF que descubra quem passou a lista ao jornal O Estado de S. Paulo, que publicou no domingo reportagem com os nomes. Severino ficou reunido ontem à tarde, na residência oficial da Câmara, com Nogueira, com o presidente do PP, deputado Pedro Corrêa (PE), com o líder da bancada, deputado José Janene (PP-PR), e com outros parlamentares do partido. Nogueira afirmou que a lista entregue à CPI dos Correios é apócrifa e anunciou que abrirá os seus sigilos bancário e fiscal assim que a CPI do Mensalão for instalada, para provar que não está envolvido no suposto esquema. Quem fez isso (a lista) foi um bandido, e (a lista foi) ?vazada? por um canalha, afirmou Nogueira. Foi ?vazada? por um bandido. O corregedor afirmou que estão tentando montar na Câmara uma operação pântano. Querem jogar lama em todos os homens de bem. Misturar o claro com o escuro e o podre com o são, disse Nogueira. A intenção dos bandidos é colocar todo mundo no bolo da patifaria para parar as investigações.