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Governo quer conversar com Assis

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ODILON RIOS Repórter O governador em exercício, Luis Abílio (PSB), disse ontem que o governo vai analisar os detalhes da condenação, pelo Tribunal de Contas da União (TCU), do superintendente de Fomento à Atividade Cinematográfica e Audiovisual de Alagoas, Francisco de Assis Carvalho Júnior, o Chico de Assis, e conversar com o superintendente na semana que vem. Fui surpreendido com a notícia. Não tenho conhecimento dos detalhes, a coisa não é com um órgão estadual, mas uma ONG. Evidentemente, vamos analisar, conversar com ele, mas confesso que não tenho nenhuma substância a dar, nenhuma opinião sobre o caso. Não conheço o caso, disse Abílio, evitando argumentar que o superintendente poderá deixar o cargo. A superintendência foi criada especialmente para Chico de Assis, que é responsável por tocar a gravação do filme A Ilha dos Escravos, em co-produção do governo alagoano com o governo de Cabo Verde, que terá locações na cidade de Marechal Deodoro. O cargo de Chico de Assis tem status de secretário e ele recebe R$ 6 mil mensais. O TCU julgou irregulares as contas do Instituto Mangue Verde e condenou o presidente do instituto, o então ator Chico de Assis, a restituir aos cofres públicos R$ 274.987,00 por não prestar contas dos recursos repassados pelo Ministério da Cultura para o Projeto Mundaú das Artes, que visava promover o contato de crianças e adolescentes carentes com a dança, conforme está publicado no site do Tribunal. O projeto foi idealizado pela bailarina Maria Emília Clark para promover o contato de crianças e adolescentes carentes do Vergel do Lago com a dança e as artes. Mas, conforme foi publicado pela Gazeta na última quinta-feira, os recursos federais citados pelo TCU jamais foram repassados pelo Instituto Mangue Verde ao Projeto Mundaú das Artes. Chico de Assis também foi multado em mais R$ 20 mil, e terá 15 dias para devolver o dinheiro, mas ele pode recorrer da decisão. A Gazeta tentou, mas não conseguiu contato com o superintendente, que está em Cabo Verde com o governador Ronaldo Lessa (PDT). A previsão é que a comitiva chegue a Alagoas neste final de semana. Sem prestígio Conhecido como ator, Chico de Assis parece não ser bem-visto em setores da área cultural alagoana. Pelo menos é o que garante a artista plástica Marta Arruda, que conhece o ator há 20 anos e foi convidada por Chico a participar de um projeto do Instituto Mangue Verde. Atualmente, ela está construindo uma escultura em ferro que ficará exposta no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Além disso, desenvolve projetos sociais na capital e interior do Estado, como a Oficina de Arte de Coruripe, que integra o projeto Alagoas, Presente!, estimulando a poesia, apresentações artísticas, oficinas de desenho, de palha de milho e artes plásticas entre crianças de 10 e 11 anos. Durante a entrevista, ela disse que acreditava que membros do alto escalão do governo estadual sabiam sobre o passado do ator alagoano. Gente do setor artístico e cultural, que está no governo, sabe quem é Chico de Assis. Quem não sabe? Como fica a imagem do governador com uma pessoa dessas?, perguntou a artista. Assis foi diretor do Teatro Deodoro e presidente da Fundação Cultural Cidade de Maceió (FCCM), hoje Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC). Em seu ateliê, no bairro da Levada, rodeada de pedaços de ferro e cerâmica, no meio da tarde de ontem, Marta Arruda desabafou com a Gazeta: Tenho vergonha de entrar em Marechal Deodoro por causa de Chico de Assis. Não falo o nome de pessoas, mas ouço sempre uma história nova. Não posso ficar calada. Uma história Marta Arruda conta que, em outubro de 2002, foi convidada pelo então presidente do Instituto Mangue Verde, Chico de Assis, para elaborar um projeto em parceria com a Petrobras. O valor informado a ela pelo convênio era de R$ 180 mil. Ele me disse: vamos ganhar dinheiro. Fiquei animada porque o artista merece viver com dignidade, contou a artista plástica. Adorei a idéia. Cheguei a ter um bom salário todo mês e passei para o Instituto todo o material, orçamento e metodologia de trabalho. Dei meus projetos nas mãos do instituto, sem medo de ser feliz. Tinha carinho pelo Chico. Não pensei que ele iria me prejudicar, relatou Arruda. O projeto a ser desenvolvido em parceria com o instituto seria o Alagoas, Presente! em Marechal Deodoro e Pilar. Só que, segundo ela, os problemas começaram a acontecer. Recebi três meses e um adiantamento para poder pagar minha casa alugada, detalhou. O projeto foi aprovado em outubro de 2002, mas os trabalhos só começaram em fevereiro. Veio o aperreio para a compra do material. Muita coisa foi comprada. Mas o salário do pessoal não sabia. Fiz uma reunião para cobrar o dinheiro. Cobrada pelos monitores, que também não recebiam salários, ela foi chamada pela Petrobras, patrocinadora do projeto: A Petrobras me pressionou para prestar contas de coisas que eu não tinha conhecimento. Eu falei a verdade, lembra Arruda. De acordo com a artista plástica, o projeto estava mais adiantado em Marechal Deodoro, e foi exatamente lá que ela começou a ser malvista. Eu fiquei como uma enrolona, como se tivesse criado uma expectativa para as crianças e os adolescentes do projeto. Tenho vergonha porque eles me cobram. Meu prejuízo é moral porque a Petrobras não pode aceitar o nome Alagoas, Presente!. Em Marechal, as pessoas acham que eu as enrolei, afirmou. O projeto da artista plástica, na época, atendia a 125 alunos carentes e envolvia monitores e instrutores. Os adolescentes trabalhavam com tapeçaria, mosaico e outras atividades. Gostaria que as pessoas de Marechal Deodoro entendessem que eu não tinha nada a ver com o Instituto Mangue Verde. Atualmente sem o apoio do Instituto, o projeto de Marta Arruda continua em Palmeira dos Índios e Maceió, em Bebedouro.

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